sexta-feira, 3 de abril de 2009

Últimos momentos... (fotos)











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Últimos momentos...

...do diário que foi encontrado enterrado na neve da Áustria.

Österreich: Salzburg: Obertauern: 14 Mäarz 2009: niver T1.

Céu lindo lá fora... MUITO frio, pra contrastar com o dia calorento (MESMO) que fez hoje. Sol o dia inteiro, com direito a banho de sol em cadeiras de sol ao redor do Hotel. Muito bom!
Acho até que estou com o rosto corado. E com marca de blusa, e talvez até dos óculos. Fomos jantar no Alte Alm, e tanto a ida quanto a volta foram à pé. E na volta, céu estrelado, de ficar babando, cacando estrelas... Belo.
Queria o Fê aqui. Ia ser maravilhoso... Eu fico me imaginando com todo o pessoal do Evangelho e minha família.. O Gabriel ia se divertir tanto na neve!! Tô com saudade do meu mano lindo... Me dá um aperto tao forte no peito quando eu penso que eu vou voltar e ele vai estar enorme, e a Isadorinha vai estar tao diferente, engatinhando, quem sabe andando... =/ E quando eu lembro deles, o Gabriel rindo, correndo, tao lindo... =/ Ai, que dor..
E meu namorado, todos os dias ele me manda mensagem, uma, duas, até três vezes por dia, desde que cheguei aqui. Ele nao mede esforcos pra me ver sorrir, e cada mensagem é um sorriso imediato e demorado (...). E quando eu vejo um céu lindo assim, primeiro eu esqueco de tudo (nada melhor que um céu bonito pra me fazer viver só o presente), e depois eu me pergunto se lá eles também estao vendo um céu estrelado, e depois eu me toco que nao, nao estao, porque agora sao 4 pra 5 da tarde em Belém.
...
Amanha comeca meu curso de Ski. E amanha é o penúltimo dia que passamos aqui. Terca de manha partimos, pra chegar de tardinha em Paderborn e ficar lá até o fim de semana. Entao, como diria o Volker, durmamos!

(...)

16 März 2009 7:53 AM

Acordei cedo hoje, com dor no corpo inteiro! Ontem eu passei quase o dia inteiro esquiando, no curso. O curso foi bom e ruim, bom porque esquiar é bom demais, ruim porque o professor era esquisito demais. Esquiar trabalha cada músculo do corpo, é impressionante. Pelo menos para quem tá comecando. Eu sinto como se eu tivesse feito abdominal o dia inteiro, e também andado à cavalo e também carregado um monte de caixas pesadas, e também corrido com pesinhos nas pernas, de ponta de pé e também treinado danca do ventre e ioga. TUDO dói!!!
E hoje, logo hoje, que eu vou subir a montanha e esquiar numa montanha de verdade! Ui...
Ontem antes de dormir eu tive loooongas conversas com o Willi, a Manuela e a Eva. Na verdade a conversa comecou quando eu cheguei do curso, quase quatro da tarde, e só terminou quando eu fui dormir, nove e meia da noite.
Conversamos sobre tanta coisa legal, nossa, eu totalmente adoro as conversas com essa família. Eu tenho MUITA sorte mesmo!!
As histórias que eles me contam sao memoráveis. A Eva contou que quando o Willi tinha 12 anos, ele queria ficar lendo à noite, e ela nao deixava e mandava ele dormir. Entao ela entrava no quarto dele de 10 em 10min pra ver se a luz tava apagada e se ele estava dormindo. Ele entao pegou um relógio alarme, tirou o que tinha dentro e colocou uma lâmpada, que ele ligou num fio que passava pelo teto e ia parar no interruptor, pegando a energia da casa e acendendo a "lanterna". Mas esse mecanismo era ligado em clipes de papel que de algum modo acionavam a energia quando a porta estava fechada, e a desativavam quando a porta era aberta, de modo que quando a Eva ia checar, abria a porta e o quarto estava escuro, e o Willi estava "dormindo", cheio de coisas embaixo da coberta. E quando ela fechava a porta, a luz do relógio acendia automaticamente, e ele podia voltar a ler. =)
E ele contou das viagens que ele fez com a Raimbow Tours, uma empresa de turismo barato daqui, que tem viagens pra diversas partes da Europa (vou com essa empresa pra Amsterdan no final de Abril). O fato é que o Willi contou que trabalhou na Raimbow tours, quando tinha 26 anos, como guia turístico! =D Ele tem umas histórias ótimas!
Bom, mas agora preciso parar de escrever porque.. uma montanha me espera! (ou duas, ou três).


