sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
2011
repleto de luz, de transparência, de abraços, de sorrisos, de amor, de paz, de alegria e de muitas realizações!!
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Sobre o que fazer quando não se sabe o que fazer.

E se um dia eu sabia o que queria e a pergunta era "O que eu faço agora?", era quase sempre no sentido de "o que preciso fazer agora para conseguir o que quero?". Hoje a pergunta é a mesma, mas num sentido um tanto diferente...
`Perguntei a mim mesma um "What's next" em voz alta, ao que o Felipe respondeu que (como diria nosso mais novo amigo suiço) não devia me preocupar com o futuro, pois o que importa mesmo é o presente.
Ué, mas eu preciso saber o que eu quero do futuro, pra saber o que eu faço do meu presente! Não é? Então fica a pergunta...
O que eu faço agora?
PS: Depois de escrever o texto aproveitei o clima de "reveillón em breve" para fazer a famosa lista de "resoluções para o ano de 2011". Um bom começo para começar a responder a pergunta que fica, eu acho.
A verdade de cada um.
A única verdade verdadeira é aquela que é compartlihada.
O casal mora separado, não cada um numa casa, mas cada um numa cidade. Ainda assim são um casal, e ela sempre o visita. Ele o visita menos, porque ele mora sozinho e ela, não. Um dia ele foi para a cidade dela, eles tinham combinado de ficar num hotel. Escolheram o lugar, acertaram data, horário e cardápio, tudo certo. Chegaram no tal hotel, lotado. Eles não tinham feito reserva!
Para ela era lógico que ele faria a reserva, ele que era o viajante, ele quem iria pagar...
Para ele era óbvio que ela faria a reserva, pois não ficava o hotel na cidade dela? Ela só precisava fazer uma chamada local. Ele, que trabalhava o dia inteiro e tinha tanta coisa na cabeça, ainda tinha que lembrar de ligar interurbano do celular e fazer reserva de hotal?? Óbvio que não.
E assim, o que era lógico pra ela e o que era óbvio pra ele eram duas coisas bem diferentes. Ficaram os dois sem reserva, sem quarto, sem hotel, todos os hotéis da cidade resolveram lotar naquele dia. Restou-lhes um único cafofo fedendo a cigarro num hotelzinho velhinho de beira de estrada...
Porque a verdade é relativa, mais relativa que o tempo, que nem existe... A verdade minha e a verdade tua só podem ser a verdade nossa quando expressamos cada uma em alto e bom tom, mesmo que ela venha por vezes atravessando a garganta seca e os olhos úmidos... Só assim, doída, mas falada, podemos ter a certeza de conhecer uma só verdade - a verdade verdadeira, porque comum.
O casal mora separado, não cada um numa casa, mas cada um numa cidade. Ainda assim são um casal, e ela sempre o visita. Ele o visita menos, porque ele mora sozinho e ela, não. Um dia ele foi para a cidade dela, eles tinham combinado de ficar num hotel. Escolheram o lugar, acertaram data, horário e cardápio, tudo certo. Chegaram no tal hotel, lotado. Eles não tinham feito reserva!
Para ela era lógico que ele faria a reserva, ele que era o viajante, ele quem iria pagar...
Para ele era óbvio que ela faria a reserva, pois não ficava o hotel na cidade dela? Ela só precisava fazer uma chamada local. Ele, que trabalhava o dia inteiro e tinha tanta coisa na cabeça, ainda tinha que lembrar de ligar interurbano do celular e fazer reserva de hotal?? Óbvio que não.
E assim, o que era lógico pra ela e o que era óbvio pra ele eram duas coisas bem diferentes. Ficaram os dois sem reserva, sem quarto, sem hotel, todos os hotéis da cidade resolveram lotar naquele dia. Restou-lhes um único cafofo fedendo a cigarro num hotelzinho velhinho de beira de estrada...
Porque a verdade é relativa, mais relativa que o tempo, que nem existe... A verdade minha e a verdade tua só podem ser a verdade nossa quando expressamos cada uma em alto e bom tom, mesmo que ela venha por vezes atravessando a garganta seca e os olhos úmidos... Só assim, doída, mas falada, podemos ter a certeza de conhecer uma só verdade - a verdade verdadeira, porque comum.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Cenas Improváveis
1
Três rapazes vêm rebolando pela calçada. Uma mãe sentada na parada de ônibus olha para a filha de 11 anos rindo, e diz "olha quem vem aí". Parece que conhecem os rapazes. Eles passam falando de babados fortíssimos. A filha só observa. A mãe olha e ri em tom de deboche, e balança a cabeça para a moça que está sentada ao seu lado.
"Não é ser preconceituoso não, mas é esquisito", diz ela para a desconhecida.
"Dá até medo de ter filho homem...", responde a outra.
"e vice-versa, né, porque com mulher também acontece!"
"é mesmo.."
"Deus abençoe nossos filhos..."
E todas voltam a se preocupar com o ônibus que não chega nunca.
2
Como sempre, a menina entra no ônibus a caminho do trabalho, cumprimenta o motorista e então o cobrador, com um "boa tarde" animado. O cobrador não responde, e olha para a nota de vinte reais e a carteira de meia-passagem.
"Não tem trocado?"
"Não tenho..."
"Então a senhora vai ter que descer na próxima parada.", diz o cobrador, puxando a cordinha.
"O quê? Como assim?"
A próxima parada chega. Várias pessoas sobem no ônibus formando uma fila pra passar na roleta.
"Desça aqui, senhora."
"Mas moço, eu tenho que ir pro traba..."
"Desça, senhora." diz ele, apontando para a porta entupida de gente.
"...eu não sei quando o próximo vai pass..."
"Desça agora!"
O motorista quer arrancar, o cobrador chama, dizendo pra ele esperar.
"Desça agora, senhora."
"Eu tô esperando abrir espaço!" diz ela, quase chorando. "Licença, o moço tá com pressa."
As pessoas dão passagem pra ela descer do ônibus, ela nem viu se os rostos concordavam ou não com o ridículo/absurdo que acabara de ocorrer.
3
Um garotinho segurado pelas mãos brinca na escada da porta de saída do ônibus. A parada chega, a porta se abre, ele quase cai. A mãe que segurava as mãos dele apressa pra ele descer logo. O degrau é maior que as perninhas dele, e ele quase cai e ela quase cai junto.
"Filho da puta!" ela grita pra ele.
"Olha o Papai Noeeeel!" exclama o pequeno, olhando pra decoração na fachada do Shopping.
Não tenho como provar, mas tudo isso aconteceu mesmo.
