domingo, 30 de agosto de 2009
Sob o Sol e as Estrelas da Toscana.
Diário de viagem
um diário de viagem que se preze tem que ser incompleto e de preferência escrito dias depois do ocorrido. Isso garante que o viajante viveu intensamente cada momento, e nao se preocupou com recordacoes, já que as mais importantes têm que ficar bonitinhas ali, no coracao e na memória, e isso só ocorre quando as coisas sao vividas com propriedade.
Por isso, aí vai a trasncricao de partes do meu diário de viagem, incompleto e atrasado, como deve ser.
San Gimignano, 11 de Agosto de 2009
Viagem quase acabando... tenho tanto o que escrever! Acho que nao terei tempo... Mas isso provavelmente significa que, quando eu nao estava aproveitando a viagem, estava descansando, recuperando as energias pra continuar a jornada...
Vou (tentar) fazer uma retrospectiva, comecando pelo presente. Estamos num vilarejo chiquérrimo na Toscana, todo de pedra, cercado por uma muralha de uns cinco metros, no topo de uma montanha. Tem uma vista maravilhosa para o vale, que é repleto de plantacoes de uvas e de milho. A cidade em si já é de tirar o fôlego. Cheia de torres e pracas, pocos, casas antigas, muros marcados pelo tempo... É um cenário medieval autêntico. Sob o sol da Toscana, enche nossos olhos de marrom, vez em quando adornado com um colorido de flores nas janelas, nas fachadas, na frente das portas, pra quebrar a cor de pedra que é a mesma nas casas, nos muros e nas ruas estreitas e sem calcada. Daqui da janela do quarto, por trás da cortina vermelha a gente vê uns quintais e umas plantas, quando vai estender roupa no varal que tem no peitoral da janela. Sempre se ouve um sino ou uma flauta, que invade o quarto com um som doce, quase tao doce quanto a melancia gigantesca que eu e a mamae compramos no boteco da Eide, brasileira de Goiânia, moradora de San Gimignano há 10 anos, cheia de energia e de história pra contar. Ela foi nosso anjo da guarda nessa parte da viagem, indicando os lugares baratos, os enderecos escondidos, e inspirando a gente com tanta alegria, coragem e vontade de viver.
O pôr-do-sol do miradouro da cidade é um espetáculo. Claro que nem se compara com aquele que a gente vê de Mosqueiro, Salinas, Algodoal, Marajó ou mesmo de Belém, ali no Forte do Castelo ou na Estacao das Docas. Mas ver um pôr-do-sol do alto de uma montanha, encostada no muro de uma cidade do século 13, bom, nao tem preco. Agora já era hora de ver outro, mas tô com uma preguica...
O artesanato aqui é riquíssimo e de um bom gosto quase impecável, com raras excessoes. As bolsas de couro sao uma coisa de louco, mas os precos também. A que eu me apaixonei, por exemplo, custava 149 euros, e nao era a mais cara, nem quase isso. O trabalho em cerâmica, em lata, em vidro, as loucas pintadas à mao, os bordados em linho, os utensílios de madeira... A gente quer continuar andando, mas se demora tanto e nem percebe, indo de loja em loja, uma do lado da outra, cobrindo inteira a "avenida" principal, que é a Via San Matteo. Claro, as coisas sao todas caríssimas, mas cada uma lembra um parente, um amigo, ou nós mesmos, e a gente sai comprando ou se segurando pra nao comprar, porque é lindo demais e, pelo que eu vi por aí, único.
Tem apenas uma coisa que nao agradou tanto: os vendedores... Parece que a venda é tao garantida, devido ao turismo infinito, que eles nao se preocupam com simpatia ou bom atendimento. Nao falam inglês, nao sorriem (aliás, ficam com cara emburrada e às vezes, até de nojo ou desdém) e nao hesitam em demonstrar impaciencia quando o cliente demora demais para escolher. Em quase toda parte tem plaquinhas de "DON'T TOUCH!!!" em letras maiúsculas e bem sublinhadas, e ai de quem nao souber o que "don't touch" significa, porque nao escreveram em nenhuma outra língua. Bem, mas como eu e a mamae nao fazemos a menor questao de levar patada ou comprar briga com nenhum italiano mau humorado, escolhemos a dedo os lugares onde fizemos nossas compras. A água foi no canto da Eide, claro. O café da manha e o jantar foram num café que chama "Lucia e Maria", onde tínhamos desconto de 20% por estarmos hospedadas na Casa da Rosetta (ela própria uma simpatia de pessoa!!). Os garcons de lá sao animados e atenciosos, mesmo no horário de pico. O almoco do primeiro dia foi num restaurante com vista panorâmica para o vale, e lá o garcom que nos reconheceu como brasileiras nos atendeu em espanhol e nos pediu para falar português, porque ele entendia. =)
Lá que eu tomei o primeiro suco de laranja espremido na hora (4 euros!!!) em oito meses. A mamae, que estava há 12 dias só tomando suco de caixa, delirou com o "vaso grande" de Spremute (que de grande nao tinha nada, nao...).
Fomos numa loja de velas e sabonetes feitos à mao que tínhamos visto fechada umas duas vezes, em San Gimignano. Quando conseguimos encontrá-la aberta, o primeiro olhar disse "que bagunca" e "nao sao muito bonitos nao...". Mas a verdade é que era tanta coisa, que demorou pro olhar de fato olhar. E quando ele olhou de fato, enxergou cada obra prima, uma mais singela e única que a outra, todas misturadas na loja-atelier "Soap Opera", onde o dono gordinho e bem humorado terminava, dedicado, uma pintura linda em uma vela de parede. Ele ouviu eu e a mamae decidindo o que levar e disse quanto custava a vela que escolhemos: duedeci. Eu traduzi: "vinte". Ele foi rápido: "No, no. Duedeci.", e esperou meu cérebro pensar naquela folha do meu caderninho de viagens onde eu escrevi os números em italiano, com ajuda da prima da Giovanna, a Roberta. "Twelve!" Ele sorriu, dizendo "si!", sim, doze. A mamae disse que nao podia ser aquela, porque era muito frágil, e ia quebrar na viagem. Ele disse que faria um ótimo pacote e a vela nao quebraria. A mamae disse: "nós somos mochileiras!", e ele insistiu, dizendo em italiano "com o pacote que eu vou fazer, se tiver um acidente, por pior que seja, a vela vai continuar inteirinha." Eu quis dizer "Echt?", mas me controlei, porque ele nao ia entender. Falei "É?", mas nao foi a mesma coisa. Engracado, tenho agora expressoes que só consigo dizer com emocao se disser em alemao...
Eu reforcei e cobrei a promessa na hora da embalagem, e observei ele, gordinho, com óculos de aro grosso, todo concentrado e empenhado em fazer o melhor pacote ever, o suor escorrendo da testa e a língua pra fora da boca ingual a um desenho animado. Ele jogou o pacote pra cima e deixou cair em cima da mesa: "se a vela quebrar, pode me ligar que eu mando outra!". Todos rimos e eu apertei a mao dele dizendo em inglês: "parabéns. Você é um artista." Ele agradeceu e se despediu, e no dia seguinte ainda nos encontrou na rua, nos reconheceu e disse "Ciao! Buon Giorno!" (pra quem nao sabe, "Ciao" é "oi" e "tchau" em italiano.) Uma gracinha.
Outra rara excessao, claro, foi a Eide, mas não foi só porque ela é brasileira e nós também. A todos ela atendia em italiano, animada, com um sorriso no rosto, fazendo a diferenca. E quando esquecemos a garrafa de água na prateleira, porque tinhamos parado pra tirar uma foto com ela, ela saiu correndo gritando por nós rua acima, dizendo "tá vendo? Foi querer tirar foto minha... dá nisso!" =)
Os óculos. A mamae estava com os óculos quebrados, faltavam dois parafusos, e toda ótica onde entrávamos, nos diziam que faltava a peca, e quase nos expulsavam da loja. Em Siena, a mulher ficou enchendo a paciência, perguntando "Can I help you?" um zilhao de vezes, trazendo óculos caríssimos - e horríveis - pra mamae experimentar, e no final ainda ficou com raiva porque nao compramos nada. Aí, 10 metros adiante, entramos em outra. Mostrei o óculos quebrado, que a mulher pegou, olhou e disse algo que eu entendi como sendo "vamos ver o que eu posso fazer". E sumiu lá pra cima. Eu e a mamae ficamos experimentando uns Carrera, Ray Ban, Dolce&Gabbana, assim, todos com 20 a 50% de desconto, claro... Aí depois de uns 20min, um cara chega com o óculos novinho em folha, ao que eu e a mamae soltamos um "Ah!" de susto, quase uníssono. "Quanto costa?" - estávamos treinando as poucas frases em italiano que aprendemos. "Niente!" (Outro "Ah!" uníssono.) Como assim? Ela ainda diz isso com um sorriso? Mamae insiste em saber o preco, e a mulher sorri mais: "tre millione!", ela ri. Mais um oásis no meio do deserto.
Por isso, aí vai a trasncricao de partes do meu diário de viagem, incompleto e atrasado, como deve ser.
San Gimignano, 11 de Agosto de 2009
Viagem quase acabando... tenho tanto o que escrever! Acho que nao terei tempo... Mas isso provavelmente significa que, quando eu nao estava aproveitando a viagem, estava descansando, recuperando as energias pra continuar a jornada...
