terça-feira, 26 de julho de 2011

Sobre fins e desejos realizados.

Alemão e inglês podem ser bem parecidos. Atenção: eu disse podem, e não são. "Possibilidade", por exemplo. Em inglês, "possibility". Em alemão, "Möglichkeit". Uma daquelas palavras que quem não sabe nada de alemão precisa ouvir antes de falar.
Mas "fim", por exemplo, palavra latina super parecida com suas correspondentes em tantas línguas, em inglês é "end". Em alemão, "Ende".
Voces sabem o nome do autor do livro (que inspirou o filme) "A História sem Fim"? Um autor alemão chamado Michael Ende.
Ele escreveu inúmeros outros livros, os quais eu sempre quis ler e nunca os encontrei. Mas na terça-feira (ou quarta?) eu visitei uma biblioteca infanto-juvenil em Munique (a maior do mundo!), e eles não só tinham todos os exemplares como tinham uma sala onde se encontra o "Michael Ende Museum". No final da visita, ganhei um livro dele de presente. E quando fui à livraria tentar comprar (todos?) os outros, só encontrei "A História sem Fim"....
Bom, ontem no curso eu ganhei uma mini-apostila com 44 perguntas que o Michael Ende faz aos leitores em um de seus livros. Uma delas pergunta algo como "você já reparou como cada pessoa tem, ao longo de sua vida, no mínimo três desejos realizados por uma bondosa fada?"
Achei a idéia mó legal.
Bom, hoje fizemos um Workshop com uma professora de teatro, foi bem interessante. Tô meio sensível hoje, todas as atividades que fizemos me fizeram chorar, e foi bem difícil controlar/esconder.
Depois que o Workshop acabou (umas 17h) fomos (algumas pessoas do grupo) para um café vienense, e eu fiquei por lá, no café, mesmo quando os outros foram embora. Às 19h30 teríamos que voltar ao teatro, e o combinado era que o Doug e o Anthony voltariam em tempo de me buscar. Mas lá pelas 18h45 eu resolvi que queria me perder um pouco pela cidade (estávamos bem no centro, na parte mais bonita de Munique, e o sol brilhava, o que não acontece todo dia). E então mandei uma SMS para o Doug avisando.
Bom, pelo visto a fada que o Michael Ende mencionou não entende nada de metáforas. Meu desejo foi atendido, me perdi de verdade e cheguei meia hora atrasada onde deveria chegar. =P~

München, 21/07/11


Na Biblioteca Infanto-Juvenil.

No café vienense

Diferenças entre o alemão falado na Áustria e o falado na Alemanha.


domingo, 17 de julho de 2011

Niedebayern: assim se chama essa parte da Alemanha, onde a Marlies mora. É na Bavária, bem no sul, e ela mora numa cidade a duas horas de Munique (com o trem), chamada Landshut. E o mais incrível é que ela nao mora no centro de Landshut, mas tipo mais uma hora de carro, em alemao se diz "auf dem Land", quer dizer, nao na cidade. Tem gente que traduz como interior, mas só porque nao tem traducao melhor. Basta de dizer que aqui é a Alemanha e onde a Marlies mora nao pega celular. Nenhum.
Gente, aqui é IN-CRÍ-VEL. A Marlies e o Lorenz simplesmente moram numa casa que era uma ESCOLA. A casa tem 14 quartos, se eu entendi o número direito. É gigantesca, tem um jardim divino lá fora, cheio de flores lindas, com uma pereira (primeira vez que vejo uma pereira - e ainda cheia de peras!!!) e uma fonte, e um sol lindo com céu azul durante o dia e velas espalhadas pelo jardim e uma lua cheia durante a noite. Uma coisa assim, quase indescritível, de tantos adjetivos que eu ia precisar pra descrever.
Hoje fomos fazer picnic num lago mais ou menos perto daqui. Lá tem ski aquático, e todo mundo senta (na grama) ao sol, e toma banho, e faz picnic. É lindo!!!
Estamos eu, Raquel, Maya e Maria, uma quase-filha da Marlies (oh mulher pra ter quase-filhos espalhados pelo mundo!!!) que mora em Munique e que ela nao via há mais de 10 anos. Nós quatro somos as visitas, e ainda tem o Mathias, filho da Marlies e do Lorenz, que também passou o dia conosco. No picnic também tinham o Uwe e a esposa dele, cujo nome não tô lembrando... O Uwe foi com o Lorenz de bicicleta para o lago, eles demoraram mais ou menos umas três horas pra chegar lá, eu acho. Chegando lá, o Uwe atravessou o lago inteiro nadando e voltou (o lago é enorme). Aí, enquanto nós comíamos tomate, queijo, päo, salada com um tipo de cogumelo tipico daqui essa época e melancia, ele comeu... duas maçãs. =O

