Amanda: Desculpa a demora, tia, é que a gente trocou de sapatos.
Sofia (mostrando os pés): É, olha só!
(entram na sala desfilando)
Amanda: A gente vai trocar de volta quando chegar na casa da Sofia.
Sofia: É, a gente é melhor amiga, faz tudo juntas!
Amanda: É.
Sofia: Tia, sabia que a gente é amiga de infância?? A gente se conhece desde o Maternal!
Amanda (abaixada pegando caneta na mochila): NADA DISSO! A gente se conhece desde que a gente nasceu!
Sofia: Ah, é!! Desde que a gente nasceu!!
Tia: Ah, é? Tanto tempo assim?
Sofia: É, eu ia nascer, e aí a minha mãe ligou pra mãe dela, e elas foram juntas pro hospital e a gente nasceu juntas!
Amanda: Foi!
Sofia: É, eu conheço a Amanda desde que eu nasci.
Tia: Mas vocês lembram disso??
Amanda: Claro, a gente tem foto, tem vídeo...
Tia: Ah, tá, mas lembrar lembrar, nao, né... Vocês eram bebezinhos!
Sofia: Mas eu lembro sim, tia! Eu lembro direitinho de quando a gente nasceu!! Juntas!
Amanda: Eu também.
Minhas aluninhas de... 7 anos.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Edição de Colecionador
Tem gente que coleciona moedas antigas, outros colecionam selos, cartões-postais, alguns colecionam corações partidos. Eu coleciono placas. É. Placas. Eu amo placas... Foi com elas que eu aprendi a ler, me fascinavam (já aos 2 anos de idade) aquelas letras, aqueles símbolos, aqueles desenhos que desfilavam, passavam por mim quando andávamos de carro pela capital, e eu via pela janela aquelas placas-por-toda-parte, e me fascinavam. Até hoje vejo nelas um brilho, me saltam aos olhos, me chamam, parece que me contam seus segredos a toda hora. As de carro me permitem brincar com os significados escondidos, e volta e meia encontro alguém para me ajudar a desvendá-los. Desde que aprendi alemão ficou mais fácil encontrar palavras dirigindo por aí.
Tenho muitas. Lixeiras falantes, nomes de ruas, adesivos de carro, pára-choques de caminhão, pare, vire, cuidado com as renas, atenção: neve na pista, até uma bruxa voando eu já achei numa placa de trânsito. E as placas de carro marcam nos álbuns de viagem os lugares por onde eu passo. Tenho muitas, tantas! Letras e números, às vezes bandeiras. Um dia vou escrever uma frase com elas. Quem sabe um texto inteiro.
Algumas delas estão aqui.
Tenho muitas. Lixeiras falantes, nomes de ruas, adesivos de carro, pára-choques de caminhão, pare, vire, cuidado com as renas, atenção: neve na pista, até uma bruxa voando eu já achei numa placa de trânsito. E as placas de carro marcam nos álbuns de viagem os lugares por onde eu passo. Tenho muitas, tantas! Letras e números, às vezes bandeiras. Um dia vou escrever uma frase com elas. Quem sabe um texto inteiro.
Algumas delas estão aqui.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
"Diana não mora mais aqui."
Nova Iorque, flat no Bronx, seis da manhã. Um homem responde às perguntas impertinentes do agente da polícia sobre sua ex-namorada. Ela se mudou tem 11 meses, apesar de tantas horas de conversas e brigas na tentativa desesperada de salvar o amor de seis anos... Ele colabora sonolento, querendo que aquilo acabe logo. Preocupado e magoado, não quer deixar transparecer que secretamente ainda sente a falta dela... Casinha antiga num Vilarejo de Klagenfurt, Áustria. Portas e janelas fechadas, portão quebrado, jardim abandonado. "Diana não mora mais aqui", diz a vizinha encostada na porta entreaberta da casa ao lado se dirigindo ao carteiro confuso, que vê o sobrenome certo na caixa de correio de uma casa visivelmente vazia, e fica sem saber o que fazer com a correspondência destinada àquele endereço. Parece importante, um envelope gordo, mas sem remetente. A curiosidade o invade... "Diana não mora mais aqui." Do outro lado do telefone, a portuguesa explica para a voz de sotaque brasileiro que não, não sabe onde ela está, se foi sem deixar endereços ou roupas no armário. Fazia tempo que ninguém ligava atrás dela... Silêncio. Cortinas voando. Belém do Pará, num apartamento com vista para orelhões quebrados. Um grilo entra pela sacada e canta cri-cri-cri, na sala escura, cri-cri-cri, móveis cobertos, cri-cri-cri, tudo é poeira, cri-cri-cri, diz ele ao vento:
- Diana não mora mais aqui.
- Diana não mora mais aqui.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Com amor e alegria!


O que dizer de duas semanas e meia longe de casa, do namorado, do trabalho, do estudo e da suadeira de Belém do Pará?
Eu podia dizer muitas coisas, listar os poréns e ressaltar as vantagens, mas prefiro dizer simplesmente: foi perfeito.
Irmãos-amigos dos mais queridos completando as paisagens, a diversão e o descanso às vezes cansativo, mas sempre bem-vindo, que compõe qualquer viagem de Férias.
Obrigada, meus amores! =)))
=*muá
sexta-feira, 9 de julho de 2010
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Joga pro chão!
- Hum, toda arrumada, já vai pra farra, é?
- Vou, pra minha terapia semanal: bolero!
- Terapia, é?
- É! (batendo o pé) Jogar tudo pro chão!
Não lembro do diálogo, como ele foi de verdade, mas nunca esqueço das palavras da minha tia, a caminho da melhor terapia - dançar. "Jogar pro chão!" A tristeza, a raiva, a energia negativa, o stress, e até o cansaço: bate o pé no chão e joga tudo pra terra. Existe jeito melhor de se livrar de tudo isso?- Vou, pra minha terapia semanal: bolero!
- Terapia, é?
- É! (batendo o pé) Jogar tudo pro chão!