Vou (tentar) fazer uma retrospectiva, comecando pelo presente. Estamos num vilarejo chiquérrimo na Toscana, todo de pedra, cercado por uma muralha de uns cinco metros, no topo de uma montanha. Tem uma vista maravilhosa para o vale, que é repleto de plantacoes de uvas e de milho. A cidade em si já é de tirar o fôlego. Cheia de torres e pracas, pocos, casas antigas, muros marcados pelo tempo... É um cenário medieval autêntico. Sob o sol da Toscana, enche nossos olhos de marrom, vez em quando adornado com um colorido de flores nas janelas, nas fachadas, na frente das portas, pra quebrar a cor de pedra que é a mesma nas casas, nos muros e nas ruas estreitas e sem calcada. Daqui da janela do quarto, por trás da cortina vermelha a gente vê uns quintais e umas plantas, quando vai estender roupa no varal que tem no peitoral da janela. Sempre se ouve um sino ou uma flauta, que invade o quarto com um som doce, quase tao doce quanto a melancia gigantesca que eu e a mamae compramos no boteco da Eide, brasileira de Goiânia, moradora de San Gimignano há 10 anos, cheia de energia e de história pra contar. Ela foi nosso anjo da guarda nessa parte da viagem, indicando os lugares baratos, os enderecos escondidos, e inspirando a gente com tanta alegria, coragem e vontade de viver.
O pôr-do-sol do miradouro da cidade é um espetáculo. Claro que nem se compara com aquele que a gente vê de Mosqueiro, Salinas, Algodoal, Marajó ou mesmo de Belém, ali no Forte do Castelo ou na Estacao das Docas. Mas ver um pôr-do-sol do alto de uma montanha, encostada no muro de uma cidade do século 13, bom, nao tem preco. Agora já era hora de ver outro, mas tô com uma preguica...
O artesanato aqui é riquíssimo e de um bom gosto quase impecável, com raras excessoes. As bolsas de couro sao uma coisa de louco, mas os precos também. A que eu me apaixonei, por exemplo, custava 149 euros, e nao era a mais cara, nem quase isso. O trabalho em cerâmica, em lata, em vidro, as loucas pintadas à mao, os bordados em linho, os utensílios de madeira... A gente quer continuar andando, mas se demora tanto e nem percebe, indo de loja em loja, uma do lado da outra, cobrindo inteira a "avenida" principal, que é a Via San Matteo. Claro, as coisas sao todas caríssimas, mas cada uma lembra um parente, um amigo, ou nós mesmos, e a gente sai comprando ou se segurando pra nao comprar, porque é lindo demais e, pelo que eu vi por aí, único.
Tem apenas uma coisa que nao agradou tanto: os vendedores... Parece que a venda é tao garantida, devido ao turismo infinito, que eles nao se preocupam com simpatia ou bom atendimento. Nao falam inglês, nao sorriem (aliás, ficam com cara emburrada e às vezes, até de nojo ou desdém) e nao hesitam em demonstrar impaciencia quando o cliente demora demais para escolher. Em quase toda parte tem plaquinhas de "DON'T TOUCH!!!" em letras maiúsculas e bem sublinhadas, e ai de quem nao souber o que "don't touch" significa, porque nao escreveram em nenhuma outra língua. Bem, mas como eu e a mamae nao fazemos a menor questao de levar patada ou comprar briga com nenhum italiano mau humorado, escolhemos a dedo os lugares onde fizemos nossas compras. A água foi no canto da Eide, claro. O café da manha e o jantar foram num café que chama "Lucia e Maria", onde tínhamos desconto de 20% por estarmos hospedadas na Casa da Rosetta (ela própria uma simpatia de pessoa!!). Os garcons de lá sao animados e atenciosos, mesmo no horário de pico. O almoco do primeiro dia foi num restaurante com vista panorâmica para o vale, e lá o garcom que nos reconheceu como brasileiras nos atendeu em espanhol e nos pediu para falar português, porque ele entendia. =)
Lá que eu tomei o primeiro suco de laranja espremido na hora (4 euros!!!) em oito meses. A mamae, que estava há 12 dias só tomando suco de caixa, delirou com o "vaso grande" de Spremute (que de grande nao tinha nada, nao...).
Fomos numa loja de velas e sabonetes feitos à mao que tínhamos visto fechada umas duas vezes, em San Gimignano. Quando conseguimos encontrá-la aberta, o primeiro olhar disse "que bagunca" e "nao sao muito bonitos nao...". Mas a verdade é que era tanta coisa, que demorou pro olhar de fato olhar. E quando ele olhou de fato, enxergou cada obra prima, uma mais singela e única que a outra, todas misturadas na loja-atelier "Soap Opera", onde o dono gordinho e bem humorado terminava, dedicado, uma pintura linda em uma vela de parede. Ele ouviu eu e a mamae decidindo o que levar e disse quanto custava a vela que escolhemos: duedeci. Eu traduzi: "vinte". Ele foi rápido: "No, no. Duedeci.", e esperou meu cérebro pensar naquela folha do meu caderninho de viagens onde eu escrevi os números em italiano, com ajuda da prima da Giovanna, a Roberta. "Twelve!" Ele sorriu, dizendo "si!", sim, doze. A mamae disse que nao podia ser aquela, porque era muito frágil, e ia quebrar na viagem. Ele disse que faria um ótimo pacote e a vela nao quebraria. A mamae disse: "nós somos mochileiras!", e ele insistiu, dizendo em italiano "com o pacote que eu vou fazer, se tiver um acidente, por pior que seja, a vela vai continuar inteirinha." Eu quis dizer "Echt?", mas me controlei, porque ele nao ia entender. Falei "É?", mas nao foi a mesma coisa. Engracado, tenho agora expressoes que só consigo dizer com emocao se disser em alemao...
Eu reforcei e cobrei a promessa na hora da embalagem, e observei ele, gordinho, com óculos de aro grosso, todo concentrado e empenhado em fazer o melhor pacote ever, o suor escorrendo da testa e a língua pra fora da boca ingual a um desenho animado. Ele jogou o pacote pra cima e deixou cair em cima da mesa: "se a vela quebrar, pode me ligar que eu mando outra!". Todos rimos e eu apertei a mao dele dizendo em inglês: "parabéns. Você é um artista." Ele agradeceu e se despediu, e no dia seguinte ainda nos encontrou na rua, nos reconheceu e disse "Ciao! Buon Giorno!" (pra quem nao sabe, "Ciao" é "oi" e "tchau" em italiano.) Uma gracinha.
Outra rara excessao, claro, foi a Eide, mas não foi só porque ela é brasileira e nós também. A todos ela atendia em italiano, animada, com um sorriso no rosto, fazendo a diferenca. E quando esquecemos a garrafa de água na prateleira, porque tinhamos parado pra tirar uma foto com ela, ela saiu correndo gritando por nós rua acima, dizendo "tá vendo? Foi querer tirar foto minha... dá nisso!" =)
Os óculos. A mamae estava com os óculos quebrados, faltavam dois parafusos, e toda ótica onde entrávamos, nos diziam que faltava a peca, e quase nos expulsavam da loja. Em Siena, a mulher ficou enchendo a paciência, perguntando "Can I help you?" um zilhao de vezes, trazendo óculos caríssimos - e horríveis - pra mamae experimentar, e no final ainda ficou com raiva porque nao compramos nada. Aí, 10 metros adiante, entramos em outra. Mostrei o óculos quebrado, que a mulher pegou, olhou e disse algo que eu entendi como sendo "vamos ver o que eu posso fazer". E sumiu lá pra cima. Eu e a mamae ficamos experimentando uns Carrera, Ray Ban, Dolce&Gabbana, assim, todos com 20 a 50% de desconto, claro... Aí depois de uns 20min, um cara chega com o óculos novinho em folha, ao que eu e a mamae soltamos um "Ah!" de susto, quase uníssono. "Quanto costa?" - estávamos treinando as poucas frases em italiano que aprendemos. "Niente!" (Outro "Ah!" uníssono.) Como assim? Ela ainda diz isso com um sorriso? Mamae insiste em saber o preco, e a mulher sorri mais: "tre millione!", ela ri. Mais um oásis no meio do deserto.
domingo, 2 de agosto de 2009
sábado, 1 de agosto de 2009
Louve o Louvre
Sim, eu entrei de graca. =D
porque todo mundo tá ali por causa dela.

nao tá?

já entendeu, nao é? vá para a DIREITA.
asas do Eros Arqueiro.

braco da Vênus de Milo acenando ciao.
escadarias de mármore puro.
beleza de mármore puro.
olha o cofrinho dela.
deixe-me em paz ou te devoro.
pirâmide polêmica. Mas ah, tem que ter foto com ela, nao é?

entao todos temos.

em uma das entradas, de um dos pavilhoes.

em um dos chafarizes de uma das entradas, em um dos pavilhoes.
porque todo mundo tá ali por causa dela.
nao tá?

já entendeu, nao é? vá para a DIREITA.
asas do Eros Arqueiro.
braco da Vênus de Milo acenando ciao.
escadarias de mármore puro.
beleza de mármore puro.
olha o cofrinho dela.
deixe-me em paz ou te devoro.
pirâmide polêmica. Mas ah, tem que ter foto com ela, nao é?
entao todos temos.

em uma das entradas, de um dos pavilhoes.