Depois coloco as fotos!


domingo, 10 de julho de 2011

Ostsee

Sol forte, pras medidas da Alemanha. Vento não-tão-forte, pras medidas das praias da Alemanha. Muitas pessoas peladas, muitas cestas-cadeiras coloridas, muitas, muitas pedras sortidas na areia, muitos carros no estacionamento e muitas pessoas, adultos, velhinhos e crianças curtindo o tempo bom, o sol quentinho, coisa rara nesse verão...
Água super gelada, águas-vivas que não queimam, barcos à vela, já mencionei as pessoas peladas? Pois é. Um frescobol com bolas e raquetes pequeninas, uma Diana super gripada e... ah, e silêncio. Muito silêncio.

Coisas que só se vê aqui.


















sábado, 9 de julho de 2011

Rad fahren

Finalmente eu consegui fazer o caminho de bicicleta de Rahsltedt até o Alster. Rahlstedt é o bairro onde eu morei e Alster é o lago que fica no centro de Hamburgo. Tem um caminho que só dá pra fazer de bike, que passa por parques lindos e segue um riozinho que dá todo o charme pro caminho. Dura mais ou menos uma hora e meia, e nós fizemos em duas horas, considerando que paramos por meia hora no Spielplatz (que é como chamam aqueles espaços com brinquedos, tipo uma pracinha) pra Felia não morrer de tédio. =D
A Flávia foi uma ótima guia, e eu estraguei tudo tentando chegar na parte do Alster que eu já conhecia, mas que não sabia como chegar de bicicleta. =P
Quando deu umas duas da tarde, resolvemos nos render e admitir que estávamos perdidas. Então sentamos no primeiro restaurante que apareceu pela frente e almoçamos. A Manuela pegou a Felia de carro e nós duas continuamos o caminho de bicicleta (carregando as bicicletas escada acima e abaixo de uma estação de metrô pra outra, claro.)
Graças ao maravilhoo transporte público bem mapeado de Hamburgo, conseguimos nos achar rapidinho, e passamos maravilhosos 15 minutos deitadas na grama do meu bom e velho Alsterpark, que já acomodou tantos picnics com tantas visitas ilustres.
Infelizmente tivemos que sair de lá correndo, pois lembramos que só se pode levar bicicleta no metrô até as 16h, e depois das 18h. Já eram mais de 15h40, mas depois de uma pedalada radical, de uma Diana arfando no metrô pra Farmsen e de mais uma pedalada radical rumo a Rahlstedt, chegamos em casa às 17h ou antes, a tempo de ir com a Familie pro Grossensee (de carro, é logico) curtir um pôr-do-sol divino em frente ao lago, jantando e conversando (e pegando um bronze num lado só do rosto) até o sol quase sumir, ou seja, lá pelas dez da noite.
É bem estranho esse negócio de chegar numa cidade que tem sol até tão tarde. Apesar de ser ótimo, é bem confuso e eu sempre acho que é mais cedo do que realmente é, o que resulta numa grande frustração quando eu planejo sair às nove e voltar à meia-noite. Hoje eu estava com esse plano na cabeça. Mas enquanto sentávamos no jardim depois do jantar e falávamos sobre a viagem deles pro Brasil ano que vem, disse à Flávia que sairíamos em uma hora, mas que não íamos demorar muito, eu queria voltar uma meia-noite pra casa. Mas nesse momento, quando olhei pro relógio, faltavam cinco minutos pras onze horas.

Então, aí vão pouquíssimas fotos do passeio de bicicleta. Primeiro lotou o cartão de memória e depois acabou a bateria. Fiz algumas fotos na câmera da Fla, e até filmei, mas é muito complicado reaprender a andar de bike e filmar/fotografar ao mesmo tempo, e eu parei depois que me machuquei de verdade. =P

As maiores lembranças que ficam desse dia são: o machucado onde eu me machuquei de verdade, a dor no bumbum de tanto sentar naquele assento masculino super desconfortável da bike do Willi, e a dor de garganta por não ter protegido meu pescoço enquanto pegava aquele vento um pouco fresco demais do verão europeu. =)

Aguardem os vídeos!

