quinta-feira, 12 de março de 2009

Curtas Mensagens

Mais escritos retirados do diário enterrado na neve da Áustria.

Algumas fotos foram encontradas em um bolso do diário. Estas estao sendo escaneadas, tratadas e recuperadas, para podermos colocá-las aqui.



Österreich, 8 März 2009



(...) Encontramos o Bubi num bar, lotado de esquiadores que tomavam banho de sol bebendo cerveja. É muito cômico, todas aquelas pessoas empacotadas até o pescoco, algumas até os narizes, deitadas em cadeiras de praia, conversando e bebendo, como se estivessem de frente pro mar. E na verdade, eu tive várias vezes a impressao de estar no Atalaia: o vento, o movimento de carros e pessoas, o sol... igualzinho. Mas ao invés de um monte de areia branca, é um monte de neve branca. Saudade de Salinas... Bom, depois de beber e almocar no bar, fomos eu e Eva para a "cidade" fazer compras. (...) Conversamos sem parar, e eu gosto cada vez mais dela. =)

Nos divertimos tirando fotos, entrando em becos misteriosos, deitando da neve e ela até me levou em um bar pra me mostrar o "Aprés Ski" (aprexi), que é a festa diária que lota bares transformando-os em boates. Um zilhao de pessoas em roupas de esqui, bebendo, dancando e paquerando, num bar escuro com música alta e luzinhas coloridas, e até globo espelhado. É muito engracado. =) Às 4 da tarde!! Ainda tem sol lá fora! Ai, ai, esses europeus malucos...

(...)



Bem, à noite saímos todos juntos para jantar (no mesmo lugar que entrei com a Eva, mas estava quase vazio e até silencioso). O lugar parecia ter saído do mundo de Tolkien, do Senhor dos Anéis. Com uma estrutura de madeira clara, pura, cheio de coisas penduradas (espadas, escudos, brasoes e até um timao de navio! e animais empalhados, eles amam isso por aqui, é muito esquisito) e inscricoes em letras medievais de um alemao medieval. É muito legal. Você realmente espera ver a qualquer momento um monte de anoes em armaduras, bebendo cerveja em baldes e grunindo.



(...)

quarta-feira, 11 de março de 2009

Curtas Mensagens

Mais escritos do diário de bordo ensopado.


Österreich, 7 März 2009

Áustria. Será que a Áustria é assim, por toda parte?
Florestas densas, espalhadas em vales, montanhas, de todos os tamanhos, cortadas por rios que caem em pequenas cachoeiras, acompanhadas pelas estradas que me lembraram muito Minas Gerais. Chegamos no hotel em meio a uma tempestade de neve, com um vento tao forte que a neve cai na horizontal. Eu tô aqui sentindo calor, na sala que também é o meu quarto, num apartamento enorme de um hotel bonitinho (apesar de seus bizarros animais empalhados, espalhados pelo restaurante e pela recepcao). De onde eu tô, vejo pela janela uma montanha gigante coberta de neve e de pinheiros quase todos cobertos pela neve, e neve, neve caindo na horizontal. Nas montanhas eu vejo cercas que foram colocadas ali para nos proteger de uma eventual avalanche, Vejo pessoas subindo no teleférico, sentadinhas com as perninhas balancando com os esquis presos nas botas, subindo, subindo... E depois descendo, deslizando em zigue-zague pela neve, montanha abaixo, desviando dos outros, desviando das árvores, igualzinho àqueles bonequinhos de um video-game que eu joguei quando crianca. Dá pra imaginar que eu ainda tô no Brasil e que a janela é a tela de uma televisao, e que eu nao tô aqui de verdade, no meio do nada, cercada por um monte de neve amontoada. tem partes onde a neve chega a 3m de altura!! Quando eu paro pra pensar que a cidade mais próxima daqui fica em outro país, e que aqui nao passa ônibus, nem metrô nem aviao, nem mesmo helicóptero, e que eu nao sei dirigir, me dá uma claustrofobia que eu nunca senti na vida.
(...)