em um dos chafarizes de uma das entradas, em um dos pavilhoes.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Ela tá chegando! *_* '
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Ins Kino? Vor- und Nachteile
Cinema na Alemanha. Tem pra todos os gostos, com filmes novos e velhos, blockbusters ou nao, cinemas modernos, antigos e open air. Tem até cinema na piscina, na época do verao. Tem uns cinemas que em vez de fileiras, têm mesas e cadeiras como um restaurante, e servem comida, enquanto o filme rola. Bom, até agora só fui no Cinemaxx, e vou listar as vantagens (Vorteile) (fóataile) e as desvantagens (Nachteile) (nártaile) do dito cujo. Vou colocar tudo junto, e vocês decidem o que é bom e o que é ruim.
- o dia mais barato é terca-feira, quando o ingresso custa €5. Os outros dias sao €6, €7 e €8.
- quem é estudante ganha - incrível - UM EURO!! de desconto.
- cinema em Belém tem comercial antes do filme? Digo comercial mesmo, nao trailler. Acho que tem um ou dois, né? Bom, aqui tem 10 pra 15 minutos de comercial, e mais 10 minutos e trailler. Se pelo menos esse fator fizesse o ingresso ser mais barato...
- sempre que acabam os comerciais, a tela apaga e as luzes acendem, e sempre alguém diz "gut, Film zu Ende, wir können nach Hause." (ótimo, o filme acabou, vamos pra casa.)
- para filmes longos devemos pagar um euro a mais no ingresso.
- em filmes longos tem uma pausa de cinco a dez minutos, pra enfrentarmos a fila do banheiro e da bomboniére MAIS uma vez.
- poltronas SUPER confortáveis, contudo, entretanto, porém, sem aquele lugar estratégico pra colocar o refrigerante.
- imagem e som impecáveis.
- espaco suficiente entre a nossa perna e a poltrona da frente - nao precisamos levantar nem uma, nem duas vezes, quando a menina da última poltrona da fileira decide ir ao banheiro.
- Banheiros limpinhos e numerosos - um pra cada sala de cinema.
- A pipoca aqui é doce, com acúcar. Se quiser com sal, tem que especificar, com o risco de nem ter!
- Além da pipoca e do refrigerante, estao à venda também: nachos com três molhos diferentes, picolés e sorvetes, cerveja, vinho e até champagne.
=P
.
de dia lágrimas, à noite amantes. Lágrimas de diamantes...

a dor mente
mente formiga
mente dormente
pra dor, procuro a cura
pró-curo
procuro curar
procuro amigo, abrigo, asilo
pra velha dor amante minha
de noite e de dia
dia, di, diana
o dia mente
di amante
diamante
brilha e chora.
(brincando com as palavras amigas.)

a dor mente
mente formiga
mente dormente
pra dor, procuro a cura
pró-curo
procuro curar
procuro amigo, abrigo, asilo
pra velha dor amante minha
de noite e de dia
dia, di, diana
o dia mente
di amante
diamante
brilha e chora.
(brincando com as palavras amigas.)
terça-feira, 21 de julho de 2009
nostalgia à la carte
campanha aberta: leiam seus emails antigos!
Quatro anos atrás eu trabalhava em uma loja no Iguatemi, a Imaginarium. Faco propaganda mesmo, porque amo essa loja de paixao. <3
Conhecia muita gente e encontrava muita gente trabalhando lá. Um belo dia, aparece um moco (môSSo) pedindo uma T-shirt. Achei engracado ele falar assim, T-shirt, apesar de todo o resto da frase ter sido em português. Perguntei por quê. Descobri que ele era português, que estudava na Alemanha, e estava fazendo intercâmbio no Brasil. Recém-chegada no mundo da Germanística, me interessei logo pelo papo e contei que estudava alemao na Ufpa. Ele quis falar alemao comigo, há, mas quando, eu tinha feito só o primeiro nível, morri de vergonha e nem tentei. Mas peguei o contato dele na Alemanha, que ele escreveu com caneta bic num cartaozinho da loja.
Na mesma semana trocamos emails, ele me convidou pro aniversário/festa de despedida dele, que eu faltei, por pura vergonha de aparecer lá sozinha. Besteira minha, claro. Mas depois de uns emails, perdemos contato.
Até que semana passada eu resolvo puxar meus emails da minha antiga conta no yahoo para minha conta no Gmail, porque morro de preguica de checar os emails no yahoo, e até hoje tem gente que escreve pra lá (parem, por favor!!). A brincadeira deu no seguinte: o Gmail puxou absolutamente TODAS as mensagens do email do Yahoo, e o pior, todas como nao-lidas, de modo que eu fiquei com umas três mil mensagens nao-lidas no meu Gmail, e lá me pus a deletá-las/arquivá-las/lê-las etc. Achei umas boas pérolas. Alguns e-mails eu reli e respondi de novo, alguns eu encaminhei pro dono, pra lembramos juntos daquela época, outros eu li e só. E achei um do tal do português, onde ele dizia que já tinha percebido que os brasileiros sao furoes. =P Olha nossa fama, gente...
Resolvi escrever pra ele. Nao sabia se o endereco era o mesmo, nem se ele ia lembrar de mim, se ele ia me achar louca, e se achasse, e daí? Pagar mico eletrônico nao dói. No email eu perguntava se ele ainda estava vivo, se aquele ainda era o mesmo endereco, e se ele estava morando no Brasil, na Alemanha ou em Portugal. Dizia que estava morando, finalmente, na Alemanha, em Hamburgo, por um ano. Só.
Pouco tempo depois ele responde perguntando, "o que você está fazendo aqui em Hamburgo?" (notem o aqui.)
=O! OMG!
A vida é muito engracada, nao é??
Conheco o menino na minha cidade, furo com ele e quatro anos depois venho morar na mesma cidade que ele do outro lado do mundo, sem nem suspeitar que as coincidências nao param por aí.
No longo encontro de hoje, assunto nao faltou. Para mim, uma diversao. Para ele, uma nostalgia. Falamos de Belém, da Cairu, do Café Imaginário, da Pizza de Jambú, dos nossos enderecos antigos. Eu morava na Timbiras, entre Apinagés e Tupinambás. Ele morava duas ruas depois, na Sao Miguel, entre Apinagés e Tupinambás. Ele saía com a Terena, a Marília, amigas da namorada dele e dos meus amigos. Ele fazia Psicologia na Unama, numa turma que provavelmente foi a minha 2 anos antes. Os nossos professores eram os mesmos e a tia Andréa (Pontes) chegou a ir na casa dele pra jantar. Belém é incrível e cada vez mais me surpreende. E surpreendeu a Bianca também, que acompanhou a nossa noite de pizza e sorvete com direito a vista para o Alster.
Tudo bem, ele é português, ou seja, mais uma pessoa em Hamburgo que eu conheco, com a qual eu NAO vou falar alemao. Mas ele conhece pessoas alemas pra me apresentar, e mesmo se nao conhecesse, ele é tao legal que ter furado com ele quatro anos atrás valeu a pena, só pra que eu hoje tivesse uma história legal dessas pra contar. =D
Quatro anos atrás eu trabalhava em uma loja no Iguatemi, a Imaginarium. Faco propaganda mesmo, porque amo essa loja de paixao. <3
Conhecia muita gente e encontrava muita gente trabalhando lá. Um belo dia, aparece um moco (môSSo) pedindo uma T-shirt. Achei engracado ele falar assim, T-shirt, apesar de todo o resto da frase ter sido em português. Perguntei por quê. Descobri que ele era português, que estudava na Alemanha, e estava fazendo intercâmbio no Brasil. Recém-chegada no mundo da Germanística, me interessei logo pelo papo e contei que estudava alemao na Ufpa. Ele quis falar alemao comigo, há, mas quando, eu tinha feito só o primeiro nível, morri de vergonha e nem tentei. Mas peguei o contato dele na Alemanha, que ele escreveu com caneta bic num cartaozinho da loja.
Na mesma semana trocamos emails, ele me convidou pro aniversário/festa de despedida dele, que eu faltei, por pura vergonha de aparecer lá sozinha. Besteira minha, claro. Mas depois de uns emails, perdemos contato.
Até que semana passada eu resolvo puxar meus emails da minha antiga conta no yahoo para minha conta no Gmail, porque morro de preguica de checar os emails no yahoo, e até hoje tem gente que escreve pra lá (parem, por favor!!). A brincadeira deu no seguinte: o Gmail puxou absolutamente TODAS as mensagens do email do Yahoo, e o pior, todas como nao-lidas, de modo que eu fiquei com umas três mil mensagens nao-lidas no meu Gmail, e lá me pus a deletá-las/arquivá-las/lê-las etc. Achei umas boas pérolas. Alguns e-mails eu reli e respondi de novo, alguns eu encaminhei pro dono, pra lembramos juntos daquela época, outros eu li e só. E achei um do tal do português, onde ele dizia que já tinha percebido que os brasileiros sao furoes. =P Olha nossa fama, gente...
Resolvi escrever pra ele. Nao sabia se o endereco era o mesmo, nem se ele ia lembrar de mim, se ele ia me achar louca, e se achasse, e daí? Pagar mico eletrônico nao dói. No email eu perguntava se ele ainda estava vivo, se aquele ainda era o mesmo endereco, e se ele estava morando no Brasil, na Alemanha ou em Portugal. Dizia que estava morando, finalmente, na Alemanha, em Hamburgo, por um ano. Só.
Pouco tempo depois ele responde perguntando, "o que você está fazendo aqui em Hamburgo?" (notem o aqui.)
=O! OMG!
A vida é muito engracada, nao é??
Conheco o menino na minha cidade, furo com ele e quatro anos depois venho morar na mesma cidade que ele do outro lado do mundo, sem nem suspeitar que as coincidências nao param por aí.