Beijos
Di



segunda-feira, 13 de junho de 2011

Refazendo tudo... Refazenda...

meu primeiro deseninho no caderno artesanal que a Ju me deu de aniversário.
versão livre e de memória: perdoem os erros de escala, de física e de realidade. =P


segunda-feira, 23 de maio de 2011

Borboletas no Estômago



Borboletas são bem-vindas, ah como são... =) no início elas são super numerosas, com o tempo vão ficando mais tímidas, mais únicas... E depois de tantos anos, o simples fato de elas aparecerem já é uma surpresa. E como é bom...
Às vezes nem precisa de esforço algum. Aquele momento que eu tô sentada na cama, estudando, de pijama, e ele no computador trabalhando, concentrado... Aí a gente se olha e percebe que já temos uma vida juntos. Um sorriso mútuo, em silêncio, e lá vêm elas. É bom.. =)


http://buguelaeosonhofeio.blogspot.com/2011/05/as-borboletas-sao-bem-vindas.html



PS: E isso me lembra...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ei! Psiu!

"Ei! psiu!", ouvi quando caminhava pela rua, rumo à parada de ônibus. Não costumo olhar quando fazem psiu, mais por achar que quem faz psiu e fiu fiu pra mulher na rua não espera de fato ser correspondido, do que por metidisse ou coisa do gênero. Mas quem chamava era uma mulher, então olhei pra verificar quem era. Uma desconhecida, se protegendo da chuva torrencial embaixo do toldo no portão da escola que tem na minha rua. Ela sorriu quando eu olhei e chamou de novo. "Ei! psiu! Dá uma carona?" Atravessei a rua para buscá-la. numa chuva tão grossa, nem meu guarda-chuva "tenda" nos impedia de ficar encharcadas da cintura pra baixo, mas já era melhor que nada. Deixei minha carona na porta do lugar a que se dirigia, e apesar de termos conversado um pouco, foi mais sobre a chuva, o trânsito e os guarda-chuvas, sem nos perguntamos nomes, nem profissões, nem estado civil nem nada. Ao chegar ao "destino" nos despedimos com "Obrigada" e "de nada" e eu ouvi um sincero "Deus te abençoe" que me fez sorrir.

Hoje à tarde, novamente a caminho da parada de ônibus, me escondia novamente da chuva torrencial debaixo de uma "tenda" que, por mais que tentasse, não conseguia impedir que eu ficasse encharcada da cintura pra baixo. Pensava na cena vivida há pelo menos uma semana, e pensava em descrevê-la no blog... Foi quando vi um senhor parado embaixo de um toldo, segurando duas panelas e com cara de quem planeja sair na chuva sem se molhar. Parei e ofereci: quer uma carona?

Foi assim que o levei sequinho da cintura pra cima, por nada menos que dez metros de distância, e de quebra fui abençoada pela segunda vez em poucos dias.

Em terra onde chuva torrencial é ritual diário, nada melhor que caronas gratuitas e gentilezas entre desconhecidos. Não duvide, Deus abençoa. :)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

sobre a propagação do som

"Eu vou beber hoje, amanhã, depois e depois."

O moço na vila do lado do meu prédio não precisava berrar, eu o estaria escutando assim mesmo, como se falasse comigo olho no olho. Ao som de mpb, sambas antigos e rock nacional, ele bate palmas e canta alto, divertindo-se com os amigos no pátio de casa. Da casa dele, claro. Só que as leis da física, como em todos os fins de semana, não estão a meu favor. Os sons da música, das vozes e das palmas (irritantes) são expulsos para fora da caixa acústica que forma o pátio da casa, rebatem no muro em frente à casa (o mesmo que separa a vila das dependências do meu prédio) e sobem, claros, vindo parar em todos os cômodos do meu apartamento. Óbvio que o percurso oposto o som não segue, de modo que não posso nem reclamar... Eu usei de todos os artifícios que conheço. Apesar de ter faltado luz e de não ter como ligar ar condicionado ou ventilador, fechei as janelas, determinada a trocar o vento fresco da noite por um pouco de silêncio. Não deu. Tapei os ouvidos com travesseiro, com algodão, tentei abstrair, tudo, e nem o Yan Tiersen ajudou a dormir. O que eu faço? Já são quase duas, ainda é 5a feira, e o vizinho prometeu que vai beber hoje, amanhã, depois e depois.

É...

Nada de descanso pra Diana nesse feriado...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Curso: Como manter sua escova impecável no inverno de Belém do Pará.