Acabei de chegar do show do Arraial do Pavulagem, que os alunos da Ufpa tiveram a felicidade de receber hoje à noite no estacionamento do Vadião. Carimbó, xote, reggae, quadrilha... Mas não tem jeito. O que ganha qualquer festa é aquele amontoado de gente na frente do palco, um imitando o outro, fazendo chegar lá na última fileira as coreografias ensaiadas lá na primeira. Todo mundo dançando junto, no mesmo passo, a batida irresistível daquela música essencialmente nortista, maravilhosamente contagiante...
Em um dos EIMEPs que participei, teve um dia uma dinâmica com músicas indígenas, e tudo que fazíamos era, em roda, acompanhar com os pés a batida da música tribal. A intenção era se conectar com a Terra e, assim, conectar-se conosco mesmos. Foi maravilhoso, vinte jovens em círculo batendo os pés em uníssono, vibrando na mesma energia e se conectando com o Planeta. Só quem já fez isso sabe como é indescritível. E no final, saímos em fila da sala, ainda batendo os pés no ritmo, e nos juntamos aos outros jovens das outras salas, e fizemos uma grande roda, todos juntos, jogando pro chão. Foi lindo!!
E depois de tanto bater pé dançando música indígena, de tanto levar a perna direita pra frente e pra trás dançando carimbó, brega, depois de tanto bater a perna direita e depois a esquerda, dois pra lá, dois pra cá, no xote, no forró, no bolero, e depois de tanto dançar as coreografias tribais do Arraial, (e mesmo quem não tá no meio, tá dançando, de tão contagiante e vibrante que esses ritmos são), a gente vai pra casa "breado", ensopado, encharcado, quebrado, moído, mas sorrindo - e leve, incrivelmente leve!
Agora me diz, isso lá acontece depois de dançar uma valsa?
quinta-feira, 3 de junho de 2010
sobre distâncias, amores e afins.
Muito já foi escrito sobre saudade. Sobre a dor da distância, sobre a dificuldade de se ter um namoro "virtual", ou pelo menos "não-presencial". Seja por causa de viagens, seja porque você deu o azar de se apaixonar loucamente por um cara que não mora na sua cidade, ou seja porque vocês já namoravam e ele foi embora - e nenhum dos dois conseguiu terminar.
Dói. E como dói.
Mas acho que pouco foi escrito sobre como manter um relacionamento assim. Falando com o Bê ontem - e me espocando de rir dentro do ônibus -, ele me pediu encarecidamente que eu revelasse a fórmula mágica que mantém relacionamentos à distância.
- Égua, me explica. Tu me dizes que depois de Europa, um ano na Alemanha, confusão, distância, vocês ainda estão juntos?
- Estamos!
- Meu Deus, se eu fosse pra Europa, eu... não sei, eu...
- Ficava solteiro?
- É! Não! Gente, como vocês aguentaram? Diana, isso não se faz! Tu não podes saber de uma coisa dessas e guardar ela só pra ti, tem que divulgar, tem que contar pra todo mundo! Que egoísmo esse teu, caramba!
- (gargalhando) Tá bom, Bê, eu te conto.
- Conta? Jura? Escreve um Best-seller pra mim?
- (chorando de rir) Best-seller! Hahahahaha! Tá eu escrevo. Mas eu vou colocar no blog, tá?
É, assim sendo, cá estou eu.
Mas parando agora pra pensar no que escrever, me dei conta de que eu não sei!! Me lembrando de quando eu viajei para fazer intercâmbio... A gente na verdade tinha pensado em terminar - sabe como é, um ano distantes, queríamos evitar a possibilidade de terminar por telefone... Aí ia ser eu na minha, ele na dele, eu lá e ele cá. E, claro, se falando todo dia, se dizendo "eu te amo", sentindo saudades e querendo tá perto. Isso não parece namoro pra vocês?
Então na última hora decidimos: vamos continuar namorando. Se algo acontecer, aconteceu. Mas se a nossa vontade é ficar juntos, que então fiquemos juntos.
Eu não vou dizer que foi fácil. Mesmo quando ele também foi pra Alemanha e ficamos separados por uma estrada de 800km em vez de por um Oceano inteiro... Foi horrível pra ele, quando ele ainda estava no Brasil, ouvir minhas histórias, ver fotos e perceber o mundo de pessoas que eu estava conhecendo, e saber que ele não era parte de nada daquilo, por mais que quiséssemos que fosse. E depois, foi muito tosco saber das baladas diárias que ele tinha na Universidade de Stuttgart, da liberdade dele dentro de uma casa de estudantes com vizinhas gostosas, das viagens sem mim porque eu tinha que ficar em casa e trabalhar.
E o jogo? Quem pegar estrangeiros, 1 ponto. Quem pegar estrangeiros raros, 10 pontos. Quem pegar Alemães em alemão, 3 pontos. Quem pegar brasileiros, 5 pontos negativos. Quem tiver namorada e pegar qualquer um deles, 50 pontos. =P
(Não lembro dos números, tô inventando.)
Pois é, era uma situação bem crítica. Mesmo morando no mesmo país, estávamos em momentos diferentes, e momentos diferentes é bem pior de segurar do que países diferentes.
Mas em momento algum deixamos de conversar sobre isso - conversas sinceras e às vezes turbulentas, mas sempre sinceras.
E no fim de cada conversa o que ficava claro era uma coisa só: nos amávamos, e isso que importava.
E apesar da saudade, das DR's, das lágrimas, das desconfianças e das confianças também, acho que a gente se saiu muito bem. =)
E eu creio que o mais fundamental pra que desse tudo certo, foi que ambos tinham plena certeza do amor que temos um pelo outro, e da vontade enorme de que continuasse dando certo.
E deu! Logo logo vamos completar 4 anos e meio de namoro (sendo tanto o aniversário de 3 anos, quanto o de 4 anos, "comemorado" pelo skype.). 4 anos e meio de cumplicidade, de respeito e de muita alegria!