Lembrei das figuras que eu vejo no trem e no metrô... Ando pouco de ônibus, e geralmente só vejo gente normal lá, mas metrô e trem sao points para encontrar algumas curiosidades... Ontem indo para Paderborn, foi uma menina que sentava na minha frente. Ela estava com uma amiga e em determinado momento a amiga atendeu o telefone e, ao mesmo tempo, a senhora do meu lado atendeu o celular, e por um momento eu achei que elas conversavam, porque cada uma falava num momento, e as falas se completavam! Foi absurdo! Foi tipo:
- Eu tô na Estacao...
- Eu também.
- Ah, vocês também? Ah, entao eu vou descer.
- É? Ok. Tchau tchau!

Foi muito mais coisa do que isso, mas nao lembro direito. Eu fiquei olhando, porque na minha cabeca, a qualquer momento elas iam se tocar de que estavam bem na frente uma da outra. Mas nao aconteceu. A menina desceu e a senhora ficou.
E a garota que ficou sem amiga, algum tempinho depois de a amiga descer, comecou a fazer uns movimentos bruscos, mas leves, com as maos. Fingi nao olhar, mas pelo canto do olho eu vi que ela estava... regendo uma orquestra! Procurei fones de ouvido: nao tinha!! A menina tava regendo uma música, sem música! Louca. =P

(...)

Österreich, Salzburg 8 März 2009

Preces atendidas. O dia nao podia estar mais lindo e perfeito. Vai ser bom e lotado. Hoje é Domingo pé de cachimbo, em plenas férias fora de época na Alemanha, e TODO mundo que veio pra cá vai sair hoje! O céu tá azul azul, e o sol tá nascendo, é lindo como ele ilumina só a pontinha das montanhas mais altas, e depois vai cobrindo, aos pouquinhos, todo o vale. O que dizer? É uma delícia! Eu fui a primeira a acordar e ver esse fenômeno de dia. Vi da cama mesmo, já que minha cama fica bem de frente pra janela da sala. Acordei, abri os olhos e foi dois segundos para um sorriso e uma prece. Obrigado, Pai!
Dá vontade de saber esquiar, só pra poder ir lá pro topo da montanha mais alta. De cima da Pedra nao se fala em horário... E agora, nesse momento, (...) todas as pessoas do Vale dormem, acordam, olham pro dia lá fora e pensam que estao sonhando.
E nenhuma delas saiu ainda, e o teleférico ainda tá parado, e no alto da montanha tudo que existe é pedra, neve, céu azul, sol e paz.

(...)

terça-feira, 10 de março de 2009

Viagem de Carro

Escritos encontrados num diário de bordo ensopado, enterrado na neve da Áustria.





München, 7 März 2009



Estou no meio de uma Autobahn entre Munique e o Vilarejo na Áustria onde vamos esquiar. Hoje é o aniversário da Manuela. Ontem dormimos num hotel perto de Munique. Era um Hotel pequeno, simples e barato, mas lindinho, limpinho e confortável. Dormi em um quarto com a Eva, mae do Willi. Uma senhora desencanada, bem-humorada e educada. Uma ótima companhia! Ela me lembra um pouco a Vó Nice. =)



De manha tomamos café da manha em um buffet completo, no ba do Hotel. Delicioso! Pao e croissants quentinhos, queijo, presunto, salame, peito de peru, mortadela, manteiga, cream cheese e geléias em potinhos de vidro fofíssimos, e um potinho de Nutella fabricado especialmente para Hotéis e Avioes. Tudo de bom! Roubei pra mim. =)