  • Indispensavelmente, tenha sempre na bolsa:

- um guarda-chuva daqueles gigantes

- uma piranha

- um elástico de cabelo

(a piranha caso o elástico arrebente, o elástico caso a piranha quebre)

- um saco de supermercado


  • Você está no ônibus, sequinha da silva, e cai aquele toró do lado de fora da janela. Você está sem guarda-chuva, nem capa de chuva, nem nada. O que você faz?


a) Fica dando voltas com o ônibus até a chuva passar.

b) Pede gentilmente para o motorista que pare o ônibus bem na frente de um toldo, onde você vai esperar a chuva passar.

c) Dá uma espiada nas pessoas que vão descer na mesma parada que você. Uma delas deve estar de guarda-chuva e pode ser que te dê uma "carona"...

d) Nenhuma das opções anteriores.


Resposta:


  • Se você esqueceu o guarda-chuva, mas lembrou de levar o elástico/piranha e o saco de supermercado, sua resposta é a (d).

O procedimento é o seguinte: enrole o cabelo num pitó bem apertado. Assim a chance de molhar os fios diminui consideravelmente.

Treine colocar o saco na cabeça de modo a cobrir todo o cabelo, como se fosse a touca usada para banho. Tire o saco e coloque novamente várias vezes, para que não corra riscos de algo sair errado. Espere a hora de descer pela porta do ônibus para colocar o saco definitivamente. Tire-o na hora que chegar em um local seco, para que o mico não seja ainda maior do que já é. Provavelmente outros locais molhantes surgirão, então mantenha seu saco (agora molhado, cuidado!) à mão para eventualidades.


  • Se você só lembrou do elástico ou da piranha, sua opção é a (c). O procedimento, no entanto, é deixar para amarrar o pitó somente depois de ter conseguido a carona. Afinal, com os cabelos escovados soltos e esvoaçantes, você terá mais chance de conquistar um "caroneiro".


  • Se você não lembrou de nenhum dos itens indispensáveis, lhe resta jogar o charme dos cabelos soltos escovados para o motorista (b). Se o ônibus for do tipo com a roleta na parte da frente, fica um pouco mais difícil para ele olhar para você. De modo que o ideal será esperar um sinal vermelho ou uma parada mais longa para falar com ele.


  • Se ele negar o favor, lhe resta somente a opção (a). Mas, convenhamos, se você saiu de casa só para dar voltas de ônibus e se atrasar ou mesmo perder todos os seus compromissos (porque a chuva no inverno de Belém do Pará pode causar essa fatalidade), por favor, economize seu dinheiro e seu tempo e fique em casa. Afinal, quando chove, todas as janelas do ônibus ficam fechadas e lá dentro faz um calor danado. E para uma escova no cabelo, suar é ainda pior que pegar chuva, porque ataca direto as raízes africanas.


Por isso não se esqueça. Na falta de um guarda-chuva (que deve ser aberto mesmo quando está só respingando fininho e ninguém mais está de guarda-chuva aberto), (e tem que ser dos bem grandes, pois os pequenos deixam respingar no cabelo), tenha sempre um bom saco de supermercado à mão, junto com o elástico de cabelo e a piranha de reserva. E, claro, prepare-se psicologicamente para a pagação geral de mico: na universidade, na rua da sua casa, na porta do trabalho... Quem se importa, né?


Lembre-se: it's all about looking good!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Samson - Regina Spektor

You are my sweetest downfall
I loved you first
I loved you first
Beneath the sheets of paper lies my truth
I have to go
I have to go
Your hair was long when we first met

Samson went back to bed
Not much hair left on his head
Ate a slice of wonder bread and
Went right back to bed
And the history books forgot about us
And the bible didn't mention us
And the bible didn't mention us
Not even once

You are my sweetest downfall
I loved you first
I loved you first
Beneath the stars
came falling on our heads
But they're just old light
they're just old light
Your hair was long when we first met

Samson came to my bed
Told me that my hair was red
Told me I was beautiful and
Came into my bed
Oh I cut his hair myself one night
A pair of dull scissors in the yellow light
And he told me that I'd done alright
And kissed me till the morning light
the morning light
And kissed me till the morning light


Samson went back to bed
Not much hair left on his head
Ate a slice of wonder bread and
Went right back to bed
Oh we couldn't bring the columns down
Yeah we couldn't destroy a single one
And the history books forgot about us
And the bible didn't mention us
Not even once

You are my sweetest downfall


I loved you first


http://www.youtube.com/watch?v=p62rfWxs6a8

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2011


repleto de luz, de transparência, de abraços, de sorrisos, de amor, de paz, de alegria e de muitas realizações!!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Sobre o que fazer quando não se sabe o que fazer.