Três rapazes vêm rebolando pela calçada. Uma mãe sentada na parada de ônibus olha para a filha de 11 anos rindo, e diz "olha quem vem aí". Parece que conhecem os rapazes. Eles passam falando de babados fortíssimos. A filha só observa. A mãe olha e ri em tom de deboche, e balança a cabeça para a moça que está sentada ao seu lado.
"Não é ser preconceituoso não, mas é esquisito", diz ela para a desconhecida.
"Dá até medo de ter filho homem...", responde a outra.
"e vice-versa, né, porque com mulher também acontece!"
"é mesmo.."
"Deus abençoe nossos filhos..."
E todas voltam a se preocupar com o ônibus que não chega nunca.
2
Como sempre, a menina entra no ônibus a caminho do trabalho, cumprimenta o motorista e então o cobrador, com um "boa tarde" animado. O cobrador não responde, e olha para a nota de vinte reais e a carteira de meia-passagem.
"Não tem trocado?"
"Não tenho..."
"Então a senhora vai ter que descer na próxima parada.", diz o cobrador, puxando a cordinha.
"O quê? Como assim?"
A próxima parada chega. Várias pessoas sobem no ônibus formando uma fila pra passar na roleta.
"Desça aqui, senhora."
"Mas moço, eu tenho que ir pro traba..."
"Desça, senhora." diz ele, apontando para a porta entupida de gente.
"...eu não sei quando o próximo vai pass..."
"Desça agora!"
O motorista quer arrancar, o cobrador chama, dizendo pra ele esperar.
"Desça agora, senhora."
"Eu tô esperando abrir espaço!" diz ela, quase chorando. "Licença, o moço tá com pressa."
As pessoas dão passagem pra ela descer do ônibus, ela nem viu se os rostos concordavam ou não com o ridículo/absurdo que acabara de ocorrer.
3
Um garotinho segurado pelas mãos brinca na escada da porta de saída do ônibus. A parada chega, a porta se abre, ele quase cai. A mãe que segurava as mãos dele apressa pra ele descer logo. O degrau é maior que as perninhas dele, e ele quase cai e ela quase cai junto.
"Filho da puta!" ela grita pra ele.
"Olha o Papai Noeeeel!" exclama o pequeno, olhando pra decoração na fachada do Shopping.
Não tenho como provar, mas tudo isso aconteceu mesmo.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Ufa.
Satisfeita ou não, finalmente a parafernália acabou.
Tava quase processando os nossos caros ($$) candidatos por poluição sonora.
=P
Não sei como é no resto do Brasil, mas aqui as eleições são sempre regadas a Brega. Todos os candidatos - TODOS MESMO - fazem um hit, geralmente com o ritmo paraense, e colocam carros de som e aparelhagens nas ruas para tocar as músicas que pregam na cabeça que nem chiclete. Comentando sobre isso com uma amiga alemã, lembrei que na Alemanha as eleições são calmas, com cartazes espalhados, geralmente sem fotos de ninguém, e sim com as propostas e os nomes e cores dos partidos como informação principal. É muito interessante que no Brasil vejamos de fato o rosto das pessoas, a coisa fica mais real. Mas como a minha amiga disse, enquanto passávamos por um trio elétrico de um candidato, com uma música nas alturas, "é um absurdo esse barulho geral durante o mês inteiro. Isso é, aliás, um motivo para eu NÃO votar em alguém."
Se fosse assim não sobrava ninguém. =/
Tava quase processando os nossos caros ($$) candidatos por poluição sonora.
=P
Não sei como é no resto do Brasil, mas aqui as eleições são sempre regadas a Brega. Todos os candidatos - TODOS MESMO - fazem um hit, geralmente com o ritmo paraense, e colocam carros de som e aparelhagens nas ruas para tocar as músicas que pregam na cabeça que nem chiclete. Comentando sobre isso com uma amiga alemã, lembrei que na Alemanha as eleições são calmas, com cartazes espalhados, geralmente sem fotos de ninguém, e sim com as propostas e os nomes e cores dos partidos como informação principal. É muito interessante que no Brasil vejamos de fato o rosto das pessoas, a coisa fica mais real. Mas como a minha amiga disse, enquanto passávamos por um trio elétrico de um candidato, com uma música nas alturas, "é um absurdo esse barulho geral durante o mês inteiro. Isso é, aliás, um motivo para eu NÃO votar em alguém."
Se fosse assim não sobrava ninguém. =/
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
a natureza última de uma simples gota d'água é a mesma do oceano
Peço desculpas por fazer perguntas pessoais. Não estou perguntando apenas por mim, mas por muitos. Quem é você e por que veio ao mundo?
Se essas perguntas são pessoais ou não, não faz diferença, porque, pra mim, a pessoa não existe. É impossível fazer perguntas pessoais, porque ninguém é uma pessoa. Na verdade, fazer perguntas pessoais não é presunção, mas presumir-se ser uma pessoa é que é presunção. [...] Na realidade, não há pessoas; melhor dizendo, há somente uma pessoa. Só de Deus pode-se dizer que tem uma personalidade, porque só Ele pode ter um centro.
Nós não temos centro. O centro em nós não existe, mas nós assumimos um centro. Esse centro assumido é o ego. O ego é hipotético, ilusório, mas sentimos que sem um centro a vida é impossível.
Assim sendo, você pensa que essas questões são pessoais, mas enquanto elas não são dirigidas a mim, são dirigidas a uma não-entidade. No que me diz respeito, não sinto de modo algum que sou uma pessoa. Quanto mais fundo se vai, menos se é, e quando alguém alcança o âmago supremo de si mesmo, não existe nenhum "eu".
Em segundo lugar, você pergunta quem sou eu. Eu lhe digo: "eu não sou". Estou sempre dizendo aos que buscam que perguntem a si mesmos: "Quem sou eu?", não para que venham a saber quem são, mas para que chegue um momento em que a pergunta seja feita tão intensamente, que o perguntador não esteja mais presente, e só a pergunta permaneça. Haverá um momento em que a questão será absolutamente tensa, tanto quanto pode ser. Então se revelará o seu absurdo. Você ficará sabendo que não há ninguém que possa perguntar "Quem sou eu?", nem a quem se possa perguntar: "Quem é você?" A pergunta não é feita para se obter uma resposta, mas sim para se transcender a própria questão.
[...]
Quando você pergunta: "Quem é você?", isso para mim significa "O que é?" Mas, por meu intermédio, você fez uma pergunta fundamental.