Não é lindo?
Dói. E como dói.
Mas acho que pouco foi escrito sobre como manter um relacionamento assim. Falando com o Bê ontem - e me espocando de rir dentro do ônibus -, ele me pediu encarecidamente que eu revelasse a fórmula mágica que mantém relacionamentos à distância.
- Égua, me explica. Tu me dizes que depois de Europa, um ano na Alemanha, confusão, distância, vocês ainda estão juntos?
- Estamos!
- Meu Deus, se eu fosse pra Europa, eu... não sei, eu...
- Ficava solteiro?
- É! Não! Gente, como vocês aguentaram? Diana, isso não se faz! Tu não podes saber de uma coisa dessas e guardar ela só pra ti, tem que divulgar, tem que contar pra todo mundo! Que egoísmo esse teu, caramba!
- (gargalhando) Tá bom, Bê, eu te conto.
- Conta? Jura? Escreve um Best-seller pra mim?
- (chorando de rir) Best-seller! Hahahahaha! Tá eu escrevo. Mas eu vou colocar no blog, tá?
É, assim sendo, cá estou eu.
Mas parando agora pra pensar no que escrever, me dei conta de que eu não sei!! Me lembrando de quando eu viajei para fazer intercâmbio... A gente na verdade tinha pensado em terminar - sabe como é, um ano distantes, queríamos evitar a possibilidade de terminar por telefone... Aí ia ser eu na minha, ele na dele, eu lá e ele cá. E, claro, se falando todo dia, se dizendo "eu te amo", sentindo saudades e querendo tá perto. Isso não parece namoro pra vocês?
Então na última hora decidimos: vamos continuar namorando. Se algo acontecer, aconteceu. Mas se a nossa vontade é ficar juntos, que então fiquemos juntos.
Eu não vou dizer que foi fácil. Mesmo quando ele também foi pra Alemanha e ficamos separados por uma estrada de 800km em vez de por um Oceano inteiro... Foi horrível pra ele, quando ele ainda estava no Brasil, ouvir minhas histórias, ver fotos e perceber o mundo de pessoas que eu estava conhecendo, e saber que ele não era parte de nada daquilo, por mais que quiséssemos que fosse. E depois, foi muito tosco saber das baladas diárias que ele tinha na Universidade de Stuttgart, da liberdade dele dentro de uma casa de estudantes com vizinhas gostosas, das viagens sem mim porque eu tinha que ficar em casa e trabalhar.
E o jogo? Quem pegar estrangeiros, 1 ponto. Quem pegar estrangeiros raros, 10 pontos. Quem pegar Alemães em alemão, 3 pontos. Quem pegar brasileiros, 5 pontos negativos. Quem tiver namorada e pegar qualquer um deles, 50 pontos. =P
(Não lembro dos números, tô inventando.)
Pois é, era uma situação bem crítica. Mesmo morando no mesmo país, estávamos em momentos diferentes, e momentos diferentes é bem pior de segurar do que países diferentes.
Mas em momento algum deixamos de conversar sobre isso - conversas sinceras e às vezes turbulentas, mas sempre sinceras.
E no fim de cada conversa o que ficava claro era uma coisa só: nos amávamos, e isso que importava.
E apesar da saudade, das DR's, das lágrimas, das desconfianças e das confianças também, acho que a gente se saiu muito bem. =)
E eu creio que o mais fundamental pra que desse tudo certo, foi que ambos tinham plena certeza do amor que temos um pelo outro, e da vontade enorme de que continuasse dando certo.
E deu! Logo logo vamos completar 4 anos e meio de namoro (sendo tanto o aniversário de 3 anos, quanto o de 4 anos, "comemorado" pelo skype.). 4 anos e meio de cumplicidade, de respeito e de muita alegria!
Não é lindo?
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Mutirão de Novo!
Dia 16 de Maio, contamos com todos que tiverem interesse e boa vontade, para juntarem-se a nós no segundo Mutirão da 25 de Setembro!!
Vista sua camisa verde mais fuleira e venha fazer um exercício físico e ajudar o planeta e a nossa cidade. =D
Qualquer dúvida, envie um email para colorindosonhos@gmail.com ! Participe!
http://www.grupocolorindosonhos.blogspot.com
Vista sua camisa verde mais fuleira e venha fazer um exercício físico e ajudar o planeta e a nossa cidade. =D
Qualquer dúvida, envie um email para colorindosonhos@gmail.com ! Participe!
http://www.grupocolorindosonhos.blogspot.com
sábado, 1 de maio de 2010
Mutirão do Bem!
Muito obrigada a todos que vieram, que participaram das reuniões, que ajudaram com os preparativos e que mandaram boas energias pra que nosso mutirão desse certo!!! Vim aqui dar notícias de como foi (pra mim).
Escolhemos começar por um quarteirão compricado. Lá é depósito não oficial de lixo e entulho, e as pessoas jogam lixo ali com carroças, carrinhos etc, sem o menor pudor. Inclusive presenciamos uma bela cena dessas, e ficamos de mãos atadas, com o pensamento de que, se eles não jogarem ali, vão jogar em outro lugar igualmente péssimo. Acho que esse ponto deve ser anotado para que pensemos numa solução para o problema.
Bom, 1/8 da meta de 8 quadras foi cumprida. Aêêêê! =) Isso mesmo, passamos a manhã toda limpando uma quadra só - quase quatro horas de trabalho intenso. A avaliação que eu fiz foi: fizemos um ótimo trabalho, graças à nossa boa vontade e a ajuda divina dos lixeiros que nos acompanharam. Tiramos lixo que devia estar lá há meses, vimos coisas bem desagradáveis, mas no final a quadra que estava um LIXO, ficou um brinco, e eu fiquei bem feliz. Não só eu - moradores do prédio em frente à quadra nos observaram e um deles veio até conversar com a gente. A receptividade nas casas, pelo que eu ouvi, também foi muito boa, e arranjamos até um possível espaço de reunião. =)
A divulgação nas ruas foi a mais intensa: as nossas garotas-propaganda fizeram um ótimo trabalho nos sinais, com direito a cantadas e parabéns pela iniciativa. Percebi que, por menor que seja, terá uma repercussão e que conquistamos algumas pessoas para a causa, não sei quantas, podem ser poucas, mas cada pessoa produz 600g de lixo por dia, então toda ajuda é válida!