Ontem de manha eu saí de Hamburg com uma mochila super pesada e uma mala gigante, pesada ao cubo, e peguei um trem e um S-Bahn, fazendo Hamburg - Hannover - Paderborn. Foi longo e cansativo, e o primeiro trem se atrasou. Entao perdi o segundo e tive que esperar quase uma hora para pegar o próximo. Em Paderborn encontrei o Bubi na Hauptbahnhof e fomos para a casa da Adele (mae da Manuela - o Bubi é marido da Adele) buscá-la e colocar as coisas no carro pra cair na estrada. Eu tinha esquecido como viajar de carro é divertido. Me bateu uma saudade de viagem pra Salinas! Porque ida pra Salinas tem brincadeira de "A Palavra é", Dica, etc, e com o Stefano entao, é megahilário. =) E sempre tem parada no Celeiro (antigamente era no "Pao de Queijo" em Castanhal) com sucos deliciosos, doce de leite e de banana, e fila pro banheiro e encontros com pessoas queridas que NAO estao viajando conosco. =)
Bom, na minha viagem de carro agora, tem o Bubi falando alemao com dialeto da Bavária, tem paisagens noturnas com chuva no vidro, tem carro a 180km/h no mínimo, tem "pause" num centro de conveniência chiquérrimo, onde a gente dá 50 centavos pra uma maquininha que nos dá um ticket na entrada do banheiro. o ticket depois vale como desconto na compra de qualquer coisa no centro, que tem BurgerKing, cafés, lojinhas e padaria. Ótimo jeito de restringir o uso do banheiro para clientes, nao? Porque desse jeito, quase todos sao clientes: quem vai querer perder a chance de gastar o dinheiro que deu para o banheiro com um snack para a viagem ou um bom café com creme? Muito inteligente, né!
Tem café da manha com Nutela, em um Hotel confortável, tem neve de manha, tem uma vista linda da janela do carro, com montanhas brancas que se confundem com o céu também branco, ainda salpicado de neve branca. =) É lindo!!!
Tem placas de carro de todo lugar da Europa, e placas de trânsito indicando a distância que falta percorrer para chegar em lugares de que nunca ouvi falar: Felden, Grabenstätt, Bad Reichenhall.. Tem ponte de nao sei quantos quilômetros para passar por cima do Chiemsee, um lago gigante que deve ser lindo no verao.
Tem mais um monte de coisa, mas eu conto depois, pois agora estou muito ocupada em ver a paisagem branco-com-branco da Autobahn. =P

segunda-feira, 2 de março de 2009

Gringos falando Português.

Estava Diana com uns amigos em uma festa no sábado à noite, em um clube novo num bairro próximo ao curso de alemao. Todos felizes e saltitantes, alguns dancando loucamente, outros morrendo de vontade de dancar loucamente, porém com vergonha pois a boate nao estava muito cheia e todos veriam, e tinha uma mulher sorridente com uma câmera gigante fazendo fotos de tudo e de todos. Uma bela hora, Vanessa resolve ir ao banheiro, e pede a Diana que a acompanhe. O banheiro da boate era numa porta da mesma cor da parede, e parecia uma coisa meio Harry Potter Plataforma 9 1/2, porque qualquer pessoa que abrisse aquela porta pela primeira vez se sentiria meio estúpida com medo de empurrar e nao acontecer nada. O banheiro era pequeno, entao Diana decidiu esperar por Vanessa do lado de fora do banheiro, sentada em um banquinho, nao que ela estivesse cansada, mas porque parecia uma boa idéia. O banquinho ficava perto da porta da boate, entao mal Diana sentou, entrou um cara moreno, alto, de cabelo comprido escuro, usando óculos e um terno. Tinha um rosto bonito e simpático, e olhou para ela e perguntou em inglês "trabalho novo?" ao que Diana riu e respondeu: "É, você já pode ir pra casa." Era o seguranca da casa, e a Diana estava sentada no banquinho dele. Morrendo de vergonha e de vontade de sair correndo, Diana ficou e nao recusou a conversa que ele puxou, a qual será transcrita abaixo, no respectivo idioma original:

Mann: Und woher kommen Sie?
Diana: Aus Brasilien.
Mann: Brasilien? Porra!
Diana (com cara de choque): Wie bitte?
Mann: Porra!
Diana: Hahahahaha!
Mann: Tut mir leid. Es ist das einzige portugiesische Wort, dass ich weiß.
Diana: Ah so...
Mann: Ich habe ein paar prasilianische Freunde, und wir spielen Fußball zusammen, und sie sagen "Porra" jedes mal. Und ich habe meinen Freund gefragt, was bedeutet "Porra"? Und er hat mir gesagt, es ist wie "Scheiße".
Diana: Nein, "Scheiße" ist "Merda".
Mann: Ach ja! Merda und Carajo!
Diana (tapando os ouvidos): Mein Gott! Stop! Stop!