"O que é" não é "eu", mas o próprio ser, a própria existência. Quando se mergulha a fundo em uma única gota, encontra-se o oceano. Só na superfície a gota é apenas uma gota. Ela é a própria existência. Assim, a natureza última de uma simples gota d'água é a mesma do oceano. É oceânica. Somente na ignorância alguém é uma gota d'água. A partir do momento em que alguém sabe, sabe que é o próprio oceano.
Trecho retirado do primeiro capítulo do livro "Eu sou a Porta", do Guru indiano Bhagwan Shree Rajneesh.
Se essas perguntas são pessoais ou não, não faz diferença, porque, pra mim, a pessoa não existe. É impossível fazer perguntas pessoais, porque ninguém é uma pessoa. Na verdade, fazer perguntas pessoais não é presunção, mas presumir-se ser uma pessoa é que é presunção. [...] Na realidade, não há pessoas; melhor dizendo, há somente uma pessoa. Só de Deus pode-se dizer que tem uma personalidade, porque só Ele pode ter um centro.
Nós não temos centro. O centro em nós não existe, mas nós assumimos um centro. Esse centro assumido é o ego. O ego é hipotético, ilusório, mas sentimos que sem um centro a vida é impossível.
Assim sendo, você pensa que essas questões são pessoais, mas enquanto elas não são dirigidas a mim, são dirigidas a uma não-entidade. No que me diz respeito, não sinto de modo algum que sou uma pessoa. Quanto mais fundo se vai, menos se é, e quando alguém alcança o âmago supremo de si mesmo, não existe nenhum "eu".
Em segundo lugar, você pergunta quem sou eu. Eu lhe digo: "eu não sou". Estou sempre dizendo aos que buscam que perguntem a si mesmos: "Quem sou eu?", não para que venham a saber quem são, mas para que chegue um momento em que a pergunta seja feita tão intensamente, que o perguntador não esteja mais presente, e só a pergunta permaneça. Haverá um momento em que a questão será absolutamente tensa, tanto quanto pode ser. Então se revelará o seu absurdo. Você ficará sabendo que não há ninguém que possa perguntar "Quem sou eu?", nem a quem se possa perguntar: "Quem é você?" A pergunta não é feita para se obter uma resposta, mas sim para se transcender a própria questão.
[...]
Quando você pergunta: "Quem é você?", isso para mim significa "O que é?" Mas, por meu intermédio, você fez uma pergunta fundamental.
"O que é" não é "eu", mas o próprio ser, a própria existência. Quando se mergulha a fundo em uma única gota, encontra-se o oceano. Só na superfície a gota é apenas uma gota. Ela é a própria existência. Assim, a natureza última de uma simples gota d'água é a mesma do oceano. É oceânica. Somente na ignorância alguém é uma gota d'água. A partir do momento em que alguém sabe, sabe que é o próprio oceano.
Trecho retirado do primeiro capítulo do livro "Eu sou a Porta", do Guru indiano Bhagwan Shree Rajneesh.
domingo, 19 de setembro de 2010
Cartas na Mesa
E aí fui pra matéria da capa. "Enfrente seu Medo".
Há uns dias encontrei uma taróloga que tinha sido contratada para ler o futuro de todos os convidados da festa (aqueles que quisessem saber do futuro, claro...). Minha primeira reação foi "Deus me livre!"... Mas, depois de muito pensar, cheguei à conclusão de que, se não aproveitasse a chance de saber meu futuro "de grátis", ia me arrepender pra sempre. Então lá fomos nós, eu e mais todo mundo, colocar nossos nomes na lista de atendimento. Era gente que não acabava mais, coitadinha da cigana...
Lá pro fim da festa chegou a minha vez, e, ao contrário da previsão de todos os outros convidados, que depois de ouví-la vieram falar pra gente das fortunas que iriam ganhar, eu ouvi meu destino e preferi me calar. Não tinham fortunas... Algumas alegrias, até mesmo um final feliz, mas uma notícia iria me assombrar pro resto da semana.
Aí, pronto: medo instalado e um soco no estômago que não queria mais sair.
E dá-lhe a Diana andar na rua ouvindo e vendo tudo de novo, as cartas na mesa, os olhos profundos que me falavam das decepções que me aguardavam...
E nada adiantava gritar pra si mesma, "presente, Diana! Volta pro presente! Ele que tu tens, ele é que importa!"... O medo ainda estava lá.
Achei que a revista pudesse me ajudar. Mas só fui ter coragem de ler (lembrando que coragem nem sempre é o oposto de medo) depois que a angústia havia diminuído e eu já tinha caído em mim, e entendido que, na verdade, medo é inútil.
A reportagem, porém, me despertou reflexões interessantes. Por exemplo, que nossos medos não são como os instintos animais, que servem para a própria proteção contra o perigo que se revela nos sentidos. Nós sabemos que vamos morrer, e sabemos que ter medo da morte não faz com que nos livremos dela. Sabemos que podemos ser assaltados, e o medo do assalto faz com que fiquemos em casa, perdendo muitas coisas boas da vida e, ainda assim, que jamais estaremos 100% em segurança.
Mas uma frase da revista me fez dar um novo sentido, uma utilidade ao nosso medo. "Se hoje um dos nossos maiores medos é o de fracassar, é porque uma das nossas maiores buscas é o sucesso." É isso! Os medos servem para que reconheçamos os nossos próprios desejos, nossas vontades, que se escondem atrás deles. Conhece teus medos e vais saber o que procuras. Se tens medo de perder uma pessoa, é porque queres justamente o contrário (ou talvez porque não queres ficar sozinho...). Se tens medo de falar em público, de passar vergonha, de ser julgado, é porque te importas com o que os outros pensam, apesar dos teus maiores esforços em desmentir esse fato. Ao saber esses pequenos detalhes, esses desejos, por vezes defeitos, muitas vezes virtudes, podemos nos conhecer melhor e mudar o que estiver precisando de mudança.
E da mesma forma que o que achamos dificil revela o que a gente ainda não sabe, mas pode vir a saber se enfrentarmos a dificuldade, o medo revela o que ainda não temos, mas podemos vir a ter se enfrentarmos esse monstrengo que a gente, meio inconscientemente, só faz alimentar e acariciar, até que ele nos devora.
Quanto à espiadela no futuro, vá lá, eu tava com medo de saber o que viria, e com razão. Mas enfrentei o medo (ok, só porque a curiosidade venceu), espiei, e agora? Me resta aceitar. A Mitologia, a Literatura e mil filmes já falaram dos perigos que residem na tentativa de mudar o seu próprio destino. Mesmo o Espiritismo diz que somos nós mesmos que traçamos todo esse caminho, antes de nascer. Mas a verdade é que quando reencarnamos esquecemos de tudo, e nem o passado nem o futuro se deixam conhecer por inteiro, até que tenhamos uma consciência completa de nós mesmos e do mundo. Então, pra que se estressar? O presente é o mais perto que eu posso chegar da verdade, e dele depende tudo o que vem depois.