No longo encontro de hoje, assunto nao faltou. Para mim, uma diversao. Para ele, uma nostalgia. Falamos de Belém, da Cairu, do Café Imaginário, da Pizza de Jambú, dos nossos enderecos antigos. Eu morava na Timbiras, entre Apinagés e Tupinambás. Ele morava duas ruas depois, na Sao Miguel, entre Apinagés e Tupinambás. Ele saía com a Terena, a Marília, amigas da namorada dele e dos meus amigos. Ele fazia Psicologia na Unama, numa turma que provavelmente foi a minha 2 anos antes. Os nossos professores eram os mesmos e a tia Andréa (Pontes) chegou a ir na casa dele pra jantar. Belém é incrível e cada vez mais me surpreende. E surpreendeu a Bianca também, que acompanhou a nossa noite de pizza e sorvete com direito a vista para o Alster.
Tudo bem, ele é português, ou seja, mais uma pessoa em Hamburgo que eu conheco, com a qual eu NAO vou falar alemao. Mas ele conhece pessoas alemas pra me apresentar, e mesmo se nao conhecesse, ele é tao legal que ter furado com ele quatro anos atrás valeu a pena, só pra que eu hoje tivesse uma história legal dessas pra contar. =D
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Berlin - Reloaded
"Fui à floresta porque queria viver intensamente. E sugar a essência da vida! Deixar de lado tudo o que nao era vida. E nao, ao morrer, descobrir que nao vivi."
Pois é, fui a Berlin porque queria viver intensamente. A idéia era chegar lá na sexta à noite, sair, voltar de madrugada, depois acordar, ver a cidade, sair no sábado à noite, voltar de madrugada, acordar no Domingo, ir a Potsdam e voltar Domingo à noite pra Hamburgo, pra só entao dormir direito, afinal de contas, dormir é para os fracos.
Bem, nao saiu tudo muito como o planejado.
Sexta, cinco da tarde, eu de mala pronta e arrumada esperando o Willi chegar pra poder sair correndo e pegar o trem das 17:24. Às 18h eu tinha que estar na Hauptbahnhof para encontrar uma tal de Kathi, que eu encontrei num site que é agência de caronas.
Falemos brevemente sobre esta agência.
Todos sabem que na Alemanha existe as famosas Autobahns, estradas que ligam as cidades do país inteiro e da Europa inteira, onde em vários trechos inexistem limites de velocidade. Assim, é prático e rápido chegar a qualquer lugar que você queira, de modo que uma viagem a Berlin tem a mesma duracao de uma "viagem" Belém-Salinas.
O preco da passagem de ônibus para Berlin, se você marcar com um mês de antecedência, pode sair por 9 euros. Isso se você tiver sorte, ou se nao estiver indo no verao. Mas nao era o meu caso, entao a outra alternativa seria o preco normal do ônibus, que é 26 euros o trecho. Ou entao de trem, que varia de 29 euros se você marcar com pelo menos três semanas de antecedência, a 60 euros, se você for de ICE, o trem-bala daqui.
Enfim, a alternativa mais barata seria 52 euros, Hamburgo-Berlin-Hamburgo de ônibus, viagem de no mínimo três horas e com chances grandes de companhias nao muito agradáveis.
Mas as melhores coisas da vida nao têm preco, e para todas as outras, existe a internet. Esta possibilita que encontremos pessoas que estao indo de carro para o mesmo lugar que nós, no mesmo horário que desejamos ir, e o melhor, sozinhas. Assim, elas oferecem lugar no carro delas por um preco simbólico, que na verdade é pra ajudar com a gasolina, essas coisas.
O preco máximo da carona pra Berlin é de 15 euros. Eu achei uma menina, Katharina, que dizia assim "de mulher para mulheres. Meu carro é um Ford Focus, com cinco anos de viagens sem acidentes. Sempre viajo a Berlin e já levei muitas pessoas de carona. Se estiver interessada, mande SMS ou email. As três primeiras vao comigo! Abracos, Kathi. :)". Assim, com sorrisinho e tudo! Achei uma fofa. E depois tinha um "PS: se três pessoas forem, fica mais barato!".
Liguei na mesma hora. Ela nao atendeu. Mandei email. "Oi Kathi, aqui é a Diana, eu gostaria muito de ir com você a Berlin. Ainda tem vaga? Meu telefone é... Obrigada!". E torci.
Pouco depois recebo a resposta dizendo "sim, ainda tem uma vaga! Fico feliz em levá-la! Vamos nos encontrar em... Meu carro é um Ford Focus Azul. Abracos, Kathi."
Ai, que emocao! Minha primeira carona!
Bom, cheguei no ponto de encontro meia hora antes. Esperei, esperei... Tava chovendo... Tinham mais pessoas ao meu redor que também pareciam esperar alguém. Perguntei pra uma senhora ao meu lado se ela ia pra Berlin. Ela disse num alemao muuuuito ruim que nao, que ia pra Frankfurt. Seis horas em ponto, vejo um carro azul. Era ela? Mandei mensagem "estou aqui!" e ela veio correndo na chuva, perguntando: "você é a Diana?"
Foi o início de três ótimas horas. No carro tinham mais duas meninas, uma de Berlin e a outra de Hamburgo. 25 e 24 anos, e a motorista tinha 23. Falamos só alemao, claro, eu zonzinha de tao rápido que elas falavam, e sem parar, mas foi só eu dizer que era do Brasil e choveu perguntas e comentários pro meu lado. A Kathi de 25 foi ao Brasil em Fevereiro, conheceu SP, RJ e Parati, e se apaixonou pelo país e pelas pessoas. A Kathi de 23 vai ao Brasil ano que vem e depois pras Olimpíadas, porque ela fez intercâmbio na Franca e conheceu quatro brasileiros de Fortaleza com quem fala até hoje. A de 24 cujo nome eu esqueci nunca foi ao Brasil mas foi a primeira a dizer "Cool!" quando eu disse que era de lá. E ela já foi Au Pair na Franca também, e agora tá escrevendo o TCC dela.
As três eram mais altas que eu, e falavam cheias de gírias, até aprendi algumas. A Kathi de 25 me convidou pra uma festa no Sábado, a estréia do apartamento de uns amigos dela em Berlin, que ela nem sabia se iam gostar de ela estar convidando gente assim pra festa deles...
Foi o máximo. Chegamos em Berlin num frio danado, e eu esperei umas duas horas na estacao, até a Paty chegar pra me buscar, só pra eu nao precisar comprar um ticket.
Chegamos na casa do Enrique, amigo da Paty que tá fazendo doutorado em Berlin. Jantamos, nos arrumamos e opa, comecou a chover. Pois é. Primeiro dia de saída já melou. Ficamos em casa, a Paty dormindo e nós três vendo "The Notebook" com um pacote de lencinhos na mao, até três da manha.
Sábado de Sol, hum, bem, nao. Sábado nublado, eu e a Arianna, a italiana, nos lancamos ao mundo pra descobrir Berlin com nossas próprias lentes. A cidade tem duas linhas de ônibus que passam exclusivamente pelos pontos turísticos, a linha 100 e a linha 200. As duas saem do mesmo lugar, o Zoologicher Garten. E se você comprar um Tagesticket, que é a passagem pro dia inteiro, e custa em torno de seis euros, você pode andar, claro, o dia inteiro, com qualquer meio de transporte público de Berlin, inclusive esses ônibus.
É ótimo, a gente vê um ponto interessante, desce, olha, tira foto, volta pra parada e pega o próximo ônibus, e desce no próximo ponto, e assim descobre Berlin sem nem precisar de mapa. Ou sim? Bom, um mapa ajuda, mas nao precisa necessariamente. O resultado foi que a gente andou a cidade quase toda, viu um montao de coisa, até pegou um solzinho, e se cansou pra caramba. No fim do dia estávamos as duas mortinhas e eu com uma enxaqueca sem nocao. Cheguei em casa e me joguei no colchao sem nem tirar o sapato, e antes de apagar, tomei uma neosaldina, e só fui abrir os olhos à uma da manha, quando a Arianna estava de pijamas indo dormir e a Patrícia e o Enrique já tinham ido pra farra. Blé. Perdi mais uma noite. E nem fui pra festa da Kathi...
Domingo. Acordei cedo. A Arianna já estava pronta pra sair. O dia estava lindo, o sol estava à toda, e ela nao queria perder nem um segundo. Confusoes à parte, pulemos pra parte interessante. Eu, a Paty e o Enrique embarcando num trem pra Potsdam, uma cidadezinha do lado de Berlin, famosa pelos seus castelos e Jardins seculares. Gente, é lindo!! Vale cada minuto. Perdemos um tempao descobrindo como chegar lá, mas a UMA hora que passamos lá valeu pelas fotos.
Depois de passear por entre as milhoes de estátuas e flores, voltamos a Berlin correndo, porque a minha carona de volta era às 19h em ponto. Desta vez nao foi tao divertido. Mas as pessoas no carro eram legais, apesar de termos passado as três horas e meia quase todas em silêncio. Eu estava cansada, na estrada choveu bastante, o rádio estava ligado, entao fomos cada um no seu mundo, trocando palavras aqui e ali, muitas das quais eu nao entendi muito bem, entao fiquei meio alheia a tudo.
Cheguei em casa às dez e meia, faminta, imunda e kapput.