Bom, e se com 9 pessoas, o resultado foi positivo, imagina se tivermos mais gente! Então eu acho que agora é hora de divulgar bastante, levar pros centros espíritas, pros colegas da faculdade e pros familiares essa campanha que cansa, suja, arrasa com a gente, mas no final, depois de um banho e de um sono, eu respiro aliviada e feliz, pronta pra próxima. =)
céu azul: limpo na noite anterior pela chuva
que começou 10 da noite e terminou 5 da manhã. =) Papai do Céu sabe o que faz.
http://www.grupocolorindosonhos.blogspot.com
Escolhemos começar por um quarteirão compricado. Lá é depósito não oficial de lixo e entulho, e as pessoas jogam lixo ali com carroças, carrinhos etc, sem o menor pudor. Inclusive presenciamos uma bela cena dessas, e ficamos de mãos atadas, com o pensamento de que, se eles não jogarem ali, vão jogar em outro lugar igualmente péssimo. Acho que esse ponto deve ser anotado para que pensemos numa solução para o problema.
Bom, 1/8 da meta de 8 quadras foi cumprida. Aêêêê! =) Isso mesmo, passamos a manhã toda limpando uma quadra só - quase quatro horas de trabalho intenso. A avaliação que eu fiz foi: fizemos um ótimo trabalho, graças à nossa boa vontade e a ajuda divina dos lixeiros que nos acompanharam. Tiramos lixo que devia estar lá há meses, vimos coisas bem desagradáveis, mas no final a quadra que estava um LIXO, ficou um brinco, e eu fiquei bem feliz. Não só eu - moradores do prédio em frente à quadra nos observaram e um deles veio até conversar com a gente. A receptividade nas casas, pelo que eu ouvi, também foi muito boa, e arranjamos até um possível espaço de reunião. =)
A divulgação nas ruas foi a mais intensa: as nossas garotas-propaganda fizeram um ótimo trabalho nos sinais, com direito a cantadas e parabéns pela iniciativa. Percebi que, por menor que seja, terá uma repercussão e que conquistamos algumas pessoas para a causa, não sei quantas, podem ser poucas, mas cada pessoa produz 600g de lixo por dia, então toda ajuda é válida!
Bom, e se com 9 pessoas, o resultado foi positivo, imagina se tivermos mais gente! Então eu acho que agora é hora de divulgar bastante, levar pros centros espíritas, pros colegas da faculdade e pros familiares essa campanha que cansa, suja, arrasa com a gente, mas no final, depois de um banho e de um sono, eu respiro aliviada e feliz, pronta pra próxima. =)
que começou 10 da noite e terminou 5 da manhã. =) Papai do Céu sabe o que faz.
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coisas relacionadas
coleta seletiva,
mutirão,
Rua 25 de Setembro,
trabalho voluntário
quinta-feira, 29 de abril de 2010
emaranhado
No carro, eu e ele, indo pra casa. Eu com a minha mania de olhar placas de carro e descobrir significados, me deparo com a placa do carro em frente ao nosso e caio na gargalhada. Qualquer um que olhasse acharia que eu estava rindo do "69" duplo, mas ele não. Ele entendeu que não era só isso. É tão bom não precisar explicar tudo o tempo inteiro...
No cinema, vendo a Alice, ele começa: "o gato é aquele cara que canta uma música ridícula naquele filme que você gosta". Como eu não reconheci?? "É?", perguntei, e ele "você sabe de quem eu tô falando?"... claro que sei. Com uma descrição dessas, como eu não saberia? Ele riu. A gente se entende, mesmo. E continuamos a brincadeira-nerd-preferida (ou uma das): adivinhar os atores que dublam os desenhos animados.
Antes de dormir falávamos de fulana, uma amiga em comum (raros não o são), e de repente ele pergunta, a ciclana ainda está na Ufpa? Nada a ver fulana com ciclana, por que ele lembrou dela? "As duas usam o sutiã do mesmo jeito..." Ah, tá, entendi.
Nos livros, nos filmes, nas músicas, ele aprendeu como a minha mente funciona: embaraçada, emaranhada, uma coisa liga a outra que leva a uma terceira, e pula pra quinta e sai em disparada. E não é que aprendeu a fazer isso também?
Vantagens da famosa pergunta que permeia inícios de namoro: "o que você está pensando?" Um dia paramos de perguntar. Uns param porque já não se interessam mais. Nós paramos porque agora conseguimos adivinhar.
No cinema, vendo a Alice, ele começa: "o gato é aquele cara que canta uma música ridícula naquele filme que você gosta". Como eu não reconheci?? "É?", perguntei, e ele "você sabe de quem eu tô falando?"... claro que sei. Com uma descrição dessas, como eu não saberia? Ele riu. A gente se entende, mesmo. E continuamos a brincadeira-nerd-preferida (ou uma das): adivinhar os atores que dublam os desenhos animados.
Antes de dormir falávamos de fulana, uma amiga em comum (raros não o são), e de repente ele pergunta, a ciclana ainda está na Ufpa? Nada a ver fulana com ciclana, por que ele lembrou dela? "As duas usam o sutiã do mesmo jeito..." Ah, tá, entendi.
Nos livros, nos filmes, nas músicas, ele aprendeu como a minha mente funciona: embaraçada, emaranhada, uma coisa liga a outra que leva a uma terceira, e pula pra quinta e sai em disparada. E não é que aprendeu a fazer isso também?
Vantagens da famosa pergunta que permeia inícios de namoro: "o que você está pensando?" Um dia paramos de perguntar. Uns param porque já não se interessam mais. Nós paramos porque agora conseguimos adivinhar.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
E o Mutirão vai acontecer!!
