domingo, 10 de maio de 2009

Alles gute zum Muttertag. <3

Dia das Maes, todo mundo acorda, toma café, sai e os filhos nao lembram de dar parabéns ou um abraco ou qualquer coisa para a coitada da mae. Já viram esse filme? Pois é, isso acontece com frequência também nos países de primeiro mundo. Na verdade, o único dia que isso é quase impossível de acontecer é no dia de Natal, creio que porque todos estao ansiosos pelos seus presentes e nao têm como esquecer a data. Mas nos demais dias, quando só temos que dar, e nao receber nada em troca, é mais difícil de lembrar. Nao é?
Bem, eu lembrei, nao tinha como esquecer, porque estava muito ansiosa pra ver se as maes iam gostar dos meus presentes.

Mas conversando com a mae daqui, percebi uma certa invejinha quando eu contei que no Brasil o dia das maes era dia de reunir a família toda, e por vezes rolavam homenagens, e tinha uma grande jogada de marketing e consumismo envolvido na história, mas também cartoes carinhosos e cestas de café da manha.
A mae daqui gosta muito de família reunida. Pena isso nao ser tao frequente.

Povo europeu é muito engracado. Primeiro: o assunto preferido deles é o tempo. Quer comecar uma conversa com uma menina na rua? Comenta do tempo. Do dia bonito, da chuva de ontem, ela nao vai achar clichê. E se eles vao comecar uma história? "Ah, ano passado eu estava em Madrid, o tempo estava horroroso..." "Ah, fomos esquiar semana passada. Só chuva, mas no último dia fez um solzao..." "Ah, entao valeu a pena..." "É..."

Outra coisa: eles têm toda a tecnologia possível em todos os aspectos, os melhores carros, os melhores eletrônicos, por um preco mais acessível (ou um salário melhor), toda a parafernália pra satisfazer a mania de novo, a mania de muito e a mania de diferente e original.
Cozinhar é rápido, quase imediato. Assim sobra mais tempo pra comer e degustar. Chegar nos lugares é fácil e prático. Assim tem mais tempo pra ficar lá. Se faz frio, tem a lareira e uma casa aquecida. Se faz sol, tem uma mesa lá fora prontinha pra ser armada, e uma sombra útil pra quem tem a pele muito branca. Se você tem que comprar muitos presentes de Natal e nao tem tempo de escolher um por um, você liga e pergunta o que a pessoa quer, e anota, e compra, e pronto. Todos felizes.

Mas as datas comemorativas sao praticamente as únicas datas quando eles se abracam, quando eles trocam palavras carinhosas, entre parentes próximos mesmo, como irmaos e primos.
E ainda nessas datas, os filhos esquecem, os maridos esquecem, e os aniversariantes/homenageados/etc se frustram e nunca mais esquecem.
E vira piada, pra nao dizer cobranca constante.

Acho que nós brasileiros temos lá nossas birras, nossas manhas e nossas desculpinhas esfarrapadas, mas a gente sabe que nao tem jeito melhor de resolver um lapso de memória que um sorriso e um abraco apertado, mesmo que à forca. E por mais que muitas vezes as amizades sejam superficiais, os sentimentos sejam fugazes e os parentes se sintam obrigados a se reunir, só porque é família, e família a gente "nao escolhe", o ponto é que quando a gente gosta, a gente ama, e a gente fala, e isso faz bem. E ouvir isso faz bem. E abracar faz um bem, que ô...
Você recebe um estranho em casa mas faz tudo pra deixá-lo à vontade, você o acolhe, e logo vocês sao melhores amigos. A quantidade de pessoas que eu conheci em minha vida, pessoas que vi só um dia, mas que eu de vez em quando lembro, e quando eu encontrar de novo eu vou abracar e perguntar, "tudo bem?", e vou ouvir "ótimo, e você?", mesmo que esteja tudo péssimo...

Por esas e outras, a ordem é que todos daqui deveriam ir ao Brasil pelo menos uma vez. E todo brasileiro deveria vir aqui pelo menos uma vez.
A possibilidade de troca, de aprendermos uns com os outros, é infinita, e seria maravilhoso, juntar as duas partes, a parte boa de cada um. O alemao metódico e formal, com o brasileiro sensível e flexível. O brasileiro gentil e espontâneo, com o alemao tímido e inseguro. O inverno alemao com o verao brasileiro, a comida brasileira com a vontade de comer dos alemaes. As belezas do mundo com os olhos de todos, um aprendendo com o outro, o brasileiro aprendendo a prestar atencao e a valorizar. O alemao aprendendo que você nao precisa de álcool pra isso. =P

Mas enquanto isso nao acontece, a gente segue em frente, brasileiros e europeus, todos amando e sendo amados à seu jeito. Mas vem cá, o importante nao é isso mesmo?

2 comentários:

Xisto, M. disse...

Tô indo praí aprender e ensinar.

Adorei o texto, me empolgou, de alguma forma.

Diana disse...

Eba! =)