E se um dia eu sabia o que queria e a pergunta era "O que eu faço agora?", era quase sempre no sentido de "o que preciso fazer agora para conseguir o que quero?". Hoje a pergunta é a mesma, mas num sentido um tanto diferente...
`Perguntei a mim mesma um "What's next" em voz alta, ao que o Felipe respondeu que (como diria nosso mais novo amigo suiço) não devia me preocupar com o futuro, pois o que importa mesmo é o presente.
Ué, mas eu preciso saber o que eu quero do futuro, pra saber o que eu faço do meu presente! Não é? Então fica a pergunta...
O que eu faço agora?







PS: Depois de escrever o texto aproveitei o clima de "reveillón em breve" para fazer a famosa lista de "resoluções para o ano de 2011". Um bom começo para começar a responder a pergunta que fica, eu acho.

A verdade de cada um.

A única verdade verdadeira é aquela que é compartlihada.
O casal mora separado, não cada um numa casa, mas cada um numa cidade. Ainda assim são um casal, e ela sempre o visita. Ele o visita menos, porque ele mora sozinho e ela, não. Um dia ele foi para a cidade dela, eles tinham combinado de ficar num hotel. Escolheram o lugar, acertaram data, horário e cardápio, tudo certo. Chegaram no tal hotel, lotado. Eles não tinham feito reserva!
Para ela era lógico que ele faria a reserva, ele que era o viajante, ele quem iria pagar...
Para ele era óbvio que ela faria a reserva, pois não ficava o hotel na cidade dela? Ela só precisava fazer uma chamada local. Ele, que trabalhava o dia inteiro e tinha tanta coisa na cabeça, ainda tinha que lembrar de ligar interurbano do celular e fazer reserva de hotal?? Óbvio que não.
E assim, o que era lógico pra ela e o que era óbvio pra ele eram duas coisas bem diferentes. Ficaram os dois sem reserva, sem quarto, sem hotel, todos os hotéis da cidade resolveram lotar naquele dia. Restou-lhes um único cafofo fedendo a cigarro num hotelzinho velhinho de beira de estrada...
Porque a verdade é relativa, mais relativa que o tempo, que nem existe... A verdade minha e a verdade tua só podem ser a verdade nossa quando expressamos cada uma em alto e bom tom, mesmo que ela venha por vezes atravessando a garganta seca e os olhos úmidos... Só assim, doída, mas falada, podemos ter a certeza de conhecer uma só verdade - a verdade verdadeira, porque comum.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cenas Improváveis

1
Três rapazes vêm rebolando pela calçada. Uma mãe sentada na parada de ônibus olha para a filha de 11 anos rindo, e diz "olha quem vem aí". Parece que conhecem os rapazes. Eles passam falando de babados fortíssimos. A filha só observa. A mãe olha e ri em tom de deboche, e balança a cabeça para a moça que está sentada ao seu lado.
"Não é ser preconceituoso não, mas é esquisito", diz ela para a desconhecida.
"Dá até medo de ter filho homem...", responde a outra.
"e vice-versa, né, porque com mulher também acontece!"
"é mesmo.."
"Deus abençoe nossos filhos..."
E todas voltam a se preocupar com o ônibus que não chega nunca.


2
Como sempre, a menina entra no ônibus a caminho do trabalho, cumprimenta o motorista e então o cobrador, com um "boa tarde" animado. O cobrador não responde, e olha para a nota de vinte reais e a carteira de meia-passagem.
"Não tem trocado?"
"Não tenho..."
"Então a senhora vai ter que descer na próxima parada.", diz o cobrador, puxando a cordinha.
"O quê? Como assim?"
A próxima parada chega. Várias pessoas sobem no ônibus formando uma fila pra passar na roleta.
"Desça aqui, senhora."
"Mas moço, eu tenho que ir pro traba..."
"Desça, senhora." diz ele, apontando para a porta entupida de gente.
"...eu não sei quando o próximo vai pass..."
"Desça agora!"
O motorista quer arrancar, o cobrador chama, dizendo pra ele esperar.
"Desça agora, senhora."
"Eu tô esperando abrir espaço!" diz ela, quase chorando. "Licença, o moço tá com pressa."
As pessoas dão passagem pra ela descer do ônibus, ela nem viu se os rostos concordavam ou não com o ridículo/absurdo que acabara de ocorrer.