Em Belém do Pará, na Rua 25 de Setembro, no dia 25 de Abril!!
Simbora, galera! =)
Mais informações:
http://grupocolorindosonhos.blogspot.com
Simbora, galera! =)
Mais informações:
http://grupocolorindosonhos.blogspot.com
Você Sabia?
Não se recicla pacotes de Biscoito nem de Salgadinho! Fiquei revoltada quando soube disso. Acho que o simples fato de que ainda se fabrica coisas não recicláveis é o cúmulo, em pleno Século XXI. Eu hein, povo burro!!!
Mais informações sobre o que se recicla e o que não se recicla:
http://grupocolorindosonhos.blogspot.com/p/coleta-seletiva.html
Mais informações sobre o que se recicla e o que não se recicla:
http://grupocolorindosonhos.blogspot.com/p/coleta-seletiva.html
domingo, 4 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Não é Mentira.
No dia primeiro de Abril, os jornais, tanto escritos quanto televisivos, na Alemanha, não são confiáveis. Sempre divulgam uma ou duas notícias falsas, que são desmentidas no dia seguinte. O mesmo vale para o Google, que sempre anuncia alguns absurdos, vale procurar descobrir qual é o da vez. =)
Ah, já ia esquecendo.
Tô grávida!
\o/
só o Felipe sabia até agora, mas como é primeiro de Abril, achamos que seria uma boa data pra divulgar, assim ninguém se choca.
=)
hihihihihi...
Ah, já ia esquecendo.
Tô grávida!
\o/
só o Felipe sabia até agora, mas como é primeiro de Abril, achamos que seria uma boa data pra divulgar, assim ninguém se choca.
=)
hihihihihi...
quarta-feira, 31 de março de 2010
Se você está contente bata fotos, click click click!
Descobri que meu cérebro acha que ser feliz é ter fotos bonitas...
Que triste.
Que triste.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Viajar para Viver
história que aconteceu graças à MINHA cidade. =D
texto sensacional!!
texto sensacional!!
por Eugenio Mussak
Por obrigações de trabalho, mas também por puro prazer e vontade de aprender, sempre viajei muito. Estive em todos os estados brasileiros – em alguns, várias vezes – e em boa parte do mundo. Nessas viagens, conheci, claro, muitas coisas interessantes e outras nem tanto. E estive em lugares de todos os tipos. Alguns maravilhosos, outros deploráveis, mas de todos guardo lembranças de experiências que me ajudaram a ser melhor.
E conheci também muitas pessoas interessantes. Tenho uma verdadeira coleção de tipos com quem interagi e que me ensinaram alguma coisa. Lembro- me, por exemplo, de um norteamericano de certa idade que sentou a meu lado num voo para Belém do Pará, em 1990. Antes de embarcar, eu havia passado na livraria do aeroporto para comprar um lançamento de meu ficcionista científico preferido, o russo-americano Isaac Asimov, chamado A Viagem Fantástica II.
Logo que embarquei, tratei de me acomodar na poltrona, ávido para começar a leitura. Mas, logo após a decolagem, enquanto eu ainda estava nas páginas iniciais, notei que o cidadão ao lado estava com o corpo ligeiramente curvado em minha direção e os olhos esticados, tentando ler meu livro. Isso me incomodou e eu olhei para ele fixamente. Ele, então, sorriu meio sem jeito, mas com simpatia me perguntou: – Desculpe, o senhor fala inglês?
Levei um instante para perceber que ele falava comigo, em um inglês de norte-americano nativo – “Excuse me, do you speak English?” Achei engraçada a coincidência, pois o livro começava com uma moça se dirigindo a um cientista durante um congresso, perguntando: “Desculpe, mas o senhor fala russo?” Coincidência ou não, aquilo quebrou minha resistência.
– Yes, but... Sim, mas não perfeito – respondi, cuidando para, junto com a resposta, devolver o sorriso que o estranho ao meu lado me dava.
– Com certeza, é melhor que meu português – acrescentou ele, polidamente. – É que eu reparei que você está lendo AViagem Fantástica, do Asimov, e esse livro foi lançado nos Estados Unidos há uns dois anos apenas. O que está achando dele? – Na verdade, acabei de começar a leitura, mas estou animado. Gosto do Asimov porque ele usa fundamentos científicos prováveis em suas histórias de ficção e não apenas palavras da ciência para enganar o leitor, como fazem outros.
– Concordo. Suas histórias talvez possam ser realizadas no futuro, como as viagens interestelares. Aliás, ele gosta de escrever sobre viagens. Você já reparou como os livros que relatam viagens encantam as pessoas?
– Nunca tinha parado para pensar sobre isso, mas acho que você tem razão, pois viajar é um forte desejo humano. Além disso, ler um livro é como fazer uma viagem. Tanto a viagem como o livro nos colocam frente ao desconhecido, que é, ao mesmo tempo, excitante e amedrontador.
– Sim, praticamente todos os grandes livros são excitantes e amedrontadores. Veja o primeiro grande autor, Homero. Na Odisseia, Ulisses, após a guerra de Troia, trata de voltar para casa e inicia uma viagem cheia de aventuras, ao mesmo tempo em que Telêmaco, seu filho, viaja para procurá-lo. Se você pensar bem, verá que essa história poderia ser definida como a viagem de encontro ao destino de cada um. Estava começando a gostar daquele gringo. Era bem-humorado, entendia de literatura e ainda fez uma rápida análise psicológica de um clássico. Resolvi cutucá-lo. Se a conversa estivesse boa eu poderia dar-lhe corda, se não, tinha a desculpa de voltar à leitura.
– Camões escreveu algo parecido em Os Lusíadas. Assim como Ulisses e Telêmaco, Vasco da Gama também é protegido por alguns deuses e perseguido por outros. E você reparou que, em ambos os casos, o objetivo final da viagem é voltar para casa? Fico pensando que esse seria o objetivo de qualquer viagem. Voltar para casa.