E agora, a traducao:

Homem: De onde a senhorita vem?
Diana: Do Brasil.
Homem: Brasil? Porra!
Diana (com cara de choque): O quê?
Homem: Porra!
Diana: Hahahahaha!
Homem: Desculpa, é a única palavra em Português que eu sei.
Diana: Ah, tá...
Homem: Eu tenho alguns amigos brasileiros, a gente joga futebol juntos, e eles dizem "Porra" toda vez. E eu perguntei ao meu amigo, o que significa "Porra"? E ele disse, é como "Scheiße" (xaisse).
Diana: Nao, "Scheiße" é "merda".
Homem: Ah, é! Merda e Carajo*!
Diana (tapando os ouvidos): Meu Deus! Para! Para!


Sabe-se que nao é uma história com um linguajar muito culto ou rebuscado, mas achamos que valia relatá-la aqui, para o devido entretenimento dos senhores.

A Direcao.


* Ele falou assim mesmo, como em Espanhol.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Bremen!

Acorda cedo, se arruma devagar, faz café, prepara um lanche farto, lê emails, responde emails, prepara a mochila, sai antes da hora prevista, chega trinta minutos antes do combinado, gasta menos dinheiro do que o esperado, conhece mais pessoas legais do que o imaginado, e anda por ruas muito mais lindas do que a encomenda. Parece bom, nao? =)
Pois foi assim mesmo.
Bremen é muito lindo e eu nunca imaginei gostar tanto de lá. Ok, Ouro Preto é mais bonito. Mas acho que porque eu nao esperava muito de Bremen, acabei realmente me surpreendendo e adorando!! É cheio de becos estreitos, de lojinhas lindas, de artesanato diferente, de prédios historicos enormes, de história... Tem Straßenbahn (se lê xtrássenbán), aquele "trenzinho" elétrico que fica dando volta na cidade, tipo o bondinho de Belém que nunca sai do lugar... Tem ruas de paralelepípedos cercadas de igrejas antigas, prédios em pedra, bem trabalhados; e é cheio de estátuas legais, tipo a dos Músicos de Bremen, aquela famosa história dos Irmaos Grimm que inspirou o Chico Buarque a escrever os Saltimbancos. =)
Foi uma viagem rapidinha, com a Agência de Au Pair que me trouxe pra cá, e o grupo era de Au Pairs também brasileiros, com alguns convidados alemaes/romenos. E a melhor coisa foi que eu conheci a famosa Giordana, que entrou no mesmo curso que eu na Ufpa, em 2007, e veio logo pra cá, mas que eu nunca tinha visto na vida. Ela tá há um ano aqui, e foi pro Brasil passar duas semanas, voltou Domingo, ainda cheirando a sorvete da Cairu e Arraial do Pavulagem. Cantamos altos bregas juntas e ensaiamos um carimbó, eu, ela e Vanessa, queridissima, que era da minha sala da Ufpa. =D Ah, nada como poder falar "Égua" sem se sentir incompreendida. kkk E já formamos 4 paraenses nesse mundinho velho. (Porque também tem a Raquel, que finalmente encontrei na semana retrasada.)
O resto do povo é divertido, e o Oliver é sensacional. Cheguei a achar que ele era um robô, ou que nao existia, mas ele acabou se mostrando um cara bacana, simples, verdadeiro e com um português de despertar respeito e inveja a qualquer estudante de alemao. =D
Eu ia falar que visitei a fábrica de cervejas Beck's mas nem vou mais. =P Vejam as fotos e pronto!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

"O mundo é portátil pra quem nao tem nada a esconder..."




Ah, eu ia tentar explicar essa frase aqui... (coisa da Carol que me colocou a pulga atrás da orelha.) Mas acho que minha explicacao é um tanto lesada, entao vou falar de outra coisa também lesada: eu.