Basta aceitar o presente, e aceitar o presente de grego que o destino às vezes é, e aceitar as pessoas como são, e me aceitar como sou, com minhas vontades, minhas impefeições e todinhos os meus medos.
E por mais difícil que isso seja, não é impossível. E, como eu li na revista, "quem não tenta, não experimenta, já fracassou."
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
"Grande Ônibus Lotado" ou "Marex Ver-o-Peso"
Depois de um calor básico num ônibus com o dobro da quantidade normal de passageiros...
Cheguei do aeroporto. Deixei ela o mais perto possível do Avião - naquela linha que as pessoas sem cartão de embarque não podem ultrapassar. Uma moça falou do vôo 1874, mas na verdade era 1873, e a moça disse, "é, esse mesmo. Venham comigo. São vocês duas?" Bem que eu queria... Não, só ela. Aí eu me despedi, elas ultrapassaram a linha e eu fiquei olhando... Sabia que ela não ia olhar pra trás, porque não ia me ver acenando, então só vi ela se afastando até sumir. Disse pra ela me ligar quando entrasse no avião, mas não aguentei e liguei antes. Ela disse que a mulher não sacava das coisas, eu disse que ela falasse o que precisava, que disesse de que lado ela enxergava melhor, pros outros saberem, pra ela se sentir segura... Ela riu dizendo que sabia, que eu não me preocupasse. Ahan.. Fácil, fácil.
Fiquei um tempão na parada... Celular num bolso, dois reais no outro, um pacote de mentos na mão, sendo devorado em longos trinta minutos... Ela ligou "tô entrando no avião!" na hora que eu estava entrando no ônibus.
Foi ela que me deu os dois reais e o mentos, porque o papai, que foi deixar a gente lá, tinha que ir pro trabalho e só quem ficou fui eu. Até então eu tinha só o celular na mão e uma emoção contida porque o que eu tanto tinha sonhado, incentivado, dito, relaxa mãe, vai dar tudo certo! Agora ia acontecer. Minha irmã vai viajar sozinha, e eu que vou resolver tudo do embarque dela, não posso deixar nada passar, não posso esquecer nada, tudo tem que ser perfeito... "É o suficiente pra ti?", disse ela pegando o troco e me dando os dois reais. "É, só não posso pegar o ônibus errado." "Di, não vai pegar o ônibus errado, hein! É só pegar um que vá pra Almirante!". Hahaha... tão fofa.
Aí eu entrei no meu ônibus ao mesmo tempo que ela entrou no dela. O dela era o grande ônibus lotado, o meu era um Marex Ver-o-Peso que, tchum, virou numa ruazinha e entrou numa garagem, todos tinham que sair. Ai, e agora? Moço, todo mundo tem que descer? Sim. E eu tenho que pagar pra entrar no outro? Não. Menos mal. Tinham três, entrei num que já tava saindo e sentei na janela com sombra. Sorte.
Ou não.
Chegando no final da Dr. Freitas, naquele lugar que eu não sei nem identificar no Google Maps, e que são muito calos pra andar até em casa, o ônibus encostou e não saiu mais do lugar. Eu tranquila, olhando a paisagem que não se mexia, e quando dei por mim, só tinha eu e o cara do meu lado no ônibus. O cobrador e o motorista já tavam na rua, esperando pra dar o sinal pro próximo Marex que passasse.
Ai, meu Deus... Será possível? Bom, assaltada é que eu não vou ser. 15 centavos num bolso e um celular velho no outro, um par de havaianas arranhadas pela Cherrie, calça jeans suja de Cheetos e uma blusa do mágico de Oz bem suada por causa do sol das três da tarde...
Se me recusarem ônibus de graça, tenho um longo caminho pela frente, ou talvez uma longa espera por uma carona, ou pelo menos uma boa história pra contar.
E o ônibus dela, que horas será que ele chega?
Cheguei do aeroporto. Deixei ela o mais perto possível do Avião - naquela linha que as pessoas sem cartão de embarque não podem ultrapassar. Uma moça falou do vôo 1874, mas na verdade era 1873, e a moça disse, "é, esse mesmo. Venham comigo. São vocês duas?" Bem que eu queria... Não, só ela. Aí eu me despedi, elas ultrapassaram a linha e eu fiquei olhando... Sabia que ela não ia olhar pra trás, porque não ia me ver acenando, então só vi ela se afastando até sumir. Disse pra ela me ligar quando entrasse no avião, mas não aguentei e liguei antes. Ela disse que a mulher não sacava das coisas, eu disse que ela falasse o que precisava, que disesse de que lado ela enxergava melhor, pros outros saberem, pra ela se sentir segura... Ela riu dizendo que sabia, que eu não me preocupasse. Ahan.. Fácil, fácil.
Fiquei um tempão na parada... Celular num bolso, dois reais no outro, um pacote de mentos na mão, sendo devorado em longos trinta minutos... Ela ligou "tô entrando no avião!" na hora que eu estava entrando no ônibus.
Foi ela que me deu os dois reais e o mentos, porque o papai, que foi deixar a gente lá, tinha que ir pro trabalho e só quem ficou fui eu. Até então eu tinha só o celular na mão e uma emoção contida porque o que eu tanto tinha sonhado, incentivado, dito, relaxa mãe, vai dar tudo certo! Agora ia acontecer. Minha irmã vai viajar sozinha, e eu que vou resolver tudo do embarque dela, não posso deixar nada passar, não posso esquecer nada, tudo tem que ser perfeito... "É o suficiente pra ti?", disse ela pegando o troco e me dando os dois reais. "É, só não posso pegar o ônibus errado." "Di, não vai pegar o ônibus errado, hein! É só pegar um que vá pra Almirante!". Hahaha... tão fofa.
Aí eu entrei no meu ônibus ao mesmo tempo que ela entrou no dela. O dela era o grande ônibus lotado, o meu era um Marex Ver-o-Peso que, tchum, virou numa ruazinha e entrou numa garagem, todos tinham que sair. Ai, e agora? Moço, todo mundo tem que descer? Sim. E eu tenho que pagar pra entrar no outro? Não. Menos mal. Tinham três, entrei num que já tava saindo e sentei na janela com sombra. Sorte.
Ou não.