– Ou voltar-se a si mesmo – continuou ele. – Olhar o exterior para entender melhor o interior. Você tem razão quanto ao destino final. Veja o caso do lorde Phileas Fogg, n’A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Jules Verne, que parte de Londres com destino a Londres. Ele viaja para o leste e volta pelo oeste. Só que, quando volta, ele é outra pessoa, menos esnobe, mais humilde, melhor. Está apaixonado pela princesa que conheceu na Índia, mas, na verdade, o que aconteceu é que ele desenvolveu uma nova paixão pela vida. Através da aventura e do amor, ele reencontrou o homem que já tinha sido e do qual tinha se afastado em função das convenções e obrigações sociais, muito fortes na Inglaterra vitoriana.
– Ele volta diferente, melhor do que era antes de partir. A conclusão é que a melhor parte de uma viagem é a volta? – perguntei.
– Não, a melhor parte é o aprendizado. Veja o caso dos livros do escritor brasileiro que está despontando no mundo. Seus personagens voltam para casa só após terem aprendido alguma coisa e se transformado para melhor. (Ele estava se referindo ao Paulo Coelho, que na época já tinha lançado seus dois primeiros livros, ambos sobre viagens.)
– Então, em sua opinião, as viagens são tão atrativas por serem metáforas da própria vida? Nesse sentido, este li- vro do Asimov talvez seja o mais perfeito, pois a viagem a que ele se refere é para dentro do corpo de uma pessoa, utilizando um submarino miniaturizado. Com o detalhe de que eles vão até o cérebro, o centro do pensamento.
– A metáfora do Asimov é ótima, e o título do livro é melhor ainda, pois nosso interior é o território mais misterioso. Mas não estou me referindo ao corpo, e sim à alma humana. E, preste atenção: todos nós nascemos viajantes, mesmo quem não viaja, pois, se pensar bem, você verá que a verdadeira viagem fantástica é a própria vida.
– A verdadeira viagem fantástica é a própria vida... – pronunciei eu, lentamente, falando comigo mesmo, em uma reação própria de alguém que tem um imenso e maravilhoso insight.
Já se passaram cerca de 20 anos desde esse encontro. Não me lembro o nome do viajante ao lado nem se o diálogo foi exatamente assim. Mas me lembro bem do assunto que tratamos e, sobre ele, lembro que estava morando no Brasil porque havia se apaixonado primeiro por uma brasileira do Norte e depois por nossa cultura, música e comida. Recordo as analogias da viagem com a vida, do fato de que os confortos e as dificuldades, as alegrias e os aborrecimentos, as idas e as vindas de uma viagem são uma paráfrase perfeita da própria existência humana. E lembro que ele citou Bob Dylan antes de pedir licença e se recostar na poltrona para dormir o resto do voo:
– Yes, my friend: “Life is nothing but a trip”. (“A vida nada mais é do que uma viagem.”) E me deixou com o livro nas mãos, a cabeça cheia de pensamentos e o coração pulsando com a ideia de que a vida é uma viagem fantástica. Nunca mais parei de me considerar um viajante para seguir em frente, seja em outro continente, seja em meu bairro. É fundamental definir bem o roteiro para não ter surpresas ruins na viagem? Há dois tipos de viagem que eu gosto: as que eu planejo nos mínimos detalhes e as que eu faço sem planejar nada. É claro que as viagens planejadas são mais confortáveis têm menos surpresas, mas não podemos esquecer que as surpresas fazem parte dela. Aliás, viajamos para nos surpreender com o mundo. Atualmente, eu prefiro planejar até certo ponto, como definir bem as datas de ir e voltar, reservar alguns hotéis, mas gosto de deixar espaço para o improviso, para a aventura.
Viajar é uma das melhores sensações da vida. O dinheiro aplicado em uma viagem não é um gasto, e sim um investimento. Seu retorno vem em forma de cultura, de entendimento, de percepção, de experiência e, principalmente, em forma de vida. Uma viagem não se esgota no retorno. Continua em nossa lembrança em forma de imagens, sons, cheiros, texturas.
Lembro quando viajei pelo Saara com um amigo israelense chamado Avi. Ele dirigia um caminhão especialmente preparado para aquelas condições e de repente esticou o braço para fora da janela, apontando para um lugar no meio da areia, e disse:
– Olhe, um tuaregue. Eu apertei os olhos e fiquei tentando encontrar o habitante do deserto a que ele se referia, mas o máximo que conseguia ver, além da areia, era um pequeno movimento que lembrava água sobre as dunas – na verdade uma ilusão causada pelas ondas de calor que o solo devolve à atmosfera. Ele, percebendo minha dificuldade, parou o caminhão e me convidou a descer.
Foi então que eu pude ver um homem e seu camelo, ambos da mesma cor, e da cor do deserto, claro, em perfeita harmonia, de uma beleza ímpar. – Para onde ele está indo? – perguntei, provavelmente só para dizer alguma coisa para cortar aquele silêncio eloquente do deserto.
Ele está sempre em movimento – explicou meu amigo. – Não precisa ter, necessariamente, um lugar para ir. Ele é um nômade que não sai do deserto, mas está sempre viajando, pois essa é sua essência. Assim como as dunas, que se movem permanentemente, o habitante do deserto não se detém. Ele sabe que, se parar provavelmente, será coberto pela areia.
E assim somos nós, ocidentais urbanos, que também precisamos do movimento para não sermos cobertos pela poeira do tempo e pelo mofo da acomodação. Uma viagem pode não ser a vida, mas é uma bela metáfora dela, pois nos faz defrontar uma realidade maior e nos abre a alma para o entendimento.
Entretanto, sempre é bom lembrar que viajar tem partes, e uma delas é a volta para casa. E feliz daquele que considerar esta como uma das melhores. Entre outras coisas, viajar nos ensina a amar nosso lar, nosso país, nossa gente. Afinal, como disse Goethe, sábio é aquele que consegue criar, para seu uso, “raízes e asas”, essas duas maravilhosas possibilidades humanas.