(Abend) 20:18

Cara... é maravilhoso. E eu nem cheguei no ponto onde a gente realmente aproveita a coisa.
A vista, a sensacao de estar caindo, caindo, sem medo de morrer... Eu tive medo de morrer. Mas só a cada comeco, a cada vez que eu tive que dar o primeiro impulso. Depois, pra mim era "egal" se eu caísse ou nao. Eu já tava indo, agora vamo encarar. E eu encarei. Duas, três, quatro, seis vezes, subir no teleférico e descer a montanha, cada vez numa pista diferente. E eu caí tantas vezes que perdi a conta, mas só a primeira foi feia. Eu nem lembro direito como foi, mas lembro que meu esqui nao abriu e eu nao podia me mexer, quer dizer, nao podia mover as pernas, e ninguém fez nada para ajudar, só ficaram olhando eu de perna aberta e bunda pra cima... E eu fiquei dizendo em alemao "a perna! a perna! tá doendo!" e o professor foi lá e abriu a alavanca que prende o esqui à bota. E depois ficou perguntando o que aconteceu, dizendo que eu tinha feito errado, perguntando por que eu nao parei, e eu disse, eu tentei! e ele brigou comigo porque aquilo era ruim pra ele, como professor, ruim pra "reputacao" e eu disse "desculpe!" em alemao, porque eu nao saberia dizer em alemao "eu nao sei se deu pra perceber, mas eu nao fiz o movimento errado com a intencao friamente calculada de me esbofetar na neve e estragar sua reputacao". =P Enfim. Depois eu caí tantas vezes que ele já nao estava mais nem aí, e nem me esperava chegar pra dar as próximas instrucoes, e eu meio que me virei sozinha. Fiz como sabia fazer e fiz bem. A verdade é que tudo que eu aprendi de esqui foi com o Willi e com a Manuela, e o que nao foi com eles, aprendi caindo, errando e tentando diferente. E cheguei a sábias conclusoes!
1. Para iniciantes, é muito ruim que a vista lá de cima seja tao bonita, porque ou você aprecia e cai, ou presta atencao no que tá fazendo e perde toda a paisagem, vendo só sue pé e a área em volta dele.
2. Esquiar se resume a fazer tudo que seu corpo diz para nao fazer. Lute com seu corpo, e se ele nao obedecer, depois de algumas quedas ele aprende a licao.
3. Nao tem nada melhor que aproveitar o fato de você ter caído. Deite na neve e descanse um pouco, porque esquiar é MUITO cansativo.
4. Nao tem nada melhor que ser iniciante em esqui se você procura algo para substituir a academia. Trabalha absolutamente todos os músculos do seu corpo, principalmente aqueles que você nem sabia que existiam.
5. O primeiro dia é exaustivo, e a primeira pisada naquele treco dá uma sensacao de vazio interior e um medo do que vai te acontecer (porque você tem absolutamente KEINE ANUNG* do que vai te acontecer), é um absurdo. Mas se você nao desistir, no dia seguinte é como se você nunca tivesse estado fora dos esquis. (Exagero, claro, mas você se sente muito à vontade).
6. E cuidado: vicia.

Bem, depois de todas as milhoes de voltas com o professor e suas 9 alunas (mulheres), eu resolvi parar por ali, e fui pra pista dos iniciantes onde eu fiquei ontem. Encontrei o Rudolf (o prof de ontem) e a Noel, a sul-africana, e fui passear com ela depois da aula, subimos e descemos duas vezes e eu dei as dicas que os dois me deram e que o Rudolf DEVIA ter dado. Ela é tao fofa! E tem 27 anos, nem parece. Parece uns 20, sei lá.
E aí depois o Willi e a Manuela chegaram pra me buscar pra dar uma volta na montanha com eles. E adivinha? Foi MUITO melhor que com o professor. Eles sao muito mais pacientes, atenciosos e dao as dicas certas e têm muito mais prazer em fazer isso tudo. E valorizam de verdade meus avancos, muito importante.
Mas foi difícil, eu tive muito medo e várias vezes eu quis desistir. Mas como se desiste disso quando se está no alto de uma montanha cheia de neve, onde as únicas saídas possíveis sao pistas de ski? =P
Sendo assim, fui até o final, e no final tinha um bar (o mesmo das outras vezes) onde entramos para o último (pra mim, o primeiro autêntico) Aprés Ski.
E depois, esquiando pra casa! Foi 10. =)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Cenas de Novela