3
Um garotinho segurado pelas mãos brinca na escada da porta de saída do ônibus. A parada chega, a porta se abre, ele quase cai. A mãe que segurava as mãos dele apressa pra ele descer logo. O degrau é maior que as perninhas dele, e ele quase cai e ela quase cai junto.
"Filho da puta!" ela grita pra ele.
"Olha o Papai Noeeeel!" exclama o pequeno, olhando pra decoração na fachada do Shopping.





Não tenho como provar, mas tudo isso aconteceu mesmo.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Ufa.

Satisfeita ou não, finalmente a parafernália acabou.
Tava quase processando os nossos caros ($$) candidatos por poluição sonora.

=P




Não sei como é no resto do Brasil, mas aqui as eleições são sempre regadas a Brega. Todos os candidatos - TODOS MESMO - fazem um hit, geralmente com o ritmo paraense, e colocam carros de som e aparelhagens nas ruas para tocar as músicas que pregam na cabeça que nem chiclete. Comentando sobre isso com uma amiga alemã, lembrei que na Alemanha as eleições são calmas, com cartazes espalhados, geralmente sem fotos de ninguém, e sim com as propostas e os nomes e cores dos partidos como informação principal. É muito interessante que no Brasil vejamos de fato o rosto das pessoas, a coisa fica mais real. Mas como a minha amiga disse, enquanto passávamos por um trio elétrico de um candidato, com uma música nas alturas, "é um absurdo esse barulho geral durante o mês inteiro. Isso é, aliás, um motivo para eu NÃO votar em alguém."


Se fosse assim não sobrava ninguém. =/

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

a natureza última de uma simples gota d'água é a mesma do oceano

Peço desculpas por fazer perguntas pessoais. Não estou perguntando apenas por mim, mas por muitos. Quem é você e por que veio ao mundo?

Se essas perguntas são pessoais ou não, não faz diferença, porque, pra mim, a pessoa não existe. É impossível fazer perguntas pessoais, porque ninguém é uma pessoa. Na verdade, fazer perguntas pessoais não é presunção, mas presumir-se ser uma pessoa é que é presunção. [...] Na realidade, não há pessoas; melhor dizendo, há somente uma pessoa. Só de Deus pode-se dizer que tem uma personalidade, porque só Ele pode ter um centro.
Nós não temos centro. O centro em nós não existe, mas nós assumimos um centro. Esse centro assumido é o ego. O ego é hipotético, ilusório, mas sentimos que sem um centro a vida é impossível.
Assim sendo, você pensa que essas questões são pessoais, mas enquanto elas não são dirigidas a mim, são dirigidas a uma não-entidade. No que me diz respeito, não sinto de modo algum que sou uma pessoa. Quanto mais fundo se vai, menos se é, e quando alguém alcança o âmago supremo de si mesmo, não existe nenhum "eu".
Em segundo lugar, você pergunta quem sou eu. Eu lhe digo: "eu não sou". Estou sempre dizendo aos que buscam que perguntem a si mesmos: "Quem sou eu?", não para que venham a saber quem são, mas para que chegue um momento em que a pergunta seja feita tão intensamente, que o perguntador não esteja mais presente, e só a pergunta permaneça. Haverá um momento em que a questão será absolutamente tensa, tanto quanto pode ser. Então se revelará o seu absurdo. Você ficará sabendo que não há ninguém que possa perguntar "Quem sou eu?", nem a quem se possa perguntar: "Quem é você?" A pergunta não é feita para se obter uma resposta, mas sim para se transcender a própria questão.
[...]
Quando você pergunta: "Quem é você?", isso para mim significa "O que é?" Mas, por meu intermédio, você fez uma pergunta fundamental.
"O que é" não é "eu", mas o próprio ser, a própria existência. Quando se mergulha a fundo em uma única gota, encontra-se o oceano. Só na superfície a gota é apenas uma gota. Ela é a própria existência. Assim, a natureza última de uma simples gota d'água é a mesma do oceano. É oceânica. Somente na ignorância alguém é uma gota d'água. A partir do momento em que alguém sabe, sabe que é o próprio oceano.