Chegando no final da Dr. Freitas, naquele lugar que eu não sei nem identificar no Google Maps, e que são muito calos pra andar até em casa, o ônibus encostou e não saiu mais do lugar. Eu tranquila, olhando a paisagem que não se mexia, e quando dei por mim, só tinha eu e o cara do meu lado no ônibus. O cobrador e o motorista já tavam na rua, esperando pra dar o sinal pro próximo Marex que passasse.
Ai, meu Deus... Será possível? Bom, assaltada é que eu não vou ser. 15 centavos num bolso e um celular velho no outro, um par de havaianas arranhadas pela Cherrie, calça jeans suja de Cheetos e uma blusa do mágico de Oz bem suada por causa do sol das três da tarde...
Se me recusarem ônibus de graça, tenho um longo caminho pela frente, ou talvez uma longa espera por uma carona, ou pelo menos uma boa história pra contar.
E o ônibus dela, que horas será que ele chega?
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Amigas de Infância
Amanda: Desculpa a demora, tia, é que a gente trocou de sapatos.
Sofia (mostrando os pés): É, olha só!
(entram na sala desfilando)
Amanda: A gente vai trocar de volta quando chegar na casa da Sofia.
Sofia: É, a gente é melhor amiga, faz tudo juntas!
Amanda: É.
Sofia: Tia, sabia que a gente é amiga de infância?? A gente se conhece desde o Maternal!
Amanda (abaixada pegando caneta na mochila): NADA DISSO! A gente se conhece desde que a gente nasceu!
Sofia: Ah, é!! Desde que a gente nasceu!!
Tia: Ah, é? Tanto tempo assim?
Sofia: É, eu ia nascer, e aí a minha mãe ligou pra mãe dela, e elas foram juntas pro hospital e a gente nasceu juntas!
Amanda: Foi!
Sofia: É, eu conheço a Amanda desde que eu nasci.
Tia: Mas vocês lembram disso??
Amanda: Claro, a gente tem foto, tem vídeo...
Tia: Ah, tá, mas lembrar lembrar, nao, né... Vocês eram bebezinhos!
Sofia: Mas eu lembro sim, tia! Eu lembro direitinho de quando a gente nasceu!! Juntas!
Amanda: Eu também.
Minhas aluninhas de... 7 anos.
Sofia (mostrando os pés): É, olha só!
(entram na sala desfilando)
Amanda: A gente vai trocar de volta quando chegar na casa da Sofia.
Sofia: É, a gente é melhor amiga, faz tudo juntas!
Amanda: É.
Sofia: Tia, sabia que a gente é amiga de infância?? A gente se conhece desde o Maternal!
Amanda (abaixada pegando caneta na mochila): NADA DISSO! A gente se conhece desde que a gente nasceu!
Sofia: Ah, é!! Desde que a gente nasceu!!
Tia: Ah, é? Tanto tempo assim?
Sofia: É, eu ia nascer, e aí a minha mãe ligou pra mãe dela, e elas foram juntas pro hospital e a gente nasceu juntas!
Amanda: Foi!
Sofia: É, eu conheço a Amanda desde que eu nasci.
Tia: Mas vocês lembram disso??
Amanda: Claro, a gente tem foto, tem vídeo...
Tia: Ah, tá, mas lembrar lembrar, nao, né... Vocês eram bebezinhos!
Sofia: Mas eu lembro sim, tia! Eu lembro direitinho de quando a gente nasceu!! Juntas!
Amanda: Eu também.
Minhas aluninhas de... 7 anos.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Edição de Colecionador
Tem gente que coleciona moedas antigas, outros colecionam selos, cartões-postais, alguns colecionam corações partidos. Eu coleciono placas. É. Placas. Eu amo placas... Foi com elas que eu aprendi a ler, me fascinavam (já aos 2 anos de idade) aquelas letras, aqueles símbolos, aqueles desenhos que desfilavam, passavam por mim quando andávamos de carro pela capital, e eu via pela janela aquelas placas-por-toda-parte, e me fascinavam. Até hoje vejo nelas um brilho, me saltam aos olhos, me chamam, parece que me contam seus segredos a toda hora. As de carro me permitem brincar com os significados escondidos, e volta e meia encontro alguém para me ajudar a desvendá-los. Desde que aprendi alemão ficou mais fácil encontrar palavras dirigindo por aí.
Tenho muitas. Lixeiras falantes, nomes de ruas, adesivos de carro, pára-choques de caminhão, pare, vire, cuidado com as renas, atenção: neve na pista, até uma bruxa voando eu já achei numa placa de trânsito. E as placas de carro marcam nos álbuns de viagem os lugares por onde eu passo. Tenho muitas, tantas! Letras e números, às vezes bandeiras. Um dia vou escrever uma frase com elas. Quem sabe um texto inteiro.
Algumas delas estão aqui.
Tenho muitas. Lixeiras falantes, nomes de ruas, adesivos de carro, pára-choques de caminhão, pare, vire, cuidado com as renas, atenção: neve na pista, até uma bruxa voando eu já achei numa placa de trânsito. E as placas de carro marcam nos álbuns de viagem os lugares por onde eu passo. Tenho muitas, tantas! Letras e números, às vezes bandeiras. Um dia vou escrever uma frase com elas. Quem sabe um texto inteiro.
Algumas delas estão aqui.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
"Diana não mora mais aqui."
Nova Iorque, flat no Bronx, seis da manhã. Um homem responde às perguntas impertinentes do agente da polícia sobre sua ex-namorada. Ela se mudou tem 11 meses, apesar de tantas horas de conversas e brigas na tentativa desesperada de salvar o amor de seis anos... Ele colabora sonolento, querendo que aquilo acabe logo. Preocupado e magoado, não quer deixar transparecer que secretamente ainda sente a falta dela... Casinha antiga num Vilarejo de Klagenfurt, Áustria. Portas e janelas fechadas, portão quebrado, jardim abandonado. "Diana não mora mais aqui", diz a vizinha encostada na porta entreaberta da casa ao lado se dirigindo ao carteiro confuso, que vê o sobrenome certo na caixa de correio de uma casa visivelmente vazia, e fica sem saber o que fazer com a correspondência destinada àquele endereço. Parece importante, um envelope gordo, mas sem remetente. A curiosidade o invade... "Diana não mora mais aqui." Do outro lado do telefone, a portuguesa explica para a voz de sotaque brasileiro que não, não sabe onde ela está, se foi sem deixar endereços ou roupas no armário. Fazia tempo que ninguém ligava atrás dela... Silêncio. Cortinas voando. Belém do Pará, num apartamento com vista para orelhões quebrados. Um grilo entra pela sacada e canta cri-cri-cri, na sala escura, cri-cri-cri, móveis cobertos, cri-cri-cri, tudo é poeira, cri-cri-cri, diz ele ao vento:
- Diana não mora mais aqui.