Uma selecao muito restrita das quase quinhentas imagens do capítulo.





























terça-feira, 31 de março de 2009

Novela Mexicana

Ô povinho pra gostar de viajar, esses europeus viu... O resultado é que as passagens de trem, ônibus e aviao variam de preco do mais esculhambado ao mais chique no úrtimo. A passagem da moda é a de grupo. Pega um grupo de amigos, cinco pessoas bastam, e vocês pagam de seis a sete euros pra passar um fim de semana em qualquer canto da Alemanha. Tem ticket que te leva até à Dinamarca, mesmo que seja o cantinho sul dela.
Aproveitando que estamos na Alemanha, somos cinco e gostamos de viajar, resolvemos pegar o tal ticket. O ticket pode ser usado do jeito que a gente quiser, e às vezes é válido até para o transporte local da cidade-destino. Ou cidadeS-destino. Se você estiver à procura de números, visite quantas cidades conseguir em quarenta e oito horas. E corre! Porque tem muita coisa pra ver.
Bem, convida daqui, convida outra ali, acabamos sendo mais que cinco pessoas. Éramos seis. Que nem a novela. Fato nao muito agradável, pois o ticket é para no máximo cinco pessoas, de modo que teríamos que comprar dois tickets, e o preco ia sair quase o dobro. Eu nao vou, vocês vao. Nao, de jeito nenhum, eu que tô sobrando, vocês vao. No way! Eu fico. Fomos todas. Tudo gracas a uma mexicana que furou. A verdade é que a diferenca entre com a mexicana e sem a mexicana nao era tao grande assim, mas somos todas au pairs, e onde se lê "au pair", leia-se "pobre de marre de ci".
Com uma hora de atraso (em parte por minha culpa, em parte por culpa da mexicana), deixamos de drama e partimos para Lübeck. Lübeck é a cidade que abriga o aeroporto (que na verdade é um barraco onde os avioes pousam) com as passagens mais baratas de Hamburgo. Você consegue passagem para Londres por cinco euros, mais taxas. E com sorte, as taxas nao vao ser tao altas. Eu já tinha, por uma infelicidade do destino, conhecido o tal aeroporto, e a ida para lá doeu no peito, e a volta para lá foi muy bizarra, entao resolvi ir nessa aventura de trem com as meninas, para ver se curava meu trauma.
O dia estava chuvoso, chatinho e frio. Mas éramos seis, e seis é quase sete, que é o número da perfeicao. Sete e sete sao catorze, com mais sete vinte e um, gatos têm sete vidas, a alma tem sete camadas, o mundo tem sete maravilhas, sete mares e sete continentes (se dividirmos a América em três, como é de praxe).
E éramos quase sete, o que faz qualquer coisa uma boa coisa. E nos divertimos muito. Visitamos algumas igrejas de Lübeck, uma delas com um calendrário astronômico, enorme e complexo, que me fascinou. E lendo as histórias do bombardeio à cidade durante a Guerra, as meninas descobriram que o aniversário de 67 anos do Bombardeio era justamente naquele dia, onde estávamos naquela Igreja, vendo aquelas ruínas! 29 de Março de 1942!! Louco, né!
Andamos, andamos, fotografamos e rimos muito. E terminamos nosso tour ainda a tempo de... visitar outra cidade!!
Chegamos à Estaçao de Lübeck no último minuto, a tempo de pegar o trem em direçao a Kiel, mas nossa intençao era descer antes, em uma cidade da qual nenhuma de nós jamais ouviu falar, mas que era pequenininha, e dava pra ser vista em cinco minutos. Visitaríamos essa cidade e depois iríamos a Kiel, fazendo um três em um, bem misturado e servido gelado em taça de plástico.
Descemos em Plön. A estaçao de Plön era uma casa (que estava fechada), uma calçada com a máquina de tickets e uns bancos, dois trilhos de trem e, logo ao lado dos trilhos, um caminho à margem de um lago. Nao sabíamos como chegar no caminho, entao olhamos para um lado, olhamos para o outro e... atravessamos os trilhos! Preciso dizer que tiramos mil fotos nos trilhos? Com direito a foto deitada, sentada, andando e em grupo. Lógico, com muitos olhos atentos a qualquer sinal de qualquer trem que se aproximasse.
Andamos pela margem do lago, que era lindo, e de onde víamos quase toda a cidade. Me lembrou o Wörthersee, só que sem montanhas. E fomos ao cais, e voltamos, e entramos no centro da cidade, que é do tamanho da Praça da República, se nao menor. De lá fomos ao "Castelo" da cidade, um casarao antigo, branco, em uma colina, de onde tínhamos outra vista do lago. Muito melhor que a paisagem e que as construçoes, claro, é a palhaçada, as fotos e a Jenn pegando um balao da lanchonete e brincando com ele a tarde inteira, que nem uma criança. Adoro essa menina.
Naturpark, Rathaus, uma mansao com um Jardim enorme, tudo ao redor do lago e pertinho, mas acabamos ficando lá a tarde toda e desistimos de Kiel.
Pegamos o trem de volta a Lübeck, e depois outro de volta a Hamburg, e no caminho de volta, o sol resolveu aparecer e nos presentear com um fim de tarde de cartao postal.
Em Hamburg, sete e meia da tarde (porque aqui já é horário de verao), pegamos o barco que já peguei tantas vezes com minhas visitas turísticas, e vimos o pôr-do-sol lá de cima, e descemos na "praia" de Hamburgo, e caminhamos até o fim, só chegando em casa às dez, quase onze da noite.
Entao, foi que nem na novela. Começa-se com um bom plano de vida, encontra-se um bom dramalhao e uma indecisao do que diabos fazer com o futuro, e acaba-se aproveitando o presente e fazendo um bom final cansado, mas feliz. =)