E conheci também muitas pessoas interessantes. Tenho uma verdadeira coleção de tipos com quem interagi e que me ensinaram alguma coisa. Lembro- me, por exemplo, de um norteamericano de certa idade que sentou a meu lado num voo para Belém do Pará, em 1990. Antes de embarcar, eu havia passado na livraria do aeroporto para comprar um lançamento de meu ficcionista científico preferido, o russo-americano Isaac Asimov, chamado A Viagem Fantástica II.
Logo que embarquei, tratei de me acomodar na poltrona, ávido para começar a leitura. Mas, logo após a decolagem, enquanto eu ainda estava nas páginas iniciais, notei que o cidadão ao lado estava com o corpo ligeiramente curvado em minha direção e os olhos esticados, tentando ler meu livro. Isso me incomodou e eu olhei para ele fixamente. Ele, então, sorriu meio sem jeito, mas com simpatia me perguntou: – Desculpe, o senhor fala inglês?
Levei um instante para perceber que ele falava comigo, em um inglês de norte-americano nativo – “Excuse me, do you speak English?” Achei engraçada a coincidência, pois o livro começava com uma moça se dirigindo a um cientista durante um congresso, perguntando: “Desculpe, mas o senhor fala russo?” Coincidência ou não, aquilo quebrou minha resistência.
– Yes, but... Sim, mas não perfeito – respondi, cuidando para, junto com a resposta, devolver o sorriso que o estranho ao meu lado me dava.
– Com certeza, é melhor que meu português – acrescentou ele, polidamente. – É que eu reparei que você está lendo AViagem Fantástica, do Asimov, e esse livro foi lançado nos Estados Unidos há uns dois anos apenas. O que está achando dele?
– Concordo. Suas histórias talvez possam ser realizadas no futuro, como as viagens interestelares. Aliás, ele gosta de escrever sobre viagens. Você já reparou como os livros que relatam viagens encantam as pessoas?
– Nunca tinha parado para pensar sobre isso, mas acho que você tem razão, pois viajar é um forte desejo humano. Além disso, ler um livro é como fazer uma viagem. Tanto a viagem como o livro nos colocam frente ao desconhecido, que é, ao mesmo tempo, excitante e amedrontador.
– Sim, praticamente todos os grandes livros são excitantes e amedrontadores. Veja o primeiro grande autor, Homero. Na Odisseia, Ulisses, após a guerra de Troia, trata de voltar para casa e inicia uma viagem cheia de aventuras, ao mesmo tempo em que Telêmaco, seu filho, viaja para procurá-lo. Se você pensar bem, verá que essa história poderia ser definida como a viagem de encontro ao destino de cada um.
– Camões escreveu algo parecido em Os Lusíadas. Assim como Ulisses e Telêmaco, Vasco da Gama também é protegido por alguns deuses e perseguido por outros. E você reparou que, em ambos os casos, o objetivo final da viagem é voltar para casa? Fico pensando que esse seria o objetivo de qualquer viagem. Voltar para casa.
– Ou voltar-se a si mesmo – continuou ele. – Olhar o exterior para entender melhor o interior. Você tem razão quanto ao destino final. Veja o caso do lorde Phileas Fogg, n’A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Jules Verne, que parte de Londres com destino a Londres. Ele viaja para o leste e volta pelo oeste. Só que, quando volta, ele é outra pessoa, menos esnobe, mais humilde, melhor. Está apaixonado pela princesa que conheceu na Índia, mas, na verdade, o que aconteceu é que ele desenvolveu uma nova paixão pela vida. Através da aventura e do amor, ele reencontrou o homem que já tinha sido e do qual tinha se afastado em função das convenções e obrigações sociais, muito fortes na Inglaterra vitoriana.
– Ele volta diferente, melhor do que era antes de partir. A conclusão é que a melhor parte de uma viagem é a volta? – perguntei.
– Não, a melhor parte é o aprendizado. Veja o caso dos livros do escritor brasileiro que está despontando no mundo. Seus personagens voltam para casa só após terem aprendido alguma coisa e se transformado para melhor. (Ele estava se referindo ao Paulo Coelho, que na época já tinha lançado seus dois primeiros livros, ambos sobre viagens.)
– Então, em sua opinião, as viagens são tão atrativas por serem metáforas da própria vida? Nesse sentido, este li- vro do Asimov talvez seja o mais perfeito, pois a viagem a que ele se refere é para dentro do corpo de uma pessoa, utilizando um submarino miniaturizado. Com o detalhe de que eles vão até o cérebro, o centro do pensamento.
– A metáfora do Asimov é ótima, e o título do livro é melhor ainda, pois nosso interior é o território mais misterioso. Mas não estou me referindo ao corpo, e sim à alma humana. E, preste atenção: todos nós nascemos viajantes, mesmo quem não viaja, pois, se pensar bem, você verá que a verdadeira viagem fantástica é a própria vida.
– A verdadeira viagem fantástica é a própria vida... – pronunciei eu, lentamente, falando comigo mesmo, em uma reação própria de alguém que tem um imenso e maravilhoso insight.
Já se passaram cerca de 20 anos desde esse encontro. Não me lembro o nome do viajante ao lado nem se o diálogo foi exatamente assim. Mas me lembro bem do assunto que tratamos e, sobre ele, lembro que estava morando no Brasil porque havia se apaixonado primeiro por uma brasileira do Norte e depois por nossa cultura, música e comida. Recordo as analogias da viagem com a vida, do fato de que os confortos e as dificuldades, as alegrias e os aborrecimentos, as idas e as vindas de uma viagem são uma paráfrase perfeita da própria existência humana. E lembro que ele citou Bob Dylan antes de pedir licença e se recostar na poltrona para dormir o resto do voo:
– Yes, my friend: “Life is nothing but a trip”. (“A vida nada mais é do que uma viagem.”) E me deixou com o livro nas mãos, a cabeça cheia de pensamentos e o coração pulsando com a ideia de que a vida é uma viagem fantástica. Nunca mais parei de me considerar um viajante para seguir em frente, seja em outro continente, seja em meu bairro.