- Diana não mora mais aqui.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Com amor e alegria!


O que dizer de duas semanas e meia longe de casa, do namorado, do trabalho, do estudo e da suadeira de Belém do Pará?
Eu podia dizer muitas coisas, listar os poréns e ressaltar as vantagens, mas prefiro dizer simplesmente: foi perfeito.
Irmãos-amigos dos mais queridos completando as paisagens, a diversão e o descanso às vezes cansativo, mas sempre bem-vindo, que compõe qualquer viagem de Férias.
Obrigada, meus amores! =)))
=*muá
sexta-feira, 9 de julho de 2010
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Joga pro chão!
- Hum, toda arrumada, já vai pra farra, é?
- Vou, pra minha terapia semanal: bolero!
- Terapia, é?
- É! (batendo o pé) Jogar tudo pro chão!
Não lembro do diálogo, como ele foi de verdade, mas nunca esqueço das palavras da minha tia, a caminho da melhor terapia - dançar. "Jogar pro chão!" A tristeza, a raiva, a energia negativa, o stress, e até o cansaço: bate o pé no chão e joga tudo pra terra. Existe jeito melhor de se livrar de tudo isso?- Vou, pra minha terapia semanal: bolero!
- Terapia, é?
- É! (batendo o pé) Jogar tudo pro chão!

Acabei de chegar do show do Arraial do Pavulagem, que os alunos da Ufpa tiveram a felicidade de receber hoje à noite no estacionamento do Vadião. Carimbó, xote, reggae, quadrilha... Mas não tem jeito. O que ganha qualquer festa é aquele amontoado de gente na frente do palco, um imitando o outro, fazendo chegar lá na última fileira as coreografias ensaiadas lá na primeira. Todo mundo dançando junto, no mesmo passo, a batida irresistível daquela música essencialmente nortista, maravilhosamente contagiante...
Em um dos EIMEPs que participei, teve um dia uma dinâmica com músicas indígenas, e tudo que fazíamos era, em roda, acompanhar com os pés a batida da música tribal. A intenção era se conectar com a Terra e, assim, conectar-se conosco mesmos. Foi maravilhoso, vinte jovens em círculo batendo os pés em uníssono, vibrando na mesma energia e se conectando com o Planeta. Só quem já fez isso sabe como é indescritível. E no final, saímos em fila da sala, ainda batendo os pés no ritmo, e nos juntamos aos outros jovens das outras salas, e fizemos uma grande roda, todos juntos, jogando pro chão. Foi lindo!!
E depois de tanto bater pé dançando música indígena, de tanto levar a perna direita pra frente e pra trás dançando carimbó, brega, depois de tanto bater a perna direita e depois a esquerda, dois pra lá, dois pra cá, no xote, no forró, no bolero, e depois de tanto dançar as coreografias tribais do Arraial, (e mesmo quem não tá no meio, tá dançando, de tão contagiante e vibrante que esses ritmos são), a gente vai pra casa "breado", ensopado, encharcado, quebrado, moído, mas sorrindo - e leve, incrivelmente leve!
Agora me diz, isso lá acontece depois de dançar uma valsa?
quinta-feira, 3 de junho de 2010
sobre distâncias, amores e afins.
Muito já foi escrito sobre saudade. Sobre a dor da distância, sobre a dificuldade de se ter um namoro "virtual", ou pelo menos "não-presencial". Seja por causa de viagens, seja porque você deu o azar de se apaixonar loucamente por um cara que não mora na sua cidade, ou seja porque vocês já namoravam e ele foi embora - e nenhum dos dois conseguiu terminar.
Dói. E como dói.
Mas acho que pouco foi escrito sobre como manter um relacionamento assim. Falando com o Bê ontem - e me espocando de rir dentro do ônibus -, ele me pediu encarecidamente que eu revelasse a fórmula mágica que mantém relacionamentos à distância.
- Égua, me explica. Tu me dizes que depois de Europa, um ano na Alemanha, confusão, distância, vocês ainda estão juntos?
- Estamos!
- Meu Deus, se eu fosse pra Europa, eu... não sei, eu...
- Ficava solteiro?
- É! Não! Gente, como vocês aguentaram? Diana, isso não se faz! Tu não podes saber de uma coisa dessas e guardar ela só pra ti, tem que divulgar, tem que contar pra todo mundo! Que egoísmo esse teu, caramba!
- (gargalhando) Tá bom, Bê, eu te conto.
- Conta? Jura? Escreve um Best-seller pra mim?
- (chorando de rir) Best-seller! Hahahahaha! Tá eu escrevo. Mas eu vou colocar no blog, tá?
É, assim sendo, cá estou eu.
Mas parando agora pra pensar no que escrever, me dei conta de que eu não sei!! Me lembrando de quando eu viajei para fazer intercâmbio... A gente na verdade tinha pensado em terminar - sabe como é, um ano distantes, queríamos evitar a possibilidade de terminar por telefone... Aí ia ser eu na minha, ele na dele, eu lá e ele cá. E, claro, se falando todo dia, se dizendo "eu te amo", sentindo saudades e querendo tá perto. Isso não parece namoro pra vocês?
Então na última hora decidimos: vamos continuar namorando. Se algo acontecer, aconteceu. Mas se a nossa vontade é ficar juntos, que então fiquemos juntos.
Eu não vou dizer que foi fácil. Mesmo quando ele também foi pra Alemanha e ficamos separados por uma estrada de 800km em vez de por um Oceano inteiro... Foi horrível pra ele, quando ele ainda estava no Brasil, ouvir minhas histórias, ver fotos e perceber o mundo de pessoas que eu estava conhecendo, e saber que ele não era parte de nada daquilo, por mais que quiséssemos que fosse. E depois, foi muito tosco saber das baladas diárias que ele tinha na Universidade de Stuttgart, da liberdade dele dentro de uma casa de estudantes com vizinhas gostosas, das viagens sem mim porque eu tinha que ficar em casa e trabalhar.
E o jogo? Quem pegar estrangeiros, 1 ponto. Quem pegar estrangeiros raros, 10 pontos. Quem pegar Alemães em alemão, 3 pontos. Quem pegar brasileiros, 5 pontos negativos. Quem tiver namorada e pegar qualquer um deles, 50 pontos. =P
(Não lembro dos números, tô inventando.)