Acordei cedo como em todos os dias úteis e alguns dias inúteis, fiz o café do Luca, com surpresas à parte que nao cabem aqui, e enquanto preparava o Kakao (chocolate quente) e o Schmirwurst Tost (torrada com pasta de salsicha) pro moleque, olhei pela janela, por trás das árvores onde um esquilinho pulava, e vi um céu cor-de-rosa. Preciso falar da minha emocao? Céu cor-de-rosa às 7 e vinte da manha, isso significa um longo dia de sol pela frente. Dito e feito! (ou pensado e acontecido!)

Nem pensei duas vezes, e aproveitando que hoje eu ia ter duas horas de trabalho (ou menos) porque cuidei das criancas ontem quase o dia todo (exagero), me arrumei, fiz um sanduíche e coloquei suco de laranja numa garrafa térmica do Luca, enfiei tudo na mochila com uns livros, dinheiro, minha máquina fotográfica, e saí pra passear... de bicicleta.
Foi a primeira vez que me atrevi a pegar a bicicleta deles, nao porque seja proibido e nem porque eles nao tenham me oferecido ainda, mas porque aqui bicicleta é como carro, e apesar de se andar na calcada, tem via exclusiva, sinais e regras de trânsito. E TODAS as bicicletas têm buzina e lanterna! E em algumas avenidas mais movimentadas tem até semáforo só pras bicicletas.
Enfim, lesada como eu sou, fiquei sem coragem de enfrentar esse mundo à parte, porque ia com certeza acabar fazendo alguma besteira. Mas hoje fazia um dia tao lindo, mas tao lindo (fazia nao, ainda fazendo!) que eu nao resisti e resolvi encarar. Nao sabia pra onde ir, porque o parque onde eu ando com a Felia e onde eu faco cooper (cof cof) de vez em quando é muito pequeno e eu só ia ficar dando voltas e voltas e, desculpem, mas eu prefiro fazer isso ao redor do Alster. Só que o Alster é muito longe daqui e eu tinha hora pra estar de volta. De modo que saí procurando um lugar bonito pra pedalar e acabei pedalando cidade adentro. Tem lugar mais bonito???

Nao!!

Quando eu digo que cada vez que eu saio de casa eu me apaixono mais por essa cidade, nao tô brincando. É sério, é lindo demais, é aconchegante, confortável, macio, é um sentimento de sofá quentinho na frente da lareira numa noite de nevasca. Ok, vocês nao sabem como é uma noite de nevasca e devem preferir um sofá bem gelado, mas entenderam o que eu quis dizer.
O fato é que eu fiquei tao embevecida pela paisagem (pra nao dizer embestada) que... me perdi!!!
Ah, se perder em Hamburgo nao é nada. Se perder em Belém é que é um problema. Aqui tem mapas espalhados por todo canto e em qualquer esquina você pega um ônibus que te leva pra um lugar no mínimo familiar. Mas eu tava de bicicleta, e tinha um tempo de sobra e comida na mochila, entao encarei a dor nas pernas (falta de uso) e pedalei o caminho de volta, deveria servir.
Acabei passando da rua onde deveria entrar e dei de cara com um mini parque bem do lado de uma avenida que pra atravessar a gente precisa apertar um botao (fato que eu desconhecia, de modo que fiquei "feito" lesa esperando o sinal abrir até que uma senhora do outro lado da rua apertou o tal botao).
À luz do sol, com a neve de anteontem ainda derretendo, um riozinho que caía numa cachoeira, cheio de patinhos brincando e criancas nas margens e senhores caminhando com seus cachorros, e passarinhos cantando, um oásis, no meio da selva de pedra.
Mas por aqui é assim... pedra, oásis, pedra, oásis, nunca você fica muito tempo sem se sentir num parque verde cheio de natureza... Quer coisa melhor? Quer lugar melhor, num dia melhor, num humor melhor, pra se perder de bicicleta?

..de ninar...