Saldo: Por 12 euros de ida e 12 euros de volta, mais alguns euros no supermercado e outros em souvenires, ganhei quase quinhentas fotos, muita história pra contar e alguma experiência nos quesitos hitchhiking, backpacking e couchsurfing. =) Valeu, povo! =*





Pois é, fui a Berlin porque queria viver intensamente. A idéia era chegar lá na sexta à noite, sair, voltar de madrugada, depois acordar, ver a cidade, sair no sábado à noite, voltar de madrugada, acordar no Domingo, ir a Potsdam e voltar Domingo à noite pra Hamburgo, pra só entao dormir direito, afinal de contas, dormir é para os fracos.
Bem, nao saiu tudo muito como o planejado.
Sexta, cinco da tarde, eu de mala pronta e arrumada esperando o Willi chegar pra poder sair correndo e pegar o trem das 17:24. Às 18h eu tinha que estar na Hauptbahnhof para encontrar uma tal de Kathi, que eu encontrei num site que é agência de caronas.
Falemos brevemente sobre esta agência.
Todos sabem que na Alemanha existe as famosas Autobahns, estradas que ligam as cidades do país inteiro e da Europa inteira, onde em vários trechos inexistem limites de velocidade. Assim, é prático e rápido chegar a qualquer lugar que você queira, de modo que uma viagem a Berlin tem a mesma duracao de uma "viagem" Belém-Salinas.
O preco da passagem de ônibus para Berlin, se você marcar com um mês de antecedência, pode sair por 9 euros. Isso se você tiver sorte, ou se nao estiver indo no verao. Mas nao era o meu caso, entao a outra alternativa seria o preco normal do ônibus, que é 26 euros o trecho. Ou entao de trem, que varia de 29 euros se você marcar com pelo menos três semanas de antecedência, a 60 euros, se você for de ICE, o trem-bala daqui.
Enfim, a alternativa mais barata seria 52 euros, Hamburgo-Berlin-Hamburgo de ônibus, viagem de no mínimo três horas e com chances grandes de companhias nao muito agradáveis.
Mas as melhores coisas da vida nao têm preco, e para todas as outras, existe a internet. Esta possibilita que encontremos pessoas que estao indo de carro para o mesmo lugar que nós, no mesmo horário que desejamos ir, e o melhor, sozinhas. Assim, elas oferecem lugar no carro delas por um preco simbólico, que na verdade é pra ajudar com a gasolina, essas coisas.
O preco máximo da carona pra Berlin é de 15 euros. Eu achei uma menina, Katharina, que dizia assim "de mulher para mulheres. Meu carro é um Ford Focus, com cinco anos de viagens sem acidentes. Sempre viajo a Berlin e já levei muitas pessoas de carona. Se estiver interessada, mande SMS ou email. As três primeiras vao comigo! Abracos, Kathi. :)". Assim, com sorrisinho e tudo! Achei uma fofa. E depois tinha um "PS: se três pessoas forem, fica mais barato!".
Liguei na mesma hora. Ela nao atendeu. Mandei email. "Oi Kathi, aqui é a Diana, eu gostaria muito de ir com você a Berlin. Ainda tem vaga? Meu telefone é... Obrigada!". E torci.
Pouco depois recebo a resposta dizendo "sim, ainda tem uma vaga! Fico feliz em levá-la! Vamos nos encontrar em... Meu carro é um Ford Focus Azul. Abracos, Kathi."
Ai, que emocao! Minha primeira carona!
Bom, cheguei no ponto de encontro meia hora antes. Esperei, esperei... Tava chovendo... Tinham mais pessoas ao meu redor que também pareciam esperar alguém. Perguntei pra uma senhora ao meu lado se ela ia pra Berlin. Ela disse num alemao muuuuito ruim que nao, que ia pra Frankfurt. Seis horas em ponto, vejo um carro azul. Era ela? Mandei mensagem "estou aqui!" e ela veio correndo na chuva, perguntando: "você é a Diana?"
Foi o início de três ótimas horas. No carro tinham mais duas meninas, uma de Berlin e a outra de Hamburgo. 25 e 24 anos, e a motorista tinha 23. Falamos só alemao, claro, eu zonzinha de tao rápido que elas falavam, e sem parar, mas foi só eu dizer que era do Brasil e choveu perguntas e comentários pro meu lado. A Kathi de 25 foi ao Brasil em Fevereiro, conheceu SP, RJ e Parati, e se apaixonou pelo país e pelas pessoas. A Kathi de 23 vai ao Brasil ano que vem e depois pras Olimpíadas, porque ela fez intercâmbio na Franca e conheceu quatro brasileiros de Fortaleza com quem fala até hoje. A de 24 cujo nome eu esqueci nunca foi ao Brasil mas foi a primeira a dizer "Cool!" quando eu disse que era de lá. E ela já foi Au Pair na Franca também, e agora tá escrevendo o TCC dela.
As três eram mais altas que eu, e falavam cheias de gírias, até aprendi algumas. A Kathi de 25 me convidou pra uma festa no Sábado, a estréia do apartamento de uns amigos dela em Berlin, que ela nem sabia se iam gostar de ela estar convidando gente assim pra festa deles...
Foi o máximo. Chegamos em Berlin num frio danado, e eu esperei umas duas horas na estacao, até a Paty chegar pra me buscar, só pra eu nao precisar comprar um ticket.
Chegamos na casa do Enrique, amigo da Paty que tá fazendo doutorado em Berlin. Jantamos, nos arrumamos e opa, comecou a chover. Pois é. Primeiro dia de saída já melou. Ficamos em casa, a Paty dormindo e nós três vendo "The Notebook" com um pacote de lencinhos na mao, até três da manha.
Sábado de Sol, hum, bem, nao. Sábado nublado, eu e a Arianna, a italiana, nos lancamos ao mundo pra descobrir Berlin com nossas próprias lentes. A cidade tem duas linhas de ônibus que passam exclusivamente pelos pontos turísticos, a linha 100 e a linha 200. As duas saem do mesmo lugar, o Zoologicher Garten. E se você comprar um Tagesticket, que é a passagem pro dia inteiro, e custa em torno de seis euros, você pode andar, claro, o dia inteiro, com qualquer meio de transporte público de Berlin, inclusive esses ônibus.
É ótimo, a gente vê um ponto interessante, desce, olha, tira foto, volta pra parada e pega o próximo ônibus, e desce no próximo ponto, e assim descobre Berlin sem nem precisar de mapa. Ou sim? Bom, um mapa ajuda, mas nao precisa necessariamente. O resultado foi que a gente andou a cidade quase toda, viu um montao de coisa, até pegou um solzinho, e se cansou pra caramba. No fim do dia estávamos as duas mortinhas e eu com uma enxaqueca sem nocao. Cheguei em casa e me joguei no colchao sem nem tirar o sapato, e antes de apagar, tomei uma neosaldina, e só fui abrir os olhos à uma da manha, quando a Arianna estava de pijamas indo dormir e a Patrícia e o Enrique já tinham ido pra farra. Blé. Perdi mais uma noite. E nem fui pra festa da Kathi...
Domingo. Acordei cedo. A Arianna já estava pronta pra sair. O dia estava lindo, o sol estava à toda, e ela nao queria perder nem um segundo. Confusoes à parte, pulemos pra parte interessante. Eu, a Paty e o Enrique embarcando num trem pra Potsdam, uma cidadezinha do lado de Berlin, famosa pelos seus castelos e Jardins seculares. Gente, é lindo!! Vale cada minuto. Perdemos um tempao descobrindo como chegar lá, mas a UMA hora que passamos lá valeu pelas fotos.
Depois de passear por entre as milhoes de estátuas e flores, voltamos a Berlin correndo, porque a minha carona de volta era às 19h em ponto. Desta vez nao foi tao divertido. Mas as pessoas no carro eram legais, apesar de termos passado as três horas e meia quase todas em silêncio. Eu estava cansada, na estrada choveu bastante, o rádio estava ligado, entao fomos cada um no seu mundo, trocando palavras aqui e ali, muitas das quais eu nao entendi muito bem, entao fiquei meio alheia a tudo.
Cheguei em casa às dez e meia, faminta, imunda e kapput.
Saldo: Por 12 euros de ida e 12 euros de volta, mais alguns euros no supermercado e outros em souvenires, ganhei quase quinhentas fotos, muita história pra contar e alguma experiência nos quesitos hitchhiking, backpacking e couchsurfing. =) Valeu, povo! =*
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Wir ♥ Brasilien
Último dia de curso. Saio de casa sem vontade alguma de assistir aula e me arrastando só porque é o último dia e eu nao quero perder. Gosto muito daquele povo, e saber que dificilmente vamos nos ver todos juntos de novo (nem hoje nos vimos) me deixa um pouco triste. Entao saí de casa disposta a assistir aula e depois sair com eles pra comer e beber alguma coisa.
A aula seguiu seu curso de sempre e eu nao me orgulho de dizer que apesar de nao ter estudado absolutamente nada nos últimos cinco dias, eu me saí muito bem. E na saída fomos eu, Manola e Givanna (as duas italianas) procurar um lugar legal pra elas matarem o que as matava. Entramos num lugar pertinho da estacao, que chama (fala como lê) "Omas Apotheke", farmácia da Vovó, que de farmácia nao tem nada, mas enfim... É um restaurante antigo com decoracao curiosa. Uns objetos do século passado ou retrasado, e vários pôsteres de cosméticos do mesmo século dos objetos, provavelmente. Muito legal.