Trecho retirado do primeiro capítulo do livro "Eu sou a Porta", do Guru indiano Bhagwan Shree Rajneesh.

domingo, 19 de setembro de 2010

Cartas na Mesa


Li ontem uma matéria sobre o Medo, na Vida Simples. Uma edição de 2009, porque há tantas ainda não lidas lá em casa, que de vez em quando eu pego uma antiga assim pra ficar com ela na bolsa durante a semana, e folhear sempre que tiver um tempinho. Ontem eu tive mais que um tempinho, porque meu vô tá no Hospital e eu fui lá ficar com ele, e enquanto ele via Tv eu não conseguia estudar, então abri a revista e li umas páginas. Uma entrevista com a esposa do Jimmy Page, que fundou uma Instituição de apoio a projetos que trabalham com crianças de rua no Brasil, inspirador! Dois parágrafos sobre reaproveitamento do cocô de alguns animais na fabricação de papel - um deles cheira a rosas! Muito divertido. =) Uma matéria linda sobre um francês que é pura arte, e que atravessou de ponta a ponta (oito vezes) uma corda bamba que ele ligou entre as duas torres gêmeas, décadas atrás. Belo...
E aí fui pra matéria da capa. "Enfrente seu Medo".
Por que escolhi especificamente essa revista, dentre todas as outras, para entrar na minha bolsa essa semana? O motivo foi bem simples, como o nome da revista. Eu estava com medo.
Há uns dias encontrei uma taróloga que tinha sido contratada para ler o futuro de todos os convidados da festa (aqueles que quisessem saber do futuro, claro...). Minha primeira reação foi "Deus me livre!"... Mas, depois de muito pensar, cheguei à conclusão de que, se não aproveitasse a chance de saber meu futuro "de grátis", ia me arrepender pra sempre. Então lá fomos nós, eu e mais todo mundo, colocar nossos nomes na lista de atendimento. Era gente que não acabava mais, coitadinha da cigana...
Lá pro fim da festa chegou a minha vez, e, ao contrário da previsão de todos os outros convidados, que depois de ouví-la vieram falar pra gente das fortunas que iriam ganhar, eu ouvi meu destino e preferi me calar. Não tinham fortunas... Algumas alegrias, até mesmo um final feliz, mas uma notícia iria me assombrar pro resto da semana.
Aí, pronto: medo instalado e um soco no estômago que não queria mais sair.
E dá-lhe a Diana andar na rua ouvindo e vendo tudo de novo, as cartas na mesa, os olhos profundos que me falavam das decepções que me aguardavam...
E nada adiantava gritar pra si mesma, "presente, Diana! Volta pro presente! Ele que tu tens, ele é que importa!"... O medo ainda estava lá.
Achei que a revista pudesse me ajudar. Mas só fui ter coragem de ler (lembrando que coragem nem sempre é o oposto de medo) depois que a angústia havia diminuído e eu já tinha caído em mim, e entendido que, na verdade, medo é inútil.
A reportagem, porém, me despertou reflexões interessantes. Por exemplo, que nossos medos não são como os instintos animais, que servem para a própria proteção contra o perigo que se revela nos sentidos. Nós sabemos que vamos morrer, e sabemos que ter medo da morte não faz com que nos livremos dela. Sabemos que podemos ser assaltados, e o medo do assalto faz com que fiquemos em casa, perdendo muitas coisas boas da vida e, ainda assim, que jamais estaremos 100% em segurança.
Mas uma frase da revista me fez dar um novo sentido, uma utilidade ao nosso medo. "Se hoje um dos nossos maiores medos é o de fracassar, é porque uma das nossas maiores buscas é o sucesso." É isso! Os medos servem para que reconheçamos os nossos próprios desejos, nossas vontades, que se escondem atrás deles. Conhece teus medos e vais saber o que procuras. Se tens medo de perder uma pessoa, é porque queres justamente o contrário (ou talvez porque não queres ficar sozinho...). Se tens medo de falar em público, de passar vergonha, de ser julgado, é porque te importas com o que os outros pensam, apesar dos teus maiores esforços em desmentir esse fato. Ao saber esses pequenos detalhes, esses desejos, por vezes defeitos, muitas vezes virtudes, podemos nos conhecer melhor e mudar o que estiver precisando de mudança.
E da mesma forma que o que achamos dificil revela o que a gente ainda não sabe, mas pode vir a saber se enfrentarmos a dificuldade, o medo revela o que ainda não temos, mas podemos vir a ter se enfrentarmos esse monstrengo que a gente, meio inconscientemente, só faz alimentar e acariciar, até que ele nos devora.
Quanto à espiadela no futuro, vá lá, eu tava com medo de saber o que viria, e com razão. Mas enfrentei o medo (ok, só porque a curiosidade venceu), espiei, e agora? Me resta aceitar. A Mitologia, a Literatura e mil filmes já falaram dos perigos que residem na tentativa de mudar o seu próprio destino. Mesmo o Espiritismo diz que somos nós mesmos que traçamos todo esse caminho, antes de nascer. Mas a verdade é que quando reencarnamos esquecemos de tudo, e nem o passado nem o futuro se deixam conhecer por inteiro, até que tenhamos uma consciência completa de nós mesmos e do mundo. Então, pra que se estressar? O presente é o mais perto que eu posso chegar da verdade, e dele depende tudo o que vem depois.
Basta aceitar o presente, e aceitar o presente de grego que o destino às vezes é, e aceitar as pessoas como são, e me aceitar como sou, com minhas vontades, minhas impefeições e todinhos os meus medos.