quarta-feira, 25 de março de 2009

momentos congelados.

Abaixo se seguem as primeiras fotos que conseguimos recuperar. Elas estavam bastante destruídas, por conta das baixas temperaturas a que foram submetidas. Mostram uma menina alegre, em uma paisagem como a descrita no diário. Ainda nao conseguimos descobrir seu nome, mas estamos investigando seus escritos a fundo, para tentar encontrá-la.



terça-feira, 24 de março de 2009

Longas mensagens.

Um pouco mais do diário ensopado...


Österreich, Salzburg, 11 März 2009
sobre o dia em: Österreich, Kärnten. Vilarejo chamado Pörtschach am Wörthersee

Fomos hoje à casa onde a Manuela nasceu e foi criada. Conheci uma parte da família dela, que ainda mora lá. Duas tias, uma prima de 21 anos e a avó. A avó dela tá muito dodói, nao anda mais, nao fala e nao consegue mais expressar emocoes. Esses dias ela soube que ela nao abre mais o olho. Muito triste. =/ E conhecendo ela, nós temos a certeza de que ela tem nocao do que acontece ao redor dela. Imagina o que é todo mundo ao teu redor, falando contigo, e você nao poder expressar reacao alguma.. E quando fomos lá a Manuela levou a Felia para mostrar pra ela. Ver essa cena, a Manuela e a Adele (mae da Manuela) com a Felia no colo, mostrando a nova bebê pra bisavó, foi lindo e me deu tanta vontade de chorar...