Elas pediram cada uma um prato, e os dois estavam deliciosos apesar de imensos. Nem uma das duas conseguiu chegar ao final, e eu nao estava com fome entao só provei um pouquinho de cada. ^^
A Giovanna trabalha aqui no restaurante de uma prima, claro, restaurante italiano, e lá pelas tantas a prima e uma amiga da prima também chegaram, e sentaram conosco, e conversamos até mais de onze horas, uma conversa descontraída como há muito eu nao tinha com desconhecidos.
A Roberta (a prima) mora em Hamburgo há muitos anos e fala italiano, inglês, alemao e espanhol, e um pouquinho-inho de português.
Ela me contou que é apaixonada por Bossa Nova, e que há muitos anos ela viu aqui (!!) em Hamburgo um show da Bebel Gilberto!!! Que ela tem todos os CDs e é superfä. Convidei ela pra assistir o Gilberto Gil comigo (vai ter Gilberto Gil aqui dia 20 de Julho!!) e ela super empolgou, mas infelizmente elas vao estar na Itália no dia... =/
Ela falou também de uma amiga que ela tinha que era italiana, casada com o cônsule do Brasil aqui, ou algo assim, e ele falava muito bem italiano, "mas com aquele lindo sotaque brasileiro, delicioso!"
Há! Achei lindo, ela toda apaixonada pelo meu país e pelo meu idioma, e pela música quase esquecida pela grande maioria no Brasil... É por essas e por muitas outras que eu volto, sim, eu volto.
\o/
A aula seguiu seu curso de sempre e eu nao me orgulho de dizer que apesar de nao ter estudado absolutamente nada nos últimos cinco dias, eu me saí muito bem. E na saída fomos eu, Manola e Givanna (as duas italianas) procurar um lugar legal pra elas matarem o que as matava. Entramos num lugar pertinho da estacao, que chama (fala como lê) "Omas Apotheke", farmácia da Vovó, que de farmácia nao tem nada, mas enfim... É um restaurante antigo com decoracao curiosa. Uns objetos do século passado ou retrasado, e vários pôsteres de cosméticos do mesmo século dos objetos, provavelmente. Muito legal.
Elas pediram cada uma um prato, e os dois estavam deliciosos apesar de imensos. Nem uma das duas conseguiu chegar ao final, e eu nao estava com fome entao só provei um pouquinho de cada. ^^
A Giovanna trabalha aqui no restaurante de uma prima, claro, restaurante italiano, e lá pelas tantas a prima e uma amiga da prima também chegaram, e sentaram conosco, e conversamos até mais de onze horas, uma conversa descontraída como há muito eu nao tinha com desconhecidos.
A Roberta (a prima) mora em Hamburgo há muitos anos e fala italiano, inglês, alemao e espanhol, e um pouquinho-inho de português.
Ela me contou que é apaixonada por Bossa Nova, e que há muitos anos ela viu aqui (!!) em Hamburgo um show da Bebel Gilberto!!! Que ela tem todos os CDs e é superfä. Convidei ela pra assistir o Gilberto Gil comigo (vai ter Gilberto Gil aqui dia 20 de Julho!!) e ela super empolgou, mas infelizmente elas vao estar na Itália no dia... =/
Ela falou também de uma amiga que ela tinha que era italiana, casada com o cônsule do Brasil aqui, ou algo assim, e ele falava muito bem italiano, "mas com aquele lindo sotaque brasileiro, delicioso!"
Há! Achei lindo, ela toda apaixonada pelo meu país e pelo meu idioma, e pela música quase esquecida pela grande maioria no Brasil... É por essas e por muitas outras que eu volto, sim, eu volto.
\o/
quarta-feira, 24 de junho de 2009
24x (ou A história das Caixas)
Acordei com o celular vibrando uma nova mensagem de texto: "Bom dia, Aniversariante! Acabei de entrar no Ahrensburg que sai 7h55. =D". Olhei no relógio: 7:51. Bom, tenho uns 20 minutos. Levantei, lavei o rosto, arrumei o cabelo que tinha dormido preso, esquecido, de tao cansada que eu tava. Calcei a pantufa e fui fazer um café. Na cozinha estava o Willi lavando alguma coisa na pia, que nao prestei atencao. Eu me encostei no balcao, sonolenta, e gruni um bom dia em inglês, ao que ele se virou e perguntou "tired?", e eu gruni um "uhum", e deitei minha cabeca no meu braco apoiado. Eu nunca esperaria que ele lembrasse, porque ele nao lembrou do aniversário da Manuela, nem do dia das maes, nem de nenhum mês da Felia. Mas para a própria surpresa, ele falou "hey! It's your birthday today!" e eu "ja.....", meio descrente. Ele veio e me abracou uma abraco que eu nunca vou esquecer, porque a única e última vez que ele havia me abracado, tinha sido no dia 13 de Dezembro de 2008, quase exatos seis meses antes, quando fui recebida por eles no aeroporto.
Minutos depois chegou a Manuela. Em um braco, a Felia e seus olhos azuis. No outro braco, uma caixa enorme e linda, cheia de rosas estampadas. Ela disse: Eu tenho dois presentes, qual você quer? E eu ri e disse: quero esse aqui! E a abracei. Com ela já tenho tal intimidade.
Depois dei um beijinho na Felia e, claro, peguei a caixa com a boca aberta de espanto e de alegria. Ô caixa linda, meu Deus!! Linda.
A caixa linda estava quase vazia. (Sabiam que em alemao existe "quasi", palavra de igual significado e MUITO usada? Adoro ouvir!) Dentro eu encontrei: uma blusa da Felia, uma das primeiras que ela perdeu por crescer tao infelizmente rápido; um CD pirata, que o Willi gravou pra mim, um do Sting que eu ouvi no carro e amei; um outro CD que eles disseram ainda nao estar pronto; um desenho do Luca com "Herzliche Glückwünsche zum Geburtstag, Liebe Diana" escrito nele; um cartao com um texto IMENSO dentro, todo em alemao, que eles me fizeram ler na mesma hora.
Entre um parágrafo e outro, eu ia olhar na janela, pra ver se a minha visita já estava chegando. No segundo parágrafo eu a avistei.
Ela chegou de mochilao, dessa vez nao veio mancando, mas com o mesmo sorriso aliviado de me ver. Esperei por ela na porta de casa, porque lá fora estivesse muito frio e eu ainda estivesse de piajamas, e os alemaes nao gostam muito de ver pessoas de pijamas na rua, mesmo que seja em seus próprios jardins.
Super I! Minha super visita, super ajudante e super companhia de aniversário. =) Juntas nós fizemos o melhor e mais longo super aniversário da minha vida.
Mas, voltando ao cartao. A Inaê ficou na cozinha, de vez em quando trocando palavras em inglês com a Manuela, enquanto as duas me esperavam terminar de ler o texto infinito. Nao entendi uma palavra ou outra, mas à medida em que eu ia lendo, a água infinda que tem dentro do meu olho, guardadinha em algum lugar secreto, comecou a sair em rios, e nao parou até o dia seguinte.
Em todo o desenrolar desse dia e dos próximos, a única conclusao à qual qualquer espectador pode chegar é: eu tenho MUITA sorte.
Uma família totalmente estranha me recebe em sua casa por um ano, com a condicao de eu nao baguncar muito a casa deles e cuidar da bebê recém-nascida. Em seis meses, eles me escrevem um cartao que resumidamente diz que eu faco parte da família como filha, irma, amiga, integrante avulsa que mora já no coracao de cada um. Coberta de elogios e de presentes (e de lágrimas), segui meu caminho quase nada tortuoso pelo meu aniversário. Eu e a Inaê tínhamos mais ou menos uma hora, antes da Manuela voltar com a Felia da ginástica para bebês. 20 minutos antes da hora acabar, decidimos dormir. Mas eu acabei só perdendo tempo, porque nem arrumei meu quarto, nem tomei banho, nem fiz nada que eu tinha que fazer, nem dormi. Só deitei e pensei e enrolei, até que elas chegaram e eu tive que cuidar da minha baby.
A Felia adorou a super I. E este fato me salvou a semana. Vááárias vezes ela cuidou da Felia pra mim enquanto eu fazia whatever. E nao foi só isso.
Vamos do início.
A Manuela chegou em casa, e logo depois entrou no meu quarto com uma caixa dos correios (brasileiros), dizendo "esqueci de te entregar...". Eu nao entendi nada. Na caixa estava meu nome, meus enderecos, daqui e do Brasil, o nome da Julia, e a caixa toda fechada com fita adesiva, assim, intacta. Impossível. Como assim? Eles combinaram? Era disso que o Felipe falava? Como chegou no dia certo? Mil perguntas voaram pela minha cabeca num centésimo de segundo, e ao invés de tentar achar a resposta simplesmente peguei a caixa e tentei abrir. Foi difícil. Ajuda da Manuela, ajuda da tesoura, ajuda da Inaê, ops, nao, ela tava filmando, mas pronto! Abriu.
Comecava com um bilhete que dizia "Feliz aniversário. Festa na caixa! Porque o 24 na Alemanha merece o... Kit Verao Europa 2009!"
Eu nao cabia em mim de felicidade. Imediatamente comecei a desarrumar os objetos organizadamente arrumadinhos e encaixadinhos na caixa enorme. Fui tirando e abrindo um por um. Duas caixas cheias de coisinhas, uma almofada, um chapéu, havaianas, um cd, uma revista, vários montinhos de fotos, envelopes, cartoes, um desenho da minha priminha. Eu nao sabia por onde comecar!!! Olhei rápido coisa por coisa, vi as fotos rápido, uma por uma, fui passando pra Manuela ver também, e fui colocando os aderecos, o chapéu na cabeca, as havaianas no pé, os brincos na orelha, tinham tantos! Pena que só tenho duas orelhas. E fui falando, nem sei o que eu tava falando, mas eu só falava e ria, e abria meus presentes, minha festa na caixa! Ai, que delícia. A Inaê filmou tudinho. Foi lindo!! Peguei logo o telefone e liguei pra minha casa no Brasil. "Vocês sao loucooos!!!!" Mal eu sabia que do outro lado estavam todos na sala, na expectativa, e comecaram logo a rir e a gritar, assim que eu liguei.