Vida de neném é difícil mesmo ein... Dormir tanto deve ser ruim, com tanta coisa pra ver, tantos cheiros e sons pra descobrir... Acho que a Felia se sente assim. Porque ela espera até o último suspiro do olho dela, quando ele tá tao pesado que ela nao aguenta mais mantê-lo aberto. E às vezes ela luta tanto pra ficar acordada que até chora como quem diz "naaaao, eu nao quero dormir, por favor!"... Tadinha... Entao depois da mamadeira eu tento fazer a vida dela um pouquinho mais feliz, porque já que ela vai dormir de qualquer jeito, que durma ouvindo... música popular brasileira! Aí eu coloco ela nos bracos e a gente danca na minha sala de estar ao som de Céu, de Vanessa da Mata, de Marisa Monte, Lenine, Roberta Sá e Caetano Veloso, por que nao? =) Ela adora.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

dolores, dólares...

O Miguel Falabela não falou a verdade.
Dor de dente dói mais que dor de saudade.

Olha, até rimou.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O Filipe chegou!

Não tinha como ser melhor. O Filipe chegou cheio de presentinhos pra mim na bagagem, mandados pela minha mãe linda e minhas irmãs lindas, com cartinhas e surpresinhas, tudo delicioso. Chegou com suas milhões de histórias e opiniões sobre a vida, chegou trazendo a neve que ele foi buscar lá na Suíça, chegou com um computador rápido pra eu dar um descanso pro meu caracolzinho, e trouxe no computador as fotos mais lindas que fizemos em Paris. Como estávamos com duas câmeras, a minha e a dele, eu tirava fotos dele e ele tirava fotos minhas, e às vezes eu pegava a câmera dele pra tirar foto, e algumas vezes tirávamos a mesma foto com as duas câmeras, mas o resultado foi que eu fiquei cheia de fotos dele comigo e ele cheio de fotos minhas, as quais só vi agora e só vou postar agora também. =) Podem falar a verdade, esse menino sabe tirar foto minha. kkk Família, obrigada pelo pacote, eu amei tudo e não podia ter sido mais perfeito. =* Amo vocês!



















Fotos: Filipe Barata, Eu, Botão Automático da Câmera dele.

Fim de Semana.


As criancas nas árvores.


A Felia.


O macarrao com salsicha ao molho carbonara.


A floresta da bruxa de Blair e suas novas vítimas.


A chuva chatinha.


A porta da igreja de St. Nikolai


Casal feliz na igreja de St. Nikolai


O que sobrou do Crépe com Chocolate Quente.


Facam cara de estou em Hamburgo.


Estamos em Hamburgo!


E tá frio!


Brincando com o Sol!


Fotos bonitas. =D


Nhem!


Maquete legal entre um trem e muitos outros.


Nós em cima de um monte de isopor.


Dá pra ver que tá nevando pedrinhas??


Chegando no Planetarium.


Na frente do Planetarium.


Dentro do Planetarium.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Wir sind Kinder der Sterne.

Relatório do tempo em Hamburgo, Alemanha. Fim de semana que passou.

Sexta-feira. Dia ensolarado, pessoas tirando os casacos e sentando-se em mesas dispostas na frente dos cafés, tomando chocolate nao-tao-quente, quem sabe um suco-de-laranja-de-caixa. Criancas da escola foram liberadas da aula para brincar no parque em frente ao portao, e elas enlouquecidas gritavam e subiam em árvores, podendo ser vistas árvores com até cinco criancas em seu topo. Os cachorros que passeiam todos os dias no caminho ao redor da fazendinha estavam agitados com a falta de frio, tomando banho na água gelada do riozinho quase seco, na tentativa de sentir algo além de calor. Os esquilos achavam que estavam sonhando e nao saíram de suas camas. Os patinhos estavam na água gelada, entao nao viram diferenca nenhuma. As ovelhas da fazendinha estavam triloucas e nao sabiam se ficavam dentro da casinha ou se saíam, ou se berravam béééé ou se brincavam com o novo filhotinho, ou se bebiam água, ou se coSSavam o bumbum na cerca. As galinhas continuaram no galinheiro. Os cavalos comiam e bebiam água do lago que até quinta-feira era só gelo. A Felia dormia no carrinho, aborrecida com o excesso de sol em seu rosto e com o monte de roupas e cobertores em cima dela. A Diana empurrava o carrinho agoniada com o monte de casacos usuais que se faziam mais que desnecessários -- incômodos. De modo que a Diana tirou os casacos e pendurou no carrinho, tirou os cobertores da Felia e pendurou no carrinho, e todos seguiram felizes com sua sexta feira de sol, aquela inusitada sexta feira de sol em pleno inverno-quase-primavera de Hamburgo, Alemanha.