Ele está sempre em movimento – explicou meu amigo. – Não precisa ter, necessariamente, um lugar para ir. Ele é um nômade que não sai do deserto, mas está sempre viajando, pois essa é sua essência. Assim como as dunas, que se movem permanentemente, o habitante do deserto não se detém. Ele sabe que, se parar provavelmente, será coberto pela areia.
E assim somos nós, ocidentais urbanos, que também precisamos do movimento para não sermos cobertos pela poeira do tempo e pelo mofo da acomodação. Uma viagem pode não ser a vida, mas é uma bela metáfora dela, pois nos faz defrontar uma realidade maior e nos abre a alma para o entendimento.
Entretanto, sempre é bom lembrar que viajar tem partes, e uma delas é a volta para casa. E feliz daquele que considerar esta como uma das melhores. Entre outras coisas, viajar nos ensina a amar nosso lar, nosso país, nossa gente. Afinal, como disse Goethe, sábio é aquele que consegue criar, para seu uso, “raízes e asas”, essas duas maravilhosas possibilidades humanas.
sexta-feira, 5 de março de 2010
Mutirão!
Quem topa montar um mutirão de limpeza em Belém do Pará? Levante a mão e me escreva um E-mail. Quero pegar um povo, uma luva de plástico e uns sacos de lixo e passar uma manhã catando aqueles lixos nas ruas e nas praças, aqueles que todo mundo vê e ninguém cata, e que só enfeiam e apodrecem lentamente a coitadinha da nossa natureza. E aí? E então? Quem quer?
escreva pra cá:
umdianalua@gmail.com
escreva pra cá:
umdianalua@gmail.com
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Couchsurfing para os problemas do Mundo.
Quais sao os problemas do mundo? E quais sao as raízes desses problemas? Na minha humilde opiniao, os problemas existem porque as pessoas nao se conhecem. E se conhecem, nao conhecem o suficiente. E se nao conhecem o suficiente, é porque nao se interessam o suficiente ou nao sao abertas pra conhecer nem pra serem conhecidas. Imaginem se todo mundo tivesse acesso à história de cada um, às aspiracoes e aos sentimentos dos outros! Teríamos a chance de conhecer de verdade uns aos outros, e saber de cara que aquela pessoa que parece meio chata, no fundo teve um dia ruim ou uma infância difícil, e assim deixar os preconceitos de lado e tentar descobrir o que ela tem de bom e de interessante. Isso seria a chave pra paz, pra harmonia e pra gentileza entre estranhos, e gentileza gera gentileza, e de repente, o mundo seria um lugar bem melhor.
Bom, o Couchsurfing conecta as pessoas que têm esse desejo em comum: que o mundo seja um lugar melhor. Ok, nem todas as pessoas que estao lá têm esse desejo, mas acredito que boa parte delas tenham. E uma delas eu conheci semana passada, quando pedi abrigo pra uma noite em Kassel, pra onde eu viajei com a Camila, minha amiga linda que veio me visitar. =)
E ao meu pedido veio uma resposta super simpática de um alemao que abriu a casa dele, o carro e o coracao e nos recebeu com alegria e interesse, e junto com ele, com a namorada e com o primo dele, tivemos conversas ótimas, uma ótima noite de sono, uma lasanha deliciosa e um domingo de aventuras.
Foi uma surpresa encontrar tanta simpatia vinda de totais estranhos. Mas com certeza isso é uma corrente que comecou bem antes, quando eles foram recebidos por estranhos, e vai continuar sendo passada adiante, quando eu e a Camila também recebermos estranhos em nossas casas, através do site ou por outro motivo.
Por que nao abrir sua casa e seu coracao e receber alguém com um sorriso e muita boa vontade? Mostrar o seu país, a sua cidade ou só o seu bairro, ou mesmo só a sua sala com um sofá onde ele possa dormir, caso nao tenhas tempo de passear. Mas com certeza faz toda a diferenca nao só no bolso e na experiência de quem está viajando, como principalmente no modo de ver o mundo e as pessoas de vidas e culturas diferentes.
É uma corrente muito, muito válida, e eu recomendo!!
Link: http://www.couchsurfing.com/
Couchsurfing e Gentileza por um Mundo melhor! =D

nossos anfitrioes
Bom, o Couchsurfing conecta as pessoas que têm esse desejo em comum: que o mundo seja um lugar melhor. Ok, nem todas as pessoas que estao lá têm esse desejo, mas acredito que boa parte delas tenham. E uma delas eu conheci semana passada, quando pedi abrigo pra uma noite em Kassel, pra onde eu viajei com a Camila, minha amiga linda que veio me visitar. =)
E ao meu pedido veio uma resposta super simpática de um alemao que abriu a casa dele, o carro e o coracao e nos recebeu com alegria e interesse, e junto com ele, com a namorada e com o primo dele, tivemos conversas ótimas, uma ótima noite de sono, uma lasanha deliciosa e um domingo de aventuras.
Foi uma surpresa encontrar tanta simpatia vinda de totais estranhos. Mas com certeza isso é uma corrente que comecou bem antes, quando eles foram recebidos por estranhos, e vai continuar sendo passada adiante, quando eu e a Camila também recebermos estranhos em nossas casas, através do site ou por outro motivo.
Por que nao abrir sua casa e seu coracao e receber alguém com um sorriso e muita boa vontade? Mostrar o seu país, a sua cidade ou só o seu bairro, ou mesmo só a sua sala com um sofá onde ele possa dormir, caso nao tenhas tempo de passear. Mas com certeza faz toda a diferenca nao só no bolso e na experiência de quem está viajando, como principalmente no modo de ver o mundo e as pessoas de vidas e culturas diferentes.
É uma corrente muito, muito válida, e eu recomendo!!
Link: http://www.couchsurfing.com/
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