A história foi a seguinte: há um mês todos preparavam a surpresa, sapecas e serelepes, sem que eu de nada desconfiasse. Na noite anterior havíamos nos falado, à meia noite daqui, para eles me darem os parabéns, e eu nao tava esperando nada de nada, porque o Felipe tinha me falado de um presente que ele tava fazendo pra mim, e que já tinha mandado, mas eu nunca esperaria que fosse chegar no dia certo. E nem ninguém. Mas eles mandaram por SEDEX!!! E isso significa que já deveria ter chegado há pelo menos dois dias. E assim foi. Mas a Manuela recebeu, nao me disse nada e escondeu a caixa no sótao. No dia certo me entregou, fazendo um complô com o povo brasileiro sem que eles soubessem, mas agradando a todos de modo que assim que eu contei o que ela tinha feito, a mamae gritou lá do outro lado "Manuela, I love you!!", pena que a Manuela nao estava no meu quarto na hora. Hahaha...
Mas estavam todos numa agitacao e num medo de que a caixa tivesse se perdido no caminho. E quando eu digo todos, isso quer dizer a família inteira, incluindo tios, primos, avós, papagaios e periquitos. Todos só falavam nisso. A caixa já chegou? E a caixa? Tia Fernanda ligava a cada 10min querendo saber notícias da caixa, a caixa era um ser vivo, um ente querido numa viagem perigosa e ninguém parava de pensar nela, ninguém deixava ela partir em paz, tadinha.
E na mesma hora que a Julia me escrevia uma SMS dizendo pra eu ir no correio daqui ver se nao tinha nada pra mim, eu liguei!! Quer timing melhor que esse??
Nao lembro se eu liguei antes ou depois de ver e rever e ler e reler tudo, mas nao faltaram lágrimas. E a surpresa maior foi o cartao da Dona Dal, com a foto dela, que me fizeram chorar feliz e saudosa. Linda, ela.
Na sequência foram hoooooras no skype, falando com mae, com irmas, com amigos, com namorado, com pai, com boadrasta, com irmaos, com.. ufa. Só saí do telefone no fim da tarde, e corri pra me arrumar pro jantar que o Willi e a Manuela ofereceram para nós.
Claro, nas conversas rolou mais chororô, com a narrativa do cartao e do presente do povo daqui, e com a homenagem que meu pai fez, me oferecendo uma música country superbrega, (com direito a coreografia e tudo!), que me fez chorar às pampas e me faz ainda agora, só de lembrar...
Depois das conversas, o jantar. Fomos a um restaurante português, cuidadosamente calculado pra que eu pudesse falar português com os garcons, e assim eu fiz, principalmente na hora que eu e a super I vimos no cardápio um prato que chamava "Gamba". Nos olhamos desconfiadas, as duas pensando a mesma coisa: Eles comem Gambá???? Chamamos o garcom e eu perguntei: Sprechen Sie Portugiesisch? E ele respondeu: "Mas é claro, pois, sou português!" Com aquele sotaque bem conhecido de todos nós.
Ele explicou que Gambas sao camaroes, mas em tamanho maior. E ele nao conhecia o bicho que conhecemos por Gambá, e nao teve a paciência de ouvir a nossa explicacao de qual bicho seria, entao ficamos sem saber como os portugueses chamam Gambá em Portugal.
A comida nao estava a mais deliciosa do mundo, mas tivemos uma noite agradável. Na volta encontramos a Eva, a vó que ficou cuidando das criancas pra podermos sair, e dela ganhei uma caixa de biscoitos finos que comemos como sobremesa, junto com uma rodada de Baileys.
Depois do Baileys, do biscoito e do papo, lá vamos nós de volta ao skype. Estava rolando a festa de aniversário do papai (ele é do dia 10 e eu do dia 11), entao eu pude falar com o resto do outro lado da família - nao todos, mas valeu. Um pouco de alemao com tio Paulo Cunha (com direito a elogios à minha pronúncia, cof cof), os tios, o pai, os irmaos, o namorado, a boadrasta, ufa! Só depois que eu percebi que eles estavam só me enrolando, pra eu nao ir dormir e poder esperar a próxima surpresa...
E foi às duas da manha, quasi, que o presente número 263749240 saiu do forno. Poupando palavras, aí vai:
presente número 263749240 pradiana
Resumindo: eu tenho uma família de loucos (amigos inklusive) que armam um plano infalível friamente calculado, com todos os detalhes possíveis e imagináveis cuidadosamente pensados pra me fazer chorar. Mas eu nao chorei de tristeza por nao estar do lado deles, eu chorei de alegria por tê-los tao perto, mesmo tao longe, por ver o trabalho que eles todos tiveram, e a preocupacao de cada um em me fazer sentir assim, amada e vermisst (esqueci a palavra em português agora). (Olhei no dicionário - nao tem! =O) (significa que eles sentem minha falta.) E é por essas e outras que eu continuo a concluir, e acho que vocês também: eu sou muito sortuda, nao sou nao?
=D
AMO VOCÊS, família enorme de linda, e amigos-irmaos amados e lindos! Obrigada por TUDO!!!!! =)
Minutos depois chegou a Manuela. Em um braco, a Felia e seus olhos azuis. No outro braco, uma caixa enorme e linda, cheia de rosas estampadas. Ela disse: Eu tenho dois presentes, qual você quer? E eu ri e disse: quero esse aqui! E a abracei. Com ela já tenho tal intimidade.
Depois dei um beijinho na Felia e, claro, peguei a caixa com a boca aberta de espanto e de alegria. Ô caixa linda, meu Deus!! Linda.
A caixa linda estava quase vazia. (Sabiam que em alemao existe "quasi", palavra de igual significado e MUITO usada? Adoro ouvir!) Dentro eu encontrei: uma blusa da Felia, uma das primeiras que ela perdeu por crescer tao infelizmente rápido; um CD pirata, que o Willi gravou pra mim, um do Sting que eu ouvi no carro e amei; um outro CD que eles disseram ainda nao estar pronto; um desenho do Luca com "Herzliche Glückwünsche zum Geburtstag, Liebe Diana" escrito nele; um cartao com um texto IMENSO dentro, todo em alemao, que eles me fizeram ler na mesma hora.
Entre um parágrafo e outro, eu ia olhar na janela, pra ver se a minha visita já estava chegando. No segundo parágrafo eu a avistei.
Ela chegou de mochilao, dessa vez nao veio mancando, mas com o mesmo sorriso aliviado de me ver. Esperei por ela na porta de casa, porque lá fora estivesse muito frio e eu ainda estivesse de piajamas, e os alemaes nao gostam muito de ver pessoas de pijamas na rua, mesmo que seja em seus próprios jardins.
Super I! Minha super visita, super ajudante e super companhia de aniversário. =) Juntas nós fizemos o melhor e mais longo super aniversário da minha vida.
Mas, voltando ao cartao. A Inaê ficou na cozinha, de vez em quando trocando palavras em inglês com a Manuela, enquanto as duas me esperavam terminar de ler o texto infinito. Nao entendi uma palavra ou outra, mas à medida em que eu ia lendo, a água infinda que tem dentro do meu olho, guardadinha em algum lugar secreto, comecou a sair em rios, e nao parou até o dia seguinte.
Em todo o desenrolar desse dia e dos próximos, a única conclusao à qual qualquer espectador pode chegar é: eu tenho MUITA sorte.
Uma família totalmente estranha me recebe em sua casa por um ano, com a condicao de eu nao baguncar muito a casa deles e cuidar da bebê recém-nascida. Em seis meses, eles me escrevem um cartao que resumidamente diz que eu faco parte da família como filha, irma, amiga, integrante avulsa que mora já no coracao de cada um. Coberta de elogios e de presentes (e de lágrimas), segui meu caminho quase nada tortuoso pelo meu aniversário. Eu e a Inaê tínhamos mais ou menos uma hora, antes da Manuela voltar com a Felia da ginástica para bebês. 20 minutos antes da hora acabar, decidimos dormir. Mas eu acabei só perdendo tempo, porque nem arrumei meu quarto, nem tomei banho, nem fiz nada que eu tinha que fazer, nem dormi. Só deitei e pensei e enrolei, até que elas chegaram e eu tive que cuidar da minha baby.
A Felia adorou a super I. E este fato me salvou a semana. Vááárias vezes ela cuidou da Felia pra mim enquanto eu fazia whatever. E nao foi só isso.
Vamos do início.
A Manuela chegou em casa, e logo depois entrou no meu quarto com uma caixa dos correios (brasileiros), dizendo "esqueci de te entregar...". Eu nao entendi nada. Na caixa estava meu nome, meus enderecos, daqui e do Brasil, o nome da Julia, e a caixa toda fechada com fita adesiva, assim, intacta. Impossível. Como assim? Eles combinaram? Era disso que o Felipe falava? Como chegou no dia certo? Mil perguntas voaram pela minha cabeca num centésimo de segundo, e ao invés de tentar achar a resposta simplesmente peguei a caixa e tentei abrir. Foi difícil. Ajuda da Manuela, ajuda da tesoura, ajuda da Inaê, ops, nao, ela tava filmando, mas pronto! Abriu.