Sábado. Diana acordou cansada, pois na noite anterior estivera conversando até de madrugada com a família na internet, e com os amigos do Brasil que agora se aninhavam na casa dela. Pedro e Izadora haviam chegado na sexta-feira à noite, sem entender por que fazia uma noite tao calorenta, enquanto na cidade de onde eles vinham - a apenas três horas de Hamburgo, Alemanha - só nevava e nevava. A noite de Sexta foi agradável com macarrao e salsicha ao molho carbonara, e família na internet, e conversa até de madrugada. O Sábado acordou preguicoso e nublado, e assim que eles acabaram de se vestir, comecou a chover. A chuva veio chatinha, daquelas que a gente nao vê mas sente a pele molhada. Foi assim o dia inteiro, e até a hora de dormir, ainda chovia. De modo que os programas do dia foram: andar na chuva, reclamar da chuva e assistir uma exposicao de arte do Matisse, para depois sair na chuva e voltar pra casa. Protegidos da chuva pela sala de jantar dos donos da casa, conversaram em inglês, em alemao e em português, fazendo uma salada linguística pra comer com pao e queijo derretido no forno.

Domingo. O céu deu o ar de sua graca. E os três acharam graca do dia nem-bonito-nem-feio-que-pelo-menos-nao-estava-chovendo, se vestiram, tomaram café da manha e saíram em direcao ao novo. Andaram entre os canais, as pontes e os prédios históricos de Hamburgo, Alemanha, e dirigiram-se ao cais para tomar um barco. O barco protegia-os do frio insuportável lá fora, do vento cortante e das nuvens redondas que cobriam o luar, ops! o sol. Os três desejavam nunca chegar ao destino, só para nao precisar sair do seu fiel abrigo. Mas chegaram, e saíram do barco a desbravar o vento e as nuvens, e brincar de esconde-esconde com o sol (aquela era, para ele, a brincadeira preferida do dia). Andaram pela praia de Hamburgo, Alemanha, entraram em alguns restaurantes até sentar enfim em um deles e pedir crépes com chocolate quente. Comerápidoantesquecongele. Fotos lindas aproveitando o sol brincalhao, e entao pegaram o ônibus, depois o trem, e depois outro trem, e mais outro, para chegar enfim à estacao de Borgweg, em frente ao Stadtpark, que os levaria ao Planetarium. Mas enquanto se dirigiam à saída da estacao, Diana fala baixinho, surpresa. Tá nevando...? Foi só falar. A neve caiu em pedrinhas de gelo que quicavam quando batiam no chao, quando encontravam ombros ou maos pelo caminho, e se acumulavam nas dobras da roupa, e molhavam menos que chuva, mas doíam nos olhos. O chao parecia um bolo confeitado de acúcar, com pedrinhas quadradinhas durinhas e branquinhas, como torroes de acucar. Nunca vimos isso na vida...
Os três seguiram correndo, rindo, reclamando, tirando fotos e brincando de guerra de neve até chegarem no Planetarium quase atrasados, até sentar na cadeira reclinável e viajar no espaco.
Somos filhos das estrelas... Daí pro final foi questao de horas. Pedro partiu, de volta à cidade-onde-nevava, e ficaram Diana e Izadora, jantando e rindo e fofocando num restaurante italiano, pra fechar o dia frio-quente-gelado com chave de pizza e tiramisu.