E por mais difícil que isso seja, não é impossível. E, como eu li na revista, "quem não tenta, não experimenta, já fracassou."

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

"Grande Ônibus Lotado" ou "Marex Ver-o-Peso"

Depois de um calor básico num ônibus com o dobro da quantidade normal de passageiros...

Cheguei do aeroporto. Deixei ela o mais perto possível do Avião - naquela linha que as pessoas sem cartão de embarque não podem ultrapassar. Uma moça falou do vôo 1874, mas na verdade era 1873, e a moça disse, "é, esse mesmo. Venham comigo. São vocês duas?" Bem que eu queria... Não, só ela. Aí eu me despedi, elas ultrapassaram a linha e eu fiquei olhando... Sabia que ela não ia olhar pra trás, porque não ia me ver acenando, então só vi ela se afastando até sumir. Disse pra ela me ligar quando entrasse no avião, mas não aguentei e liguei antes. Ela disse que a mulher não sacava das coisas, eu disse que ela falasse o que precisava, que disesse de que lado ela enxergava melhor, pros outros saberem, pra ela se sentir segura... Ela riu dizendo que sabia, que eu não me preocupasse. Ahan.. Fácil, fácil.
Fiquei um tempão na parada... Celular num bolso, dois reais no outro, um pacote de mentos na mão, sendo devorado em longos trinta minutos... Ela ligou "tô entrando no avião!" na hora que eu estava entrando no ônibus.
Foi ela que me deu os dois reais e o mentos, porque o papai, que foi deixar a gente lá, tinha que ir pro trabalho e só quem ficou fui eu. Até então eu tinha só o celular na mão e uma emoção contida porque o que eu tanto tinha sonhado, incentivado, dito, relaxa mãe, vai dar tudo certo! Agora ia acontecer. Minha irmã vai viajar sozinha, e eu que vou resolver tudo do embarque dela, não posso deixar nada passar, não posso esquecer nada, tudo tem que ser perfeito... "É o suficiente pra ti?", disse ela pegando o troco e me dando os dois reais. "É, só não posso pegar o ônibus errado." "Di, não vai pegar o ônibus errado, hein! É só pegar um que vá pra Almirante!". Hahaha... tão fofa.
Aí eu entrei no meu ônibus ao mesmo tempo que ela entrou no dela. O dela era o grande ônibus lotado, o meu era um Marex Ver-o-Peso que, tchum, virou numa ruazinha e entrou numa garagem, todos tinham que sair. Ai, e agora? Moço, todo mundo tem que descer? Sim. E eu tenho que pagar pra entrar no outro? Não. Menos mal. Tinham três, entrei num que já tava saindo e sentei na janela com sombra. Sorte.
Ou não.
Chegando no final da Dr. Freitas, naquele lugar que eu não sei nem identificar no Google Maps, e que são muito calos pra andar até em casa, o ônibus encostou e não saiu mais do lugar. Eu tranquila, olhando a paisagem que não se mexia, e quando dei por mim, só tinha eu e o cara do meu lado no ônibus. O cobrador e o motorista já tavam na rua, esperando pra dar o sinal pro próximo Marex que passasse.
Ai, meu Deus... Será possível? Bom, assaltada é que eu não vou ser. 15 centavos num bolso e um celular velho no outro, um par de havaianas arranhadas pela Cherrie, calça jeans suja de Cheetos e uma blusa do mágico de Oz bem suada por causa do sol das três da tarde...
Se me recusarem ônibus de graça, tenho um longo caminho pela frente, ou talvez uma longa espera por uma carona, ou pelo menos uma boa história pra contar.

E o ônibus dela, que horas será que ele chega?