Comecava com um bilhete que dizia "Feliz aniversário. Festa na caixa! Porque o 24 na Alemanha merece o... Kit Verao Europa 2009!"
Eu nao cabia em mim de felicidade. Imediatamente comecei a desarrumar os objetos organizadamente arrumadinhos e encaixadinhos na caixa enorme. Fui tirando e abrindo um por um. Duas caixas cheias de coisinhas, uma almofada, um chapéu, havaianas, um cd, uma revista, vários montinhos de fotos, envelopes, cartoes, um desenho da minha priminha. Eu nao sabia por onde comecar!!! Olhei rápido coisa por coisa, vi as fotos rápido, uma por uma, fui passando pra Manuela ver também, e fui colocando os aderecos, o chapéu na cabeca, as havaianas no pé, os brincos na orelha, tinham tantos! Pena que só tenho duas orelhas. E fui falando, nem sei o que eu tava falando, mas eu só falava e ria, e abria meus presentes, minha festa na caixa! Ai, que delícia. A Inaê filmou tudinho. Foi lindo!! Peguei logo o telefone e liguei pra minha casa no Brasil. "Vocês sao loucooos!!!!" Mal eu sabia que do outro lado estavam todos na sala, na expectativa, e comecaram logo a rir e a gritar, assim que eu liguei.
A história foi a seguinte: há um mês todos preparavam a surpresa, sapecas e serelepes, sem que eu de nada desconfiasse. Na noite anterior havíamos nos falado, à meia noite daqui, para eles me darem os parabéns, e eu nao tava esperando nada de nada, porque o Felipe tinha me falado de um presente que ele tava fazendo pra mim, e que já tinha mandado, mas eu nunca esperaria que fosse chegar no dia certo. E nem ninguém. Mas eles mandaram por SEDEX!!! E isso significa que já deveria ter chegado há pelo menos dois dias. E assim foi. Mas a Manuela recebeu, nao me disse nada e escondeu a caixa no sótao. No dia certo me entregou, fazendo um complô com o povo brasileiro sem que eles soubessem, mas agradando a todos de modo que assim que eu contei o que ela tinha feito, a mamae gritou lá do outro lado "Manuela, I love you!!", pena que a Manuela nao estava no meu quarto na hora. Hahaha...
Mas estavam todos numa agitacao e num medo de que a caixa tivesse se perdido no caminho. E quando eu digo todos, isso quer dizer a família inteira, incluindo tios, primos, avós, papagaios e periquitos. Todos só falavam nisso. A caixa já chegou? E a caixa? Tia Fernanda ligava a cada 10min querendo saber notícias da caixa, a caixa era um ser vivo, um ente querido numa viagem perigosa e ninguém parava de pensar nela, ninguém deixava ela partir em paz, tadinha.
E na mesma hora que a Julia me escrevia uma SMS dizendo pra eu ir no correio daqui ver se nao tinha nada pra mim, eu liguei!! Quer timing melhor que esse??
Nao lembro se eu liguei antes ou depois de ver e rever e ler e reler tudo, mas nao faltaram lágrimas. E a surpresa maior foi o cartao da Dona Dal, com a foto dela, que me fizeram chorar feliz e saudosa. Linda, ela.
Na sequência foram hoooooras no skype, falando com mae, com irmas, com amigos, com namorado, com pai, com boadrasta, com irmaos, com.. ufa. Só saí do telefone no fim da tarde, e corri pra me arrumar pro jantar que o Willi e a Manuela ofereceram para nós.
Claro, nas conversas rolou mais chororô, com a narrativa do cartao e do presente do povo daqui, e com a homenagem que meu pai fez, me oferecendo uma música country superbrega, (com direito a coreografia e tudo!), que me fez chorar às pampas e me faz ainda agora, só de lembrar...
Depois das conversas, o jantar. Fomos a um restaurante português, cuidadosamente calculado pra que eu pudesse falar português com os garcons, e assim eu fiz, principalmente na hora que eu e a super I vimos no cardápio um prato que chamava "Gamba". Nos olhamos desconfiadas, as duas pensando a mesma coisa: Eles comem Gambá???? Chamamos o garcom e eu perguntei: Sprechen Sie Portugiesisch? E ele respondeu: "Mas é claro, pois, sou português!" Com aquele sotaque bem conhecido de todos nós.
Ele explicou que Gambas sao camaroes, mas em tamanho maior. E ele nao conhecia o bicho que conhecemos por Gambá, e nao teve a paciência de ouvir a nossa explicacao de qual bicho seria, entao ficamos sem saber como os portugueses chamam Gambá em Portugal.
A comida nao estava a mais deliciosa do mundo, mas tivemos uma noite agradável. Na volta encontramos a Eva, a vó que ficou cuidando das criancas pra podermos sair, e dela ganhei uma caixa de biscoitos finos que comemos como sobremesa, junto com uma rodada de Baileys.
Depois do Baileys, do biscoito e do papo, lá vamos nós de volta ao skype. Estava rolando a festa de aniversário do papai (ele é do dia 10 e eu do dia 11), entao eu pude falar com o resto do outro lado da família - nao todos, mas valeu. Um pouco de alemao com tio Paulo Cunha (com direito a elogios à minha pronúncia, cof cof), os tios, o pai, os irmaos, o namorado, a boadrasta, ufa! Só depois que eu percebi que eles estavam só me enrolando, pra eu nao ir dormir e poder esperar a próxima surpresa...
E foi às duas da manha, quasi, que o presente número 263749240 saiu do forno. Poupando palavras, aí vai:
presente número 263749240 pradiana
Resumindo: eu tenho uma família de loucos (amigos inklusive) que armam um plano infalível friamente calculado, com todos os detalhes possíveis e imagináveis cuidadosamente pensados pra me fazer chorar. Mas eu nao chorei de tristeza por nao estar do lado deles, eu chorei de alegria por tê-los tao perto, mesmo tao longe, por ver o trabalho que eles todos tiveram, e a preocupacao de cada um em me fazer sentir assim, amada e vermisst (esqueci a palavra em português agora). (Olhei no dicionário - nao tem! =O) (significa que eles sentem minha falta.) E é por essas e outras que eu continuo a concluir, e acho que vocês também: eu sou muito sortuda, nao sou nao?
=D
AMO VOCÊS, família enorme de linda, e amigos-irmaos amados e lindos! Obrigada por TUDO!!!!! =)
sábado, 6 de junho de 2009
Dirty talk.
Hamburgo tem um sistema de incentivo à cidadania muito interessante. Coisas pequenas, como nao ocupar assento no ônibus com sua bolsa, nao ouvir música alta no celular enquanto anda de metrô, nao deixar lixo por lá, porque nao tem necessidade mesmo, já que a cada cinco metros tem uma lixeira... Coisas assim sao incentivadas através de plaquinhas divertidas, como uma foto de uma casca de banana onde se lê, como num bilhetinho: "Vergiss' mich nicht! Dein Müll." ("Nao me esqueca! Ass: seu lixo."), ou uma foto de um pacote de chocolate vazio, e no papel está escrito "Nimm mich mit! Dein Müll." ("Me leve com você! Ass: seu lixo.") Esse tipo de coisa. Nos metrôs é possível se ver plaquinhas com versinhos rimando, do tipo "Alle Taschen haben's bequem. Außer Marlen, die muss stehen!" ("Todas as bolsas estao confortáveis. Menos a Marlen, que precisa ficar em pé!"), e por aí vai...
E com as lixeiras a coisa é ainda mais divertida. Cada lixeira (nao todas, mas a maioria) na rua fala alguma coisa engracada, com trocadilhos com a língua, do tipo "Mal sehen, was mir abfällt." ("Vamos ver o que eu vou ganhar com isso". - Abfall significa lixo, detritos, restos, sucata... E fallen - no caso conjugado, fällt, significa cai. Mas abfallen significa render!) Tipo de frase que fica intraduzível para o português, sem a perda da piada. Dentre outras, que podem ser traduzíveis: "Mache schmutzige Geschäfte." ("Faco negócios sujos.")...
E foram essas coisinhas que eu resolvi colecionar, tanto pra mostrar pra vocês, como para ter no futuro, e quem sabe pra fazer isso algum dia também! =)
Coloquei as fotos nesse link!
Lixeiras Falantes
PS: Tentei traduzir as falas, mas nem todas foi possível. Falantes de alemao, me ajudem! =P
E com as lixeiras a coisa é ainda mais divertida. Cada lixeira (nao todas, mas a maioria) na rua fala alguma coisa engracada, com trocadilhos com a língua, do tipo "Mal sehen, was mir abfällt." ("Vamos ver o que eu vou ganhar com isso". - Abfall significa lixo, detritos, restos, sucata... E fallen - no caso conjugado, fällt, significa cai. Mas abfallen significa render!) Tipo de frase que fica intraduzível para o português, sem a perda da piada. Dentre outras, que podem ser traduzíveis: "Mache schmutzige Geschäfte." ("Faco negócios sujos.")...
E foram essas coisinhas que eu resolvi colecionar, tanto pra mostrar pra vocês, como para ter no futuro, e quem sabe pra fazer isso algum dia também! =)
Coloquei as fotos nesse link!
Lixeiras Falantes
PS: Tentei traduzir as falas, mas nem todas foi possível. Falantes de alemao, me ajudem! =P
Assinar:
Postagens (Atom)