...
A casa é grande e uma das tias mora no andar de cima, e a outra no andar debaixo, cuidando da mae. Lá nós almocamos e saímos para passear com a Felia. Fomos eu, Willi, Manuela, Felia, Eva Luca e Eva (a prima). O lugar é absolutamente lindo, daqueles de encher os olhos. Cercado de montanhas baixas, por trás das quais se vê montanhas maiores, essas cobertas de neve. Mas onde nós estávamos estava verde e o sol brilhava e até esquentava um pouco. Era uma cidadezinha pequena e charmosa, com um lago grande que a separa das demais cidadezinhas da regiao. Eu quis ficar lá pra sempre, só pra ver aquele lugar tao lindo ficar cada dia mais lindo, com a chegada da primavera e do verao, e depois do outono. Deve ser lindo demais!
(...)
Uma hora e meia depois de sair de lá, voltamos à neve, ao vento e aos dez graus negativos. A viagem foi divertida, me distraí entretendo o Luca, que é muito infeliz por ser o único ser de 8 anos no meio desse bando de gente entediante e adulta.
(...)
As brincadeiras foram soletrar, rimar, cantar, contar até quatrocentos (e até 10 em português - muito FOFO ele falando português!!) e calcular a diferenca de alturas e de idades entre as pessoas do carro. =)
Ontem também brincamos juntos na neve depois do jantar: costela de porco comida com os dedos, arrancando a carne com os dentes, acompanhada por batata assada de forno, recheada com sour cream. Delicioso!! E no caminho pra casa, afundei num barranco de neve e o Bubi fez sinal pro Luca e os dois se jogaram em cima de mim, me cobrindo de neve até as orelhas! (dentro das orelhas tb!) Eu nao fiquei tao assustada quanto da primeira vez (o Bubi já tinha feito isso de manha e eu fiquei pasma, sem outra reacao a nao ser gritar "seu doido!!" em todas as línguas que eu sabia). Tinha neve dentro da minha roupa, descendo nas minhas costas e dentro da minha bota! E nao tinha como tirar!!
(...)
Eu gritava e gargalhava, e eu perguntei pra Eva "o que eu faco com esses dois?" ao que a Eva respondeu, revida! E eu peguei uma bola de neve e coloquei no pescoco do Bubi, e a Manuela se juntou, e os dois comecaram uma guerra de neve da qual logo toda a família estava participando! Menos a Felia, claro.
=) Divertidíssimo.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Eva

Ainda transcrevendo o diário de bordo perdido.


"Salzburg, Österreich, 10 März 2009

Dia MUITO divertido.

(...)

À tarde comecei a ver Finding Neverland, mas antes que o filme terminasse, fui intimada a acompanhar a Eva até a Kaufhaus (cauf raus), que é uma lojinha onde vende quase tudo, para comprar suco de laranja. Fui meio de mau gosto, porque estava cansada e porque queria terminar de ver meu filme, mas como nao tinha opcao, mandei o mau humor passear e fui, pescando assunto para conversarmos. A ida foi longa e cansativa, e eu me perguntava, porque diabos eles nao compravam logo todos os sucos da semana? Ia nos poupar fôlego! Mas sempre que eu saio com a Eva eu me divirto à beSSa, e dessa vez nao foi diferente.
Na volta ela me levou pr'aquele bar onde tem o Aprés Ski, só que dessa vez entramos e pedimos bebidas. Eu nao tive coragem de beber álcool alo dentro, entao pedi um suco de laranja.
Gente. Foi uma piada. A Eva bebendo Glühwein, dancando e cantando as músicas austríacas dos anos 70, no meio de um bando de jovens e adultos bêbados, num lugar mínimo onde mal se podia respirar, com uma música tao alta que nao ouvíamos nossa própria voz. E por onde ela passava os caras falavam com ela e abriam passagem, nao sei se porque ela é velhinha e eles achavam curioso, ou se queriam ajudar, ou se era pra avacalhar. Eu fico com a primeira opcao, mas ela com certeza ia dizer que eles estavam sendo gentis pra poder se aproximar de mim.
E de fato uns falaram comigo, e na saída teve um que parou o carro, abriu a porta e falou com a Eva algo que eu nao entendi, e que depois ela resumiu dizendo "He said you're very sweet." Vai saber o que isso significa. Mas eu nao lembro a última vez que eu ri tanto quanto nesses 20 ou 30 min. E depois ela já estava meio alta, e veio o caminho de volta inteiro falando.
Falou das flores que nascem quando a neve derrete, fenômeno que ela presenciou quando crianca. Durante a guerra eles levaram classes de criancas para passar um ou dois anos em lugares remotos e calmos, porque em Hamburg estava tendo bombardeio.
E ela foi levada pra parte alema dos Alpes, ela tinha 13 ou 14 anos e se divertiu muito.
E ela contou da primeira vez que ela foi a Paris sozinha, quando era jovem. E ela perguntou a um homem na rua como se ia a tal lugar, e ele respondeu que a levaria e mostrou o carro dele, um conversível que estava estacionado a poucos metros.
Ela pensou "se ele tentar fazer alguma coisa comigo eu grito por socorro e todos na rua vao ouvir", e foi com ele.
Ele era gentil e simpático, e a levou numa exposicao de carros antigos e depois ela conheceu a night de Paris e se divertiu muito. =)
(...)"