Pois é, era uma situação bem crítica. Mesmo morando no mesmo país, estávamos em momentos diferentes, e momentos diferentes é bem pior de segurar do que países diferentes.
Mas em momento algum deixamos de conversar sobre isso - conversas sinceras e às vezes turbulentas, mas sempre sinceras.
E no fim de cada conversa o que ficava claro era uma coisa só: nos amávamos, e isso que importava.
E apesar da saudade, das DR's, das lágrimas, das desconfianças e das confianças também, acho que a gente se saiu muito bem. =)
E eu creio que o mais fundamental pra que desse tudo certo, foi que ambos tinham plena certeza do amor que temos um pelo outro, e da vontade enorme de que continuasse dando certo.
E deu! Logo logo vamos completar 4 anos e meio de namoro (sendo tanto o aniversário de 3 anos, quanto o de 4 anos, "comemorado" pelo skype.). 4 anos e meio de cumplicidade, de respeito e de muita alegria!
Não é lindo?
Dói. E como dói.
Mas acho que pouco foi escrito sobre como manter um relacionamento assim. Falando com o Bê ontem - e me espocando de rir dentro do ônibus -, ele me pediu encarecidamente que eu revelasse a fórmula mágica que mantém relacionamentos à distância.
- Égua, me explica. Tu me dizes que depois de Europa, um ano na Alemanha, confusão, distância, vocês ainda estão juntos?
- Estamos!
- Meu Deus, se eu fosse pra Europa, eu... não sei, eu...
- Ficava solteiro?
- É! Não! Gente, como vocês aguentaram? Diana, isso não se faz! Tu não podes saber de uma coisa dessas e guardar ela só pra ti, tem que divulgar, tem que contar pra todo mundo! Que egoísmo esse teu, caramba!
- (gargalhando) Tá bom, Bê, eu te conto.
- Conta? Jura? Escreve um Best-seller pra mim?
- (chorando de rir) Best-seller! Hahahahaha! Tá eu escrevo. Mas eu vou colocar no blog, tá?
É, assim sendo, cá estou eu.
Mas parando agora pra pensar no que escrever, me dei conta de que eu não sei!! Me lembrando de quando eu viajei para fazer intercâmbio... A gente na verdade tinha pensado em terminar - sabe como é, um ano distantes, queríamos evitar a possibilidade de terminar por telefone... Aí ia ser eu na minha, ele na dele, eu lá e ele cá. E, claro, se falando todo dia, se dizendo "eu te amo", sentindo saudades e querendo tá perto. Isso não parece namoro pra vocês?
Então na última hora decidimos: vamos continuar namorando. Se algo acontecer, aconteceu. Mas se a nossa vontade é ficar juntos, que então fiquemos juntos.
Eu não vou dizer que foi fácil. Mesmo quando ele também foi pra Alemanha e ficamos separados por uma estrada de 800km em vez de por um Oceano inteiro... Foi horrível pra ele, quando ele ainda estava no Brasil, ouvir minhas histórias, ver fotos e perceber o mundo de pessoas que eu estava conhecendo, e saber que ele não era parte de nada daquilo, por mais que quiséssemos que fosse. E depois, foi muito tosco saber das baladas diárias que ele tinha na Universidade de Stuttgart, da liberdade dele dentro de uma casa de estudantes com vizinhas gostosas, das viagens sem mim porque eu tinha que ficar em casa e trabalhar.
E o jogo? Quem pegar estrangeiros, 1 ponto. Quem pegar estrangeiros raros, 10 pontos. Quem pegar Alemães em alemão, 3 pontos. Quem pegar brasileiros, 5 pontos negativos. Quem tiver namorada e pegar qualquer um deles, 50 pontos. =P
(Não lembro dos números, tô inventando.)
Pois é, era uma situação bem crítica. Mesmo morando no mesmo país, estávamos em momentos diferentes, e momentos diferentes é bem pior de segurar do que países diferentes.
Mas em momento algum deixamos de conversar sobre isso - conversas sinceras e às vezes turbulentas, mas sempre sinceras.
E no fim de cada conversa o que ficava claro era uma coisa só: nos amávamos, e isso que importava.
E apesar da saudade, das DR's, das lágrimas, das desconfianças e das confianças também, acho que a gente se saiu muito bem. =)
E eu creio que o mais fundamental pra que desse tudo certo, foi que ambos tinham plena certeza do amor que temos um pelo outro, e da vontade enorme de que continuasse dando certo.
E deu! Logo logo vamos completar 4 anos e meio de namoro (sendo tanto o aniversário de 3 anos, quanto o de 4 anos, "comemorado" pelo skype.). 4 anos e meio de cumplicidade, de respeito e de muita alegria!
Não é lindo?
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Mutirão de Novo!
Dia 16 de Maio, contamos com todos que tiverem interesse e boa vontade, para juntarem-se a nós no segundo Mutirão da 25 de Setembro!!
Vista sua camisa verde mais fuleira e venha fazer um exercício físico e ajudar o planeta e a nossa cidade. =D
Qualquer dúvida, envie um email para colorindosonhos@gmail.com ! Participe!
http://www.grupocolorindosonhos.blogspot.com
Vista sua camisa verde mais fuleira e venha fazer um exercício físico e ajudar o planeta e a nossa cidade. =D
Qualquer dúvida, envie um email para colorindosonhos@gmail.com ! Participe!
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sábado, 1 de maio de 2010
Mutirão do Bem!
Muito obrigada a todos que vieram, que participaram das reuniões, que ajudaram com os preparativos e que mandaram boas energias pra que nosso mutirão desse certo!!! Vim aqui dar notícias de como foi (pra mim).
Escolhemos começar por um quarteirão compricado. Lá é depósito não oficial de lixo e entulho, e as pessoas jogam lixo ali com carroças, carrinhos etc, sem o menor pudor. Inclusive presenciamos uma bela cena dessas, e ficamos de mãos atadas, com o pensamento de que, se eles não jogarem ali, vão jogar em outro lugar igualmente péssimo. Acho que esse ponto deve ser anotado para que pensemos numa solução para o problema.
Bom, 1/8 da meta de 8 quadras foi cumprida. Aêêêê! =) Isso mesmo, passamos a manhã toda limpando uma quadra só - quase quatro horas de trabalho intenso. A avaliação que eu fiz foi: fizemos um ótimo trabalho, graças à nossa boa vontade e a ajuda divina dos lixeiros que nos acompanharam. Tiramos lixo que devia estar lá há meses, vimos coisas bem desagradáveis, mas no final a quadra que estava um LIXO, ficou um brinco, e eu fiquei bem feliz. Não só eu - moradores do prédio em frente à quadra nos observaram e um deles veio até conversar com a gente. A receptividade nas casas, pelo que eu ouvi, também foi muito boa, e arranjamos até um possível espaço de reunião. =)
A divulgação nas ruas foi a mais intensa: as nossas garotas-propaganda fizeram um ótimo trabalho nos sinais, com direito a cantadas e parabéns pela iniciativa. Percebi que, por menor que seja, terá uma repercussão e que conquistamos algumas pessoas para a causa, não sei quantas, podem ser poucas, mas cada pessoa produz 600g de lixo por dia, então toda ajuda é válida!
Bom, e se com 9 pessoas, o resultado foi positivo, imagina se tivermos mais gente! Então eu acho que agora é hora de divulgar bastante, levar pros centros espíritas, pros colegas da faculdade e pros familiares essa campanha que cansa, suja, arrasa com a gente, mas no final, depois de um banho e de um sono, eu respiro aliviada e feliz, pronta pra próxima. =)
céu azul: limpo na noite anterior pela chuva
que começou 10 da noite e terminou 5 da manhã. =) Papai do Céu sabe o que faz.
http://www.grupocolorindosonhos.blogspot.com
Escolhemos começar por um quarteirão compricado. Lá é depósito não oficial de lixo e entulho, e as pessoas jogam lixo ali com carroças, carrinhos etc, sem o menor pudor. Inclusive presenciamos uma bela cena dessas, e ficamos de mãos atadas, com o pensamento de que, se eles não jogarem ali, vão jogar em outro lugar igualmente péssimo. Acho que esse ponto deve ser anotado para que pensemos numa solução para o problema.
Bom, 1/8 da meta de 8 quadras foi cumprida. Aêêêê! =) Isso mesmo, passamos a manhã toda limpando uma quadra só - quase quatro horas de trabalho intenso. A avaliação que eu fiz foi: fizemos um ótimo trabalho, graças à nossa boa vontade e a ajuda divina dos lixeiros que nos acompanharam. Tiramos lixo que devia estar lá há meses, vimos coisas bem desagradáveis, mas no final a quadra que estava um LIXO, ficou um brinco, e eu fiquei bem feliz. Não só eu - moradores do prédio em frente à quadra nos observaram e um deles veio até conversar com a gente. A receptividade nas casas, pelo que eu ouvi, também foi muito boa, e arranjamos até um possível espaço de reunião. =)
A divulgação nas ruas foi a mais intensa: as nossas garotas-propaganda fizeram um ótimo trabalho nos sinais, com direito a cantadas e parabéns pela iniciativa. Percebi que, por menor que seja, terá uma repercussão e que conquistamos algumas pessoas para a causa, não sei quantas, podem ser poucas, mas cada pessoa produz 600g de lixo por dia, então toda ajuda é válida!
Bom, e se com 9 pessoas, o resultado foi positivo, imagina se tivermos mais gente! Então eu acho que agora é hora de divulgar bastante, levar pros centros espíritas, pros colegas da faculdade e pros familiares essa campanha que cansa, suja, arrasa com a gente, mas no final, depois de um banho e de um sono, eu respiro aliviada e feliz, pronta pra próxima. =)
que começou 10 da noite e terminou 5 da manhã. =) Papai do Céu sabe o que faz.
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coisas relacionadas
coleta seletiva,
mutirão,
Rua 25 de Setembro,
trabalho voluntário
quinta-feira, 29 de abril de 2010
emaranhado
No carro, eu e ele, indo pra casa. Eu com a minha mania de olhar placas de carro e descobrir significados, me deparo com a placa do carro em frente ao nosso e caio na gargalhada. Qualquer um que olhasse acharia que eu estava rindo do "69" duplo, mas ele não. Ele entendeu que não era só isso. É tão bom não precisar explicar tudo o tempo inteiro...
No cinema, vendo a Alice, ele começa: "o gato é aquele cara que canta uma música ridícula naquele filme que você gosta". Como eu não reconheci?? "É?", perguntei, e ele "você sabe de quem eu tô falando?"... claro que sei. Com uma descrição dessas, como eu não saberia? Ele riu. A gente se entende, mesmo. E continuamos a brincadeira-nerd-preferida (ou uma das): adivinhar os atores que dublam os desenhos animados.
Antes de dormir falávamos de fulana, uma amiga em comum (raros não o são), e de repente ele pergunta, a ciclana ainda está na Ufpa? Nada a ver fulana com ciclana, por que ele lembrou dela? "As duas usam o sutiã do mesmo jeito..." Ah, tá, entendi.
Nos livros, nos filmes, nas músicas, ele aprendeu como a minha mente funciona: embaraçada, emaranhada, uma coisa liga a outra que leva a uma terceira, e pula pra quinta e sai em disparada. E não é que aprendeu a fazer isso também?
Vantagens da famosa pergunta que permeia inícios de namoro: "o que você está pensando?" Um dia paramos de perguntar. Uns param porque já não se interessam mais. Nós paramos porque agora conseguimos adivinhar.
No cinema, vendo a Alice, ele começa: "o gato é aquele cara que canta uma música ridícula naquele filme que você gosta". Como eu não reconheci?? "É?", perguntei, e ele "você sabe de quem eu tô falando?"... claro que sei. Com uma descrição dessas, como eu não saberia? Ele riu. A gente se entende, mesmo. E continuamos a brincadeira-nerd-preferida (ou uma das): adivinhar os atores que dublam os desenhos animados.
Antes de dormir falávamos de fulana, uma amiga em comum (raros não o são), e de repente ele pergunta, a ciclana ainda está na Ufpa? Nada a ver fulana com ciclana, por que ele lembrou dela? "As duas usam o sutiã do mesmo jeito..." Ah, tá, entendi.
Nos livros, nos filmes, nas músicas, ele aprendeu como a minha mente funciona: embaraçada, emaranhada, uma coisa liga a outra que leva a uma terceira, e pula pra quinta e sai em disparada. E não é que aprendeu a fazer isso também?
Vantagens da famosa pergunta que permeia inícios de namoro: "o que você está pensando?" Um dia paramos de perguntar. Uns param porque já não se interessam mais. Nós paramos porque agora conseguimos adivinhar.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
E o Mutirão vai acontecer!!
Em Belém do Pará, na Rua 25 de Setembro, no dia 25 de Abril!!
Simbora, galera! =)
Mais informações:
http://grupocolorindosonhos.blogspot.com
Simbora, galera